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Metamorfose com: Joaquin Phoenix
Data de Publicação: 12 de Fevereiro de 2006
Por: Raphael Santos

Nascido em 28 de outubro de 1974, em Porto Rico, Joaquin Raphael Phoenix é um dos atores com mais elogios da crítica americana. Entre medianas e ótimas ficam suas atuações e dificilmente escuta-se falar mal a respeito do trabalho do porto-riquenho.

John Bottom e Arlyn Dunetz são seus pais. Por sinal, quando se converteram à seita Meninos de Deus, eles trocaram o sobrenome para Phoenix, simbolizado o renascimento deles. Joaquin é o filho do meio e seus irmãos têm nomes que não desmentem o passado hippie da família: River, Rain, Liberty e Summer. Ao contrário de muitos atores que nasceram, trabalharam e se limitaram ao território americano, Phoenix, teve uma infância nômade e das mais atípicas de Hollywood. Acompanhando os pais missionários, viajava pela América do Sul e Central. Durante essas longas jornadas, ele, River e sua irmã Rain cantavam louvando a Deus.

Vegetariano desde os cinco anos, ele nem sequer prova os derivados do leite. Quase não bebe álcool e não toma café. Mas fuma (Marlboro Light) bastante. Também é militante na defesa dos animais e já se recusou a aparecer pescando num filme, além de nem cogitar a hipótese de interpretar um toureiro: “Só se o touro ganhasse e me matasse no final”, brinca. Fotografando para a Prada, negou-se a usar sapatos de couro.

A grande proximidade a seu irmão mais velho, River Phoenix, custou-lhe uma das maiores tristezas (se não a maior) de sua vida. Sempre vivendo à sombra do primogênito teve de encarar a morte do mesmo por overdose em 1993, na frente de um clube em Los Angeles. Ele estava junto quando se deu tal acontecimento e foi quem pediu socorro por telefone. Demorou mais de um ano para que o ator voltasse a ter uma vida normal, tendo já dado início a um processo de superação a esse fato.

Como visto no começo, seu nome completo carrega três belos nomes, mas nem sempre foi conhecido por algum deles. Aos quatro anos decidiu que queria um nome mais de acordo com o dos irmãos e, com o pai, escolheu Leaf (folha), que usou até os 19 anos, quando voltou a usar esse que estamos acostumados.

Uma das coisas que mais marca Joaquin é uma cicatriz que ele ostenta próximo aos lábios. Ela parece com aquela resultante da operação de lábio leporino, entretanto, ao contrário do que a maioria pensa (inclusive já tendo sido alvo de revistas de fofoca por conta dessa marca), não é: ele já nasceu com ela.

Na verdade, como um grande ator que é, o que mais ligamos a ele são suas belíssimas atuações que tiveram início quando Kitten (seu apelido de infância) apareceu frente a uma câmera na TV, em 1982, na [i]sitcom[/i] “Seven Brides for Seven Brothers”, ao lado dos irmãos River e Liberty.

No cinema, seu primeiro trabalho foi SpaceCamp - Aventura no espaço. Nele, Kate Capshaw (Indiana Jones e o templo da perdição) é Andie, uma astronauta que nunca foi pro espaço e que é escalada para treinar um grupo de estudantes num curso de férias organizado pela NASA. Numa das aulas, ela e os adolescentes de seu grupo entram num ônibus espacial, que é acidentalmente lançado ao espaço. O curioso é que o filme foi feito pouco antes do acidente com a nave Challenger, em janeiro de 1986, e seu lançamento foi adiado em função dessa tragédia.

Ainda um tanto quanto novo, em 1987, ele aparece em Prova de Foto. Nessa época ele ainda usava o nome de Leaf Phoenix. Essa comédia se passa em uma cidade na costa da Flórida, onde três garotos (um deles é Joaquin) encontram um marinheiro russo numa praia afastada. O contexto é a Guerra Fria e os americanos vêem os russos como inimigos. O marinheiro é Mischa, que sobreviveu a um acidente no mar e está sozinho e perdido. Aos poucos, os meninos percebem que Misha não é mau nem perigoso e decidem ajudá-lo a voltar pra casa. Mas precisam evitar que seus pais e o governo descubram sobre a presença deste novo amigo.

 

Ainda participando de filmes cujo seu papel é interagir em um grupo de garotos, Joaquin aparece na projeção feita para a TV, de 1988, mas que acabou vingando por pouco tempo no cinema, Testemunha Secreta. A sinopse do filme trás a trama de dois garotos de doze anos que, enquanto brincavam costumeiramente de detetive espionando casas e terrenos da vizinhança, descobrem o pai de um deles com uma mulher, que é encontrada assassinada na manhã seguinte.

Com visual diferente (cabelos loiros e longos), contracenando com Steve Martin (Doze é Demais) e dirigido pelo famoso Ron Howard (Apollo 13), Joaquin interpreta Garry Lampkim, mas ainda sem ter um papel de destaque, no extenso título: O Tiro Que Não Saiu Pela Culatra. Inclusive, futuros (à época) bons atores se misturaram pelo elenco, como Keanu Reeves (o Neo de Matrix), por exemplo.

 

Depois de um afastado das filmagens, até então, o prodigioso ator mirim reaparece em filmes sem nenhuma expressão. Eles são Walking the Dog de 1991, muito atacado pela crítica; e Canceled Lives: Letters fro the inside, de 1993, onde empresta sua voz a um personagem.

Seu primeiro filme de mais destaque chega em 1995, ano que já usava o nome artístico que conhecemos hoje. No filme Um Sonho sem Limites Phoenix contracena com nomes de peso (Nicole Kidman e Matt Dillon) fazendo o personagem Jimmy Emmett. O filme é simples, mas arrancou elogios da crítica. Nele Nicole Kidman é uma garota que faz de tudo para conseguir o estrelato na televisão. Além de bons atores no elenco a projeção ainda conta com Gus Van Sant (Gênio indomável) na direção.

Voltando a ter bons atores ao seu lado, dois anos depois, Joaquin estrela o filme Círculo de Paixões. Durante as filmagens ele conhece Liv Tyler (a Arwen de Senhor dos Anéis) e juntos começam a namorar. Eles ficaram juntos por três anos e, segundo as fofocas e os próprios atores, continuam bem amigos. O filme é ambientado nos anos 50, numa pequena cidade americana. Na trama, as histórias de duas famílias se cruzam e os adolescentes Jacey (Billy Crudup) e Doug Holt (Joaquin Phoenix) são de uma família da classe operária, mas estão interessados nas belas irmãs da rica família Abbott. Doug adora a mais nova, sua amiga Pam Abbot (Liv Tyler), começando assim uma paixão entre eles.

 

Ainda em 1997 podemos ver o ator em outro filme, Reviravolta (com o diretor Oliver Stone), porém, desta feita, não tão em destaque como vinha acontecendo. Esse longa recebeu duas indicações ao Framboesa de Ouro. As categorias de Pior Diretor e Pior Ator Coadjuvante (Jon Voight), foram os alvos da temida premiação.

Na refilmagem de Force Majeure (1989), Pela Vida de Um Amigo, Phoenix interpreta Lewis McBride. O filme tem seu desenrolar nas praias da Malásia, durante o verão, onde três americanos - Lewis, Xerife (Vince Vaughn) e Tony (David Conrad) - desfrutam prazeres da vida. Com o fim do verão, Tony e Xerife voltam para Nova York e deixam com Lewis, que mais é preso por isso, 140 gramas de haxixe (segundo as leis locais, a partir de 100 gramas o portador é considerado traficante e a pena é a morte por enforcamento). Dois anos depois, em Nova York, Xerife dirige limusines de aluguel e Tony é um arquiteto que está noivo. É quando repentinamente surge Beth (Anne Heche), uma advogada que conversa com os dois e diz que há um acordo verbal que diz que se um deles voltar para cumprir a pena terá de ficar seis anos preso, se os dois voltarem três anos de prisão para cada um e se nenhum voltar Lewis será enforcado em oito dias.

 

Continuando em 1998, mais uma vez contracenando com Vince Vaughn e voltando as comédias, Joaquin faz o fraco Clay Pigeons. No filme, Clay (Phoenix) é um rapaz que trabalha num posto de gasolina, se enrola numa cômica trama de assassinatos e é tido pelo FBI como um serial-killer. Tudo começa quando seu melhor amigo se suicida, ao descobrir que a esposa está tendo um caso com Clay, e ele ajuda a esconder o corpo. Logo depois sua amante mata sua namorada, deixando mais um cadáver para ele dar um jeito. Clay se torna amigo do caminhoneiro Lester Long (Vince Vaughn), sem saber que ele é um assassino, e mais corpos aparecem. Ele é preso, mas sabe que o verdadeiro assassino está a solta e precisa dar um jeito de pegá-lo.

Em 8 Milímetros, que trás Nicolas Cage (Senhor das Armas) como protagonista, Phoenix é Max Califórnia. Para viver esse personagem Joaquin teve bastante mudanças em seu visual. Porém, mesmo com tanto esforço, o filme não foi unanimidade na crítica e alternou entre péssimas e medianas análises da mesma.

 

O ano de 2000 é por muitos considerado um dos melhores na carreira do ator. Primeiro ele estrela Caminho sem Volta onde divide a tela com a bela Charlize Theron (Terra Fria) e Mark Wahlberg (Quatro Irmãos). Logo após esse filme, surge um que marca sua carreira, no caso, o aclamado Gladiador. Com uma atuação brilhante, o ator ganha elogios e mais elogios na feição do cruel Commodus. Em alta após O Talentoso Mr. Ripley, Jude Law era o preferido do estúdio para fazer esse personagem, mas o diretor Ridley Scott batalhou para ter Joaquin Phoenix no papel. O filme é estrelado por Russell Crowe e ganhou 5 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Russell Crowe), Melhores Efeitos Especiais, Melhor Figurino e Melhor Som. Foi ainda indicado em outras 7 categorias: Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Joaquin Phoenix), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora. Até hoje ainda há quem fale que Phoenix merecia o Oscar por essa atuação.

 

No mesmo ano sortido de 2000, ele trabalha em Contros Proibidos do Marquês de Sade. O filme também foi um sucesso e mais uma vez um filme que tinha a participação do ator é indicado para ganhar as estatuetas. Dessa vez foram três indicações - Melhor Ator (Geoffrey Rush), Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino -, mas não levou nenhuma. Joaquin faz a sua parte e coopera para o sucesso do filme.

Colocando um traje de soldado, em 2001, Phoenix faz o drama Guerreiros Buffalo. A trama do filme se passa em Berlim, 1989, antes da queda do muro. Ray Elwood (Joaquin Phoenix) é um soldado americano que se diverte e ganha dinheiro com o mercado negro da Alemanha Oriental. Ray tem a simpatia do coronel Berman (Ed Harris) para realizar seus negócios, mas seu sossego termina quando chega um novo sargento, Lee (Scott Glenn), que adota a linha dura. Lee decide investigar o regimento, enquanto que Ray fica mais interessado em cortejar a filha dele, Robyn (Anna Paquin). Esse trabalho de Phoenix foi lançado diretamente em vídeo aqui no Brasil.

 

Dirigido por M. Night Shyamalan, em Sinais, Joaquin é Merrill Hess e faz uma atuação muito elogiada. O protagonista é Graham Hess (Mel Gibson) que vive no condado de Bucks, Pensilvânia.. Ele reside em uma fazenda e era o pastor da região, mas recusa ser chamado como padre, pois questionou sua fé desde quando sua mulher, Colleen (Patricia Kalember), foi morta ao ser atropelada por Ray Reddy (M. Night Shyamalan), um morador da região que dormiu enquanto dirigia. Repentinamente os Hess ficam bastante intrigados com o surgimento de misteriosos e gigantescos círculos, que surgem inesperadamente em sua plantação sem que haja o menor vestígio de quem os fez ou por qual motivo teriam sido feitos.

Em 2003, o ator encara um filme cuja trama acontece em um futuro não muito distante. Nele, um desastre ambiental causa estranhos fenômenos: em alguns lugares a gravidade desaparece e as pessoas que sofrem de tristeza são vitimadas por uma doença fatal, que congela de repente o coração. John (Joaquin Phoenix) e sua mulher, Elena (Claire Danes), uma famosa patinadora de gelo, vivem há anos separados: ele na Polônia e ela em Nova York. Esse tempo distanciou o casal e John vai a Nova York para, finalmente, acertar os detalhes da separação. Porém ele percebe que algo estranho aconteceu com sua esposa e as pessoas que a cercam.

 

No mesmo 2003, Phoenix foge um pouco a seu estilo e, em vez de atuar, empresta a sua voz para Kenai, da animação Irmão Urso. Mas, no ano seguinte, volta mais uma vez a atuar tendo M. Night Shyamalan dirigindo-o. O filme é o intrigante A Vila, que tem uma ótima trilha sonora, custando assim uma indicação ao Oscar para o longa. O diretor e roteirista já citado declarou que se inspirou em O Morro dos Ventos Uivantes, para criar a parte dramática de A Vila, e em King Kong, no sentido de ter uma comunidade com medo de criaturas predatórias. O orçamento do filme foi de US$ 60 milhões. Ele acabou sendo bem recebido pela crítica, principalmente no que tange a atuação do nosso metamorfoseado.

 

Com sua presença ofuscada pela de muitos astros, o ator passa quase despercebido no elogiado Hotel Ruanda. O filme retrata um conflito político em Ruanda que levou a morte quase um milhão de pessoas em apenas cem dias. Sem apoio dos demais países, os ruandenses tiveram que buscar saídas em seu próprio cotidiano para sobreviver. Uma delas foi oferecida por Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que era gerente do hotel Milles Collines, localizado na capital do país. Contando apenas com sua coragem, Paul abrigou no hotel mais de 1200 pessoas durante o conflito.

Já antes tendo vestido uniforme de soldado, dentre tantas feições que encarou, chega a vez de encarnar um bombeiro. O filme é Brigada 49, entretanto, aqui no Brasil ele passou quase despercebido. Os bastidores do filme têm várias curiosidades, dentre elas, o fato de que seu roteiro original previa que os eventos ocorressem em Nova York. A cidade foi mudada para Baltimore após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Para se preparar para o filme Joaquin Phoenix passou por um mês de treinamento na Academia de Bombeiros de Baltimore e ainda outro mês trabalhando com os integrantes da Brigada 10 da cidade. Ao término deste período o ator se tornou "membro honorário" da corporação, tendo até mesmo feito uma tatuagem com o símbolo da brigada. Sem falar que a filmagem do grande incêndio causou pânico em Baltimore, tendo várias pessoas ligando para o corpo de bombeiros para avisar do ocorrido.

 

Em 2005 Johnny e June é estrelado por Joaquin Phoenix. Mais uma vez o ator teve de passar por um trabalho de pré-produção para interpretar um personagem, dessa vez é o verídico Johnny Cash em sua cinebiografia. Joaquin foi uma escolha do próprio Johnny. O ator foi quem cantou todas as músicas em cena, tendo também recebido aulas de guitarra para compor o personagem. Além disso, foram necessários quatro anos para que os produtores conseguissem os direitos de adaptação para o cinema com o autor James Keach, que era amigo pessoal da família Cash. Após este período foram necessários ainda outros quatro anos para que o filme fosse feito.

 

A fase de ator juvenil deixou suas marcas e ter virado ídolo adolescente nem passava pela cabeça do ator. Ele dizia que, se isso acontecesse, engordaria bastante e ainda faria uma cicatriz (outra?!) no rosto. Até o dia dessa matéria, Joaquin mora em Nova York, num apartamento alugado, no mesmo prédio que o diretor Gus Van Sant (quem já o dirigiu, inclusive na fase juvenil) e Casey Affleck, irmão de Ben Affleck e seu melhor amigo. A irmã Summer também se mudou para o edifício.

Ele diz trabalhar por impulsos. Na escolha de um papel, costuma se guiar pelo roteiro e precisa se apaixonar pela história. “Fazer filmes é um processo muito difícil, complicado. Não é tão puro como eu gostaria”, diz. Por incrível que pareça, o ator diz não conseguir entender a fascinação das pessoas pelos astros e estrelas: "Atores são idiotas". Além disso, é do tipo tímido, não muito chegado a dar entrevistas. Em função disso, tem fama de ser pouco articulado e tenso, todavia, para sua sorte, também tem a fama de bem-humorado.

Como todo mundo tem lá seus favoritos não poderia ser diferente com ele. Na lista de Phoenix, Peter Sellers (Muito Além do Jardim de 1979) ocupa o primeiro lugar na categoria “Ator”. Alvo de boníssimas declarações de Phoenix a respeito de seu talento, o ator é admirado porque sempre escolhia personagens bem diferentes para viver nas telas.

 
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