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Metamorfose com: Naomi Watts
Data de Publicação: 03 de Janeiro de 2006
Por: Rodrigo Cunha

Por muito pouco a bela e talentosa Naomi Watts não foi mais uma para endossar a imensa lista de atores "quase conhecidos" de Hollywood. Nascida na Inglaterra, em 1968, mudou-se para a Austrália aos quatorze anos, após a morte do pai - que foi engenheiro de som do consagrado grupo Pink Floyd. Decidiu ser atriz cedo, logo após assistir ao clássico Fama (1980), de Alan Parker, quando tinha apenas doze anos de idade. Vegetariana, apreciadora de esportes como futebol, tênis e boxe, teve sua primeira oportunidade no cinema em 1986, ao fazer uma pequena participação como a namorada do personagem Leo em For Love Alone, depois de vários comerciais no currículo. No elenco, nomes até então menos famosos do que são hoje, como por exemplo Sam Neill e Hugo Weaving, mundialmente conhecidos, respectivamente, por seus papéis em Jurassic Park e na trilogia Matrix.

Em 1991, faria o seu segundo trabalho nas telonas, contracenando com sua até então melhor amiga Nicole Kidman em Flertando - Aprendendo a Viver. Ambas são amigas desde que fizeram um teste para um comercial juntas e dividiram um táxi no retorno para casa. Chegaram, inclusive, a morar juntas um tempo, depois que Kidman se separou do mega astro Tom Cruise. Há, inclusive, traços físicos que aproximam bastante as duas atrizes, como a cor dos olhos e o nariz empinadinho. No filme, Naomi fez sua participação como a personagem Janet Odgers, na história sobre preconceito racial combatido por dois jovens apaixonados, de cores e origens diferentes.

Alguns anos se passaram, com Naomi Watts fazendo diversos trabalhos para a TV. Quando trabalhou para o cinema, fez uma participação sem destaque em um filme maior, como uma das dubladoras de Babe - O Porquinho Atrapalhado na Cidade, e em filmes de menor expressão, como Colheita Maldita IV, que acabou sendo lançado direto em vídeo nos EUA. Ironicamente, sua experiência para a TV seria peça fundamental para a escolha do papel que a impulsionaria de vez no concorrido mundo do cinema de Hollywood.

 

Mais precisamente no começo dos anos 2000, foi selecionada para protagonizar uma série nova de televisão, com direção do cultuado diretor David Lynch. Mas a série não vingou e Lynch decidiu terminar o piloto que tinha por conta própria, de uma hora, com mais uma outra hora de história e fechá-la por ali mesmo. O público que deveria parar, sentar e raciocinar sobre o que acabara de ver. Lançado nos cinemas em 2001, com o título nacional de Cidade dos Sonhos, foi um verdadeiro divisor de críticas, com uma infinita lista tanto de adoradores quanto depreciadores. Para Naomi, o impulso que sua carreira precisava para alavancar de vez.

No ano seguinte protagonizou o seu primeiro blockbuster, intitulado O Chamado. Refilmagem de um clássico recente do terror psicológico japonês, foi um verdadeiro sucesso, responsável por uma nova onda estadunidense de filmes baseados em obras nipônicas de horror. Conta a história de uma mulher que, após assistir a uma fita amaldiçoada, tem sete dias para passar para a frente a maldição ou morrer. Repetiu o papel da repórter Rachel Keller este ano, na seqüência O Chamado 2, que, assim como o original japonês, não conseguiu repetir o sucesso do antecessor, tanto de crítica quanto de público. Ainda em 2002, foi eleita uma das cinqüenta pessoas mais bonitas do mundo, segundo a People Magazine.

 

De lá para cá, as portas se abriram de maneira impressionante. Em 2003, realizara Ned Kelly, ao lado da sensação do momento Orlando Bloom e de Heath Ledger, com quem se relacionou até 2004. A história é sobre o bandido que dá nome ao filme, que se torna fora-da-lei após sofrer injustiças no condado onde vivia. No mesmo ano estrelou, ao lado de outra loiraça, Kate Hudson, a comédia dramática À Francesa, no papel da mulher grávida que foi recentemente abandonada pelo marido e recebe a visita da irmã para tentar superar seus problemas. De quebra, as duas dão um belo passeio pela apaixonante Paris, exatamente quando a personagem de Hudson se apaixona por um diplomata francês.

 

Ainda em 2003, recebeu sua primeira indicação ao Oscar, por sua interpretação em 21 Gramas - elogiado filme de Alejandro González Iñárritu, ao lado de Sean Penn e Benicio Del Toro. A história é sobre três pessoas, completamente normais, mas que vêem suas vidas serem drasticamente alteradas quando um ponto se torna comum às três. Em 2004, procurou dar novos rumos a sua carreira, arriscando a produção de um longa que protagonizou ao lado de Mark Ruffalo, chamado Tentação. É um filme menor, que procura discutir o relacionamento entre pessoas que são amantes e amigas. O conflito surge quando um homem beija a mulher do amigo e são flagrados, abalando profundamente a confiança entre os casais, até então tão amigos, e gerando uma série insuportável de brigas entre eles.

 

Depois disso, só produções ainda inéditas no Brasil. Voltou a atuar com Penn em O Assassinato de Richard Nixon, e participou da elogiadíssima comédia Huckabees - A Vida é uma Comédia, ao lado de nomes como Dustin Hoffman e Jude Law, que será lançado direto em DVD por aqui. O primeiro conta a história de um homem, Samuel J. Bicke (Sean Penn), que resolve seqüestrar um avião e matar o presidente dos Estados Unidos; enquanto o segundo brinca com os relacionamentos quando um casal resolve não apenas investigar a vida alheia, como também ajudar seus protagonistas a resolverem os casos amorosos.

 

Em A Passagem, contracena com Ewan McGregor um outro suspense, dessa vez sobre um psicólogo que deve evitar o suicídio de um de seus pacientes; uma morte planejada e que lhe trará grandes dores de cabeça. O diretor é Marc Forster, o mesmo de Em Busca da Terra do Nunca. Sua obra mais esperada chega no final do ano, no reencontro de Peter Jackson com o público pós O Senhor dos Anéis. Ele refilmou seu filme preferido, King Kong, de 1933, mantendo a época do filme e colocando nossa loirinha em questão no papel principal da obra (que no original havia sido feito pela inesquecível Fay Wray). Na história ela será a heroína, estrela do filme que o diretor (Jack Black) fazia quando foi raptada pelo gorilão de Andy Serkins - que volta a trabalhar com Jackson como um personagem digital.

 

O sucesso parece ter mesmo abraçado esta loira dos olhos claros. Um pouco tarde, é verdade, mas com o devido reconhecimento que merece o talento que Naomi Watts tem demonstrado ao longo dos filmes na qual vem participando. Que venham muitos e muitos outros!

 
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