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Metamorfose com: Tom Hanks
Data de Publicação: 21 de Maio de 2006
Por: Amanda Pontes

Tom Hanks é, sem dúvida, um dos maiores nomes do cinema atual. Com uma carreira mais que consolidada e que já dura mais de 25 anos, ele se tornou, aos poucos, não apenas um ator de peso em Hollywood, mas uma celebridade de primeira linha. O ator, no entanto, relata que nem mesmo conseguia um papel nas peças da escola antes de ser descoberto por um diretor depois de um teste em um teatro na Califórnia.

Nascido em 9 de julho de 1956, na Califórnia, Thomas Jeffrey Hanks cresceu em uma família dissolvida. Seus pais se separaram quando ele era ainda criança e sua infância foi vivida na casa de parentes. No entanto, o próprio ator diz que isso não ocasionou nenhum trauma mais profundo. Ele conseguiu superar esse período e tomou o rumo certo na vida. Após seu primeiro trabalho no teatro - uma peça que chegou a se apresentar em várias cidades -, Tom já começou a pensar em saltos mais ousados em direção à indústria cinematográfica. Tom Hanks chamou a atenção pela primeira vez na série de TV “Bosom Buddies”, de 1980. Nesta série ele se vestia de mulher, em uma história parecida com a do filme “Quanto mais quente melhor”, de 1959, em que Tony Curtis e Jack Lemmon também se vestiam de mulher.

Seu primeiro papel nas telonas, o terror de 1980 “Trilha de Corpos”, foi praticamente uma participação, porém, depois de diversas participações e produções para a TV, sua chance mais notável veio com “Splash - Uma sereia em minha vida” em 1984. Tom interpretou Allen Bauer, um jovem que se apaixona por uma mulher que todos pensam ser uma sereia. Daryl Hannah, também em começo de carreira, interpreta a misteriosa sereia/mulher.

Ainda em 1984, o ator atua na comédia “A última Festa de Solteiro”. Ele vive Rick, um motorista de ônibus escolar que está de casamento marcado com Julie. O problema é que a família e o ex-namorado da noiva odeiam Rick e tentam a todo custo fazer com que Julie desista dele. Para completar, os amigos do noivo decidem fazer uma típica despedida de solteiro que acaba trazendo mais confusão para a situação.

 

Logo em seguida, Tom atua em uma série de filmes de comédia como “O Homem do Sapato Vermelho”, “Nada em Comum” e “Um Dia a Casa Cai”. Em 1986, ele protagoniza o drama “É Preciso Dizer Adeus”, no papel de David, um militar que se apaixona por Sarah, um moça de família judia. Os dois encontram dificuldades com o romance já que a família é radicalmente contra o relacionamento por motivos religiosos. Esse foi o primeiro papel verdadeiramente denso de Tom Hanks.

No ano seguinte, ele surge novamente nas telonas em “Dragnet - Desafiando o Perigo”, mais uma comédia para seu currículo. Tom vive o honesto, mas meio avesso às regras, policial Pep, que junto com seu parceiro é designado para solucionar roubos de objetos peculiares. Em 1988, o ator aparece em um de seus mais famosos papéis, no filme “Quero Ser Grande”, interpretando o garoto que faz um pedido para uma máquina desejos num parque de diversão. O pedido é atendido e se torna adulto da noite pro dia, sem alterar, no entanto, sua personalidade adolescente. Tom recebeu pelo filme uma indicação ao Oscar de Melhor Ator e levou o Globo de Ouro na mesma categoria.

 

1989 representou mais um período de comédias leves para Tom Hanks, que atuou em “Meus Vizinhos São um Terror”, “Uma Dupla Quase Perfeita” e “Joe Conta o Vulcão”. Em 1990, ele aparece no filme de Brian De Palma, “A Fogueira das Vaidades”, ao lado de nomes como Bruce Willis, Melanie Griffith e Morgan Freeman. Tom interpreta um bem sucedido corretor de Wall Street que tem sua vida abalada ao atropelar um negro. O corretor começa uma trajetória de ruína em sua carreira ao mesmo tempo em que o jornalista Peter Fallow, vivido por Bruce Willis, ascende às suas custas. O filme, apesar de contar com nomes de resplado, não foi exatamente um sucesso de crítica Recebeu 5 indicações ao Framboesa de Ouro, nas seguintes categorias: Pior Filme, Pior Diretor, Pior Atriz (Melanie Griffith), Pior Atriz Coadjuvante (Kim Cattrall) e Pior Roteiro.

Em 1992, o ator participa de “Uma Equipe Muito Especial”, interpretando um ex-jogador de baseball que depois de virara alcoólatra, é chamado para ser o técnico de um time formado por mulheres. A comédia ainda tem Geena Davis, Madonna, David Strathairn, Bill Pullman, Jon Lovitz e Rosie O'Donnell no elenco e recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Atriz de Comédia/Musical (Geena Davis) e Melhor Canção Original ("This Used to Be My Playground"). A preparação para o papel exigiu que Tom Hanks perdesse 13 quilos.

 

No ano seguinte, Tom interpreta no drama “Filadélfia” um de seus mais marcantes papéis. Ele vive Andrew Beckett, um advogado com AIDS, que é demitido de sua firma sob falsos pretextos, enquanto o real motivo da demissão é a sua doença. Ele contrata os serviços de outro advogado, Joe Miller, para ajudar a sua causa e apesar de um certo preconceito e afastamento inicial, os dois acabam virando grandes amigos. Denzel Washingotn interpreta Joe e Antonio Banderas faz uma pequena participação como o companheiro de Andrew nesse filme que acarretou um Oscar para Tom Hanks na categoria Melhor Ator (ele também ganhou o Globo de Ouro nessa categoria), além de também ter ganhado a estatueta de Melhor Canção. Ao contrário do papel anterior, para esse filme, Tom precisou perder 12 quilos para dar veracidade ao personagem aidético.

Em 1993, o ator aparece em “Sintonia de Amor”, comédia romântica sobre um menino que, através de um programa de rádio, procura uma namorada para sei pai. Meg Ryan, que já havia trabalhado com Tom em “Joe Conta o Vulcão” interpreta seu par romântico nesse que seria o segundo de três trabalhos juntos. O filme recebeu duas indicações ao Oscar, duas ao BAFTA e três ao Globo de Ouro.

 

Em 1994, outro grande papel entra na filmografia de Tom Hanks com “Forrest Gump – O Contador de Histórias”. O filme conta a história de Forrest, um rapaz de baixo QI, que ironicamente narra estar presente em momentos decisivos da história americana. Por esse papel, o ator ganhou o Oscar, alcançando o feito de ganhar a estatueta por dois anos consecutivos. O filme ainda foi indicado em outras 5 categorias.

Em seguida, Tom atua em “Apollo 13 - Do Desastre ao Triunfo”, drama sobre três astronautas que se deparam com problemas durante uma missão em direção à lua. Eles precisam retornar rapidamente à terra para tentar sobreviver. O diretor dessa produção foi Ron Howard o mesmo que assina “O Código Da Vinci”, baseado na obra de Dan Brown e que já tinha dirigido o ator em “Splash, Uma Sereia em Minha Vida”. O filme ganhou dois Oscars além de ter sido indicado em outras sete categorias.

 

Em 1995, Tom encarna um papel um pouco diferente. Ele dubla o caubói Woody na animação da Disney “Toy Story”, sobre a história do boneco que passa a disputar a atenção de seu dono quando ele ganha um novo robô astronauta de aniversário. A animação até hoje é tida como uma das precursoras em termos de qualidade em roteiro de animação e recebeu 3 indicações ao Oscar, além de mais duas ao Globo de Ouro. Esse seria o primeiro trabalho de Tom como dublador.

Em seguida, Tom Hanks atua em “The Wonders – O Sonho Não Acabou”, um trabalho muito importante em sua carreira pois marcou também sua estréia como diretor e roteirista. O ator interpreta o empresário da banda Wonders, que enfrenta problemas de relacionamento entre seus membros ao mesmo tempo em que atingem o ápice do sucesso. Liv Tyler também está no elenco, no papel da namordad de um dos integrantes da banda. A canção “That Thing You Do”, hit lançado no filme, recebeu uma indicação ao Oscar.

 

Em 1998 a superprodução de Steven Spielberg, “O Resgate do Soldado Ryan”, trouxe novamente Tom no elenco. Ele interpreta o Capitão John H. Miller, militar responsável pela missão de resgate do soldado James Ryan, o único sobrevivente de quatro irmãos que foram à guerra. Esse drama de guerra foi um verdadeiro sucesso, ganhando cinco Oscars (Tom ainda recebeu uma indicação na categoria Mlehor Ator) e dois Globos de Ouro, além de ter sido indicado ao César de Melhor Filme Estrangeiro. No elenco, ainda estão nomes como Vin Diesel, Matt Damon, Giovanni Ribisi, Ted Danson e Paul Giamatti.

Logo em seguida, Tom volta a fazer par romântico com Meg Ryan pela terceira vez em “Mensagem Para Você”. Os dois vivem um casal que se corresponde pela Internet, mas nunca se viu pessoalmente. O problema está no fato se que, mesmo sem saber, os dois são rivais nos negócios. Nora Ephron, que já havia dirigido a dupla em “Sintonia de Amor”, dirigiu essa comédia romântica, que ainda rendeu a Meg Ryan uma indicação ao Globo de Ouro.

 

No ano seguinte, Tom volta ao estúdio de dublagem para novamente dar voz ao personagem Woody, em “Toy Story 2”. Dessa vez, o boneco de caubói parte em missão de resgate de um brinquedo que foi capturado por um colecionador que pretende vendê-lo a um museu japonês. Na missão, Woody ainda descobre outros detalhes de sua origem. “Toy Story 2” recebeu uma indicação ao Oscar, de Melhor Música e Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme em Comédia/Musical.

Ainda no mesmo ano, o ator faz um de seus filmes mais marcantes, a adaptação da obra de Stephen King “À Espera de Um Milagre”. Tom vive Paul Edgecomb, um carcereiro do corredor da morte que aos poucos desenvolve uma relação de amizade com John Coffey, um dos prisioneiros que possui o incomum dom de curar as pessoas. O drama foi sucesso de público e crítica, recebendo 4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Michael Clarke Duncan), Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado.

 

O drama “Náufrago”, de 2000, foi outro grande sucesso na carreira de Tom. O ator interpreta Chuck Noland, um funcionário do serviço postal FedEx que sofre um acidente de avião durante umas das entregas e acaba isolado em uma ilha por quatro anos, deixando para trás sua noiva, que acredita que ele está morto. Com esse trabalho, Tom provou, mais uma vez, ser um ator competente, já que a maioria das cenas só contam com a presença dele. Além disso, o ator passou por um trabalho de caracterização em que teve primeiro que ganhar peso para gravar as cenas antes do acidente e depois perder 20 quilos para gravar as cenas na ilha. O filme rendeu a Tom uma nova indicação ao Oscar e a vitória no Globo de Ouro.

Em 2002, o ator aparece em outro drama, “Estrada Para Perdição”. O filme conta a história de um assassino da máfia que tenta preservar a imagem que seu filho tem dele e o seu trabalho. Através de uma reviravolta do destino, entretanto, ele passa a ser o alvo, em vez de atirador, e tem que fugir para salvar a vida de seu filho. O filme foi dirigido por Sam Mendes (de “Beleza Americana”) e ainda contou com nomes como Paul Newman, Jude Law e Jennifer Jason Leigh no elenco.

 

Logo em seguida, Tom volta a trabalhar com Steven Spielberg em “Prenda-me se For Capaz”, filme que transportou para as telonas a biografia de Frank Abagnale Jr., famoso falsário que antes dos dezoito anos já havia aplicado golpes milionários, tornando-se o mais bem-sucedido ladrão de bancos da história dos Estados Unidos. Leonardo DiCaprio interpreta Frank e Tom vive Carl Hanratty, o agente do FBI que vive em seu encalço nesse filmes que recebeu indicações ao Oscar, Globo de Ouro e BAFTA. Chrsitopher Walken e Martin Sheen, ainda completam o elenco estrelar.

Em 2004, Tom volta a trabalhar com animação em “O Expresso Polar”, filme de temática natalina que conta a história de uma menino que pega um trem encantado em direção ao Pólo Norte. A tecnologia usada nessa produção consistia na captura dos movimentos dos atores através de sensores e dessa forma ao ator deu vida a cinco personagens diferentes. O trabalho minucioso e detalhado, rendeu ao filme três indicações ao Oscar e outra ao Globo de Ouro.

 

Em seguida, Tom atua na peculiar comédia dos irmão Cohen “Matadores de Velhinha”, interpretrando o chefe de um grupo que planeja um assalto à banco e para isso utiliza-se, disfarçando-se de hópedes, do porão da casa de uma velha senhora. O plano complica quando Marva, a dona da casa, descobre a verdadeira intenção dos homens e precisa ser eliminada.

Como 2004 foi um ano atribulado para Tom Hanks, o ator ainda aparece em “O Terminal”, mais uma parceira sua com Steven Spielberg. O filme narra a história baseada em fatos reais em que Viktor Navorski, um cidadão europeu, encontra-se impossibilitado de retornar ao seu país de origem depois que este sofre um golpe de Estado e nem tem permissão para entrar nos Estados Unidos, pois seu passaporte foi invalidado. Viktor, então, passa a improvisar uma morada no próprio aeroporto. Catherine Zeta-Jones também participa da produção. Nesse ano o ator ainda faz uma participação na comédia “Elvis Ainda Não Morreu”, protagonizado por Kim Bassinger.

 

Em 2006, Tom Hanks vem com força total no mega blockbuster “O Código Da Vinci”, adaptação para o cinema da controversa obra do escritor Da Brown. Tom Hanks interpreta o protagonista Robert Langdon, um criptógrafo que se depara com um misterioso caso de assassinato, que o leva a descoberta de grandes segredos envolvendo a Igreja Católica. O filme, assim como o livro no qual foi inspirado, provocou controvérsia no mundo todo pelo tom desafiador com que trata dogmas da religião católica. A francesa Audrey Tautou (de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”), Jean Reno, Paul Bettany, Ian McKellen e Alfred Molina completam o elenco de peso.

 

Tom Hanks já provou que é versátil, competente e talentoso. Seu nome já é sinônimo de credibilidade e o ator chegou a um patamar em que pode ser dono de sua carreira. Hoje, vivendo seu segundo casamento e com um filho seguindo seus passos (o ator Colin Hanks), Tom declara que não pode querer mais da vida. Em termos de sucesso isso é, seguramente, verdade.

“Meu trabalho é gratificante pelo fato de as ruas do céu serem tão cheias de anjos. Nós sabemos seus nomes. Em número, são milhares por cada fita vermelha que vestimos aqui esta noite'

- Tom Hanks recebendo o Oscar de melhor ator por Filadélfia.

 
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