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Metamorfose com: George Clooney
Data de Publicação: 24 de Fevereiro de 2006
Por: Beatriz Saldanha

George Clooney, nascido em 06 de maio de 1961, em Lexington (Kentucky, EUA), leva o espetáculo nos genes. O seu pai era um apresentador de televisão bastante popular em Cincinnati, e desde de criança, George fazia aparições freqüentes nos programas.

A sua primeira grande paixão foi o beisebol, mas não cumpriu o seu sonho de virar um jogador profissional. Descobriu o cinema graças a um primo, filho do ator Jose Férrer, que o animou para atuar em um pequeno papel num projeto. O filme nunca estreou, mas ainda assim, Clooney empolgou-se para dedicar-se com seriedade à atuação. Logo se mudou para Los Angeles, onde trabalhou em inúmeros seriados de televisão. Chegou a ser o “ator desconhecido” mais bem pago de Hollywood.

A estréia de Clooney no cinema deu-se no filme Return to Horror High (sem título em português), aos 26 anos. Devido ao fracasso do filme, ele permaneceu se dedicando a seriados de televisão, quando retorna quatro anos mais tarde na continuação do defectível O Ataque dos Tomates Assassinos: A Volta dos Tomates Assassinos. O papel que poderia ter levado a sua carreira, ainda em início, por água abaixo, não assusta ao ator. Clooney interpreta cozinheiro que inventa de tudo para “conseguir mulheres”. Em meio aos seus truques, ele forja um concurso que promove um encontro com Rob Lowe. Entre essas e outras, ele acaba levando para a cama a atriz pornô Teri Weigel. Como se já não bastasse todo o “conteúdo” do filme, o seu infeliz personagem é responsável pela maioria das piadas sem-graça.

Mais tarde, em 96, Clooney atua em Um Drink no Inferno, filme de Robert Rodriguez, que possui diversas referências a obras passadas do próprio diretor e de Quentin Tarantino (Cães de Aluguel, Pulp Fiction), que era o cineasta cogitado a tomar conta da direção do filme. Este preferiu dedicar-se ao roteiro e ao seu papel, Richard Gecko. Clooney, por pouco, não fica de fora. Tim Roth, John Travolta, Michael Madsen, Steve Buscemi e até Christopher Walken fizeram testes para o papel assumido, afinal, por Clooney. Todos eles desistiram por choques de horários. O personagem tão disputado é o de Seth Gecko, que, juntamente com o seu irmão (Richard Gecko, personagem de Tarantino), é procurado por dezesseis homicídios. Para tentarem fugir dos Estados Unidos, cruzando a fronteira do México, os dois seqüestram uma família e acabam parando em um local repleto de figuras bizarras. O papel de Seth Gecko foi de extrema importância para a carreira de Clooney, que, até então, era conhecido como o doce pediatra do seriado E.R. Surpreendentemente, Dr. Ross aparece com uma tatuagem no pescoço, matando policiais e vampiros ao lado de Tarantino e Harvey Keitel. Assim, o ator provou ao público da época que, de repente, mostrava-se como o novo DeNiro, e não como o novo Clark Gable.

 

Fugindo desse clima mórbido dos filmes anteriores, Clooney estréia em uma comédia romântica ao lado da linda Michelle Pfeiffer, Um Dia Especial. Ele interpreta Jack Taylor, um colunista de jornal divorciado, pai de uma menininha. Em um dia que poderia ser como qualquer outro, sua filha se atrasa e perde um passeio escolar. O mesmo acontece com Melanie Parker (Pfeiffer), também divorciada, e seu filho. Em meio a muita bagunça e desentendimentos, Jack e Melanie acabam apaixonando-se. O filme foi bastante premiado, mas ainda não foi o nosso homenageado que levou tais prêmios, e sim a dupla de crianças, composta por Mae Withman e Alex. D. Linz.

Em mais uma adaptação para as telas das aventuras do homem-morcego, Clooney incorpora um charmoso Batman, em Batman e Robin, de Joel Schumacher. Neste longa, o herói terá de enfrentar, entre outros seres malévolos, Mr. Freeze, um senhor que planeja congelar toda Gotham City (a cidade onde tudo se passa), acabando assim com todas as formas de vida nela existente. O vilão é interpretado por ninguém menos do que o, hoje importante político, Arnold Schwarzenegger. Ousam algumas línguas afiadas, dizer que este é o papel do qual Clooney mais se arrepende de ter feito, talvez o único do qual o ator se envergonha. Pior: falam ainda que ele teme, em seus pesadelos, ter que trabalhar em uma continuação do filme, o que, cá entre nós, não é nadinha impossível, tendo em vista a crise criativa que aflige Hollywood.

 

Em O Pacificador, o primeiro filme a ser distribuído pela DreamWorks, Clooney assume o papel de um tenente-coronel subordinado à cientista nuclear e chefe do Grupo Especial Anti-Contrabando de Armas Nucleares da Casa Branca (ufa!), por sua vez, interpretada por Nicole Kidman. A cientista desconfia que um acidente foi causado como “cortina de fumaça” para o roubo de algumas ogivas nucleares. Foi durante as gravações desse filme, que ocorreram boatos de que Clooney estaria envolvido em um caso amoroso com Nicole Kidman, até então esposa de Tom Cruise.

Em 98, Clooney estréia a sua primeira parceria com o cineasta Steven Soderbergh (com quem faria, mais futuramente, Solaris, Onze Homens e um Segredo, e sua continuação, Doze Homens e Outro Segredo), Irresistível Paixão. Na trama, o seu papel é de Jack Foley, um charmoso (espero não estar sendo redundante) ladrão que foge da penitenciária em um carro do FBI. Mal sabe ele que a sua dona é uma agente extremamente sensual (papel de Jennifer Lopez). Os dois se apaixonam, mas Jack continua sempre com um pé atrás, temendo ser enganado pela moça. O filme foi mais importante para a carreira de Jennifer Lopez, atriz que ainda estava batalhando pelo reconhecimento, do que para Clooney.

 

No ano seguinte, Clooney estréia como um soldado estadunidense na Guerra do Golfo, em Três Reis. A guerra é finda, mas um grupo de soldados encontra um mapa que esconde um misterioso tesouro e, ao invés de partirem, permanecem continuando “sua aventura”. O filme é uma crítica à participação estadunidense na Guerra do Golfo, e apesar de ser considerado como um filme de ação, conta com interpretações memoráveis. Clooney foi bastante elogiado e caracterizado como um “utilizador de sua esperteza” para a interpretação de Archie Gates, seu personagem. Mas apesar de toda a glória, o ator saiu aos sopapos com David. O. Russel, diretor do filme. Este se utilizou de um certo material nos extras do DVD do filme, que desagradaram a Clooney, que demonstrou-se extremamente indócil. O cineasta garantiu que esta foi a primeira e última vez que trabalha com Clooney.

Em E aí, meu irmão, cadê você?, uma produção dos ótimos irmãos Coen, Clooney interpreta um de três prisioneiros foragidos em meio à Era da Depressão que assolou os Estados Unidos. Presos por correntes e seguidos por um xerife, eles estão dispostos a recuperar a liberdade e retornar aos seus respectivos lares. Clooney está imperdível no papel de Everett Ulysses, sempre provido de um par de olhos arregalados e um bigodinho indefectível.

 

Acompanhado de uma trupe de lindos homens, Clooney torna-se Danny Ocean no filme Onze Homens e um Segredo. Danny é o líder de uma equipe de ladrões de classe. Ele e os seus onze rapazes pretendem realizar um roubo quase que impossível, sempre seguindo as três regras seguintes: não ferir ninguém, não roubar alguém que realmente não mereça e seguir com o plano como se não tivesse nada a perder. Clooney, mesmo acompanhado de astros como Matt Damon, Andy Garcia e Brad Pitt, conseguiu destacar-se e cumprir bem o seu papel de líder. O filme é a refilmagem do longa homônimo de 1960 (que conta com Frank Sinatra no papel de Danny Ocean) e foi sucesso por todas as partes, além de ganhar uma continuação outrora: Doze Homens e Outro Segredo.

Pela primeira vez na direção de um longa-metragem, Clooney lança Confissões de uma Mente Perigosa, que, certamente, é a menina dos olhos do ator. Ou seria cineasta? Neste filme, ele assume ambos os papéis. Baseado na “autobiografia não-autorizada” de Chuck Barris, o filme mostra a estória deste homem que, ao mesmo tempo em que levava uma vida pública como apresentador de televisão, possui um trabalho secreto e “politicamente incorreto”. Estavam cotados para a direção do filme, os cultuados cineastas Bryan Singer e Darren Aronofsky. Assumir esse cargo, para Clooney, foi um grandíssimo passo. O resultado disso foi um bom retorno da crítica e o respeito do público, que já o tinha como bom ator e agora passou a tê-lo com um bom cineasta. Mas Clooney não para de nos surpreender por aí...

 

Na refilmagem de Solaris (1972), Clooney tem a oportunidade de trabalhar junto pela terceira vez com o diretor Steven Soderbergh, antes em Irresistível Paixão e Onze Homens e Um Segredo. O filme, por conter uma cena de nudez do ator, fazendo-o não menos bonito do que nos outros longas, quase teve sua censura aumentada pela TV americana. É a história de um psicólogo, Chris Kelvin, enviado à estação espacial do planeta Solaris, a fim de que possa investigar os estranhos acontecimentos que vêm ocorrendo com seus amigos. Não muito seguro, Kelvin procura a estação e constata que seu melhor amigo havia cometido suicídio, como também seus companheiros espaciais encontram-se paranóicos e em estado de choque devido ao ocorrido, porém, as surpresas não terminam aí.

Mais uma boa comédia romântica para adicionar-se à lista de trabalhos do talentoso Clooney. O Amor Custa Caro, marca o reencontro de Joel Coen (diretor de Fargo) e o ator, anteriormente em E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, de 2000. Com seu charme e carisma inegáveis, Clooney dá vida ao vaidoso e inescrupuloso advogado especializado em divórcios, Miles Massey. Por muitas vezes podemos nos deparar com seu sorriso irresistível, porém o caráter de seu personagem deixa muito a desejar. A belíssima Catherine Zeta-Jones é Marylin Rexroth, uma mulher que ganha a vida com casamentos, aliás, com o que resta deles, levando em cada divórcio metade dos bens do casal. É então que os dois se encontram, em um dos golpes cometidos por Marylin. O ator Richard Gere esteve cotado para o papel de George.

 

Clooney atuou e produziu Syriana, um de seus mais recentes filmes. O ator pôde provar mais uma vez que não é um galã à toa (competente, diga-se de passagem). Para o papel principal, precisou passar por mudanças drásticas em sua vida pessoal: um regime de engorda de 20 quilos, que na verdade lhe renderam grandes 38 quilos a mais e ficar careca. Como se isso não bastasse, durante as filmagens o ator sofreu um acidente que o fez passar por diversas cirurgias. No longa, teve a oportunidade de trabalhar pela quarta vez com o ator Matt Damon, anteriormente em Onze Homens e Um Segredo (2001), Confissões de Uma Mente Perigosa (2002) e Doze Homens e Outro Segredo (2004). O filme conta a história de Robert Baer, investigador da CIA em busca de terroristas. Durante a trama, ele descobre que os ataques passam a ser mais frequentes, muito embora venham sendo ignorados pelo próprio Órgão do Governo, dando a entender que há favorecimento e política por trás de tudo. Todo o esforço de Clooney valeu a pena, pois o filme é um dos mais aguardados em 2006 e já recebeu duas indicações ao Oscar.

Estreou em fevereiro deste ano, o segundo filme dirigido por Clooney, Boa Noite e Boa Sorte. O cineasta Steven Soderbergh, sócio de Clooney na Section Eight, produz a película. Já indicado a seis Oscar e ainda com muitas outras indicações, o despretensioso filme de Clooney começou com a idéia de um especial ao vivo para a TV. O longa traz os embates entre Edward R. Murrow (David Strathaim), apresentador da rede de TV CBS e o polêmico senador Joseph McCarthy, motivos que ocasionaram o afastamento do político, que era responsável pela acusação, sem provas, de vários cidadãos americanos de serem comunistas, em torno da década de 50. Mais uma vez, Clooney abre mão do papel principal e assume um papel secundário (não menos importante, claro).

 

Em sendo multi-artista, essa matéria foi apenas uma pequena amostra do trabalho de George Clooney. Com mais de 50 trabalhos como ator, 21 produções e 2 trabalhos na direção, Clooney mostra-se responsável em várias áreas do cinema. E que continue nos surpreendendo!

 
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