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Metamorfose com: Ian McKellen
Data de Publicação: 29 de Maio de 2006
Por: Leonardo Heffer

Ian Murray McKellen, ou Sir Ian McKellen, é um dos poucos atores que mesmo com uma solidez em seu trabalho de interpretação, só conquistou o mercado americano muito tempo depois de ter iniciado a sua carreira. E só se tornou uma figura mundialmente conhecida por todas as idades depois de seus dois papéis nas duas maiores franquias do cinema Hollywoodiano: “X-Men” e “O Senhor dos Anéis”.

Nascido em uma pequena cidade chamada Burnley, ao norte da Inglaterra, no dia 25 de maio de 1939, teve a infância marcada pela guerra. Também na infância, encorajado pelos pais, conheceu o teatro e desde então sua paixão se tornou incomensurável, principalmente por Shakespeare. Na escola fazia questão de participar de todas as peças e seu ingresso nas artes também foi uma forma de escape do sofrimento pela morte da mãe. É vegetariano e formado em Artes pela Universidade de Cambridge desde 1961, e desde então começou a trabalhar nos palco, tendo destaque em seus papéis shakesperianos.

Homossexual assumido, se mantinha reservado e não via necessidade para levar sua opção à público, nem a conhecimento da família. Sua “saída do armário” se deu ao vivo durante um programa de rádio da BBC em 1988, enquanto debatiam sobre a “seção 28” da legislação de Margareth Tatcher, que dizia ser crime a “promoção em público do homossexualismo”. Desde então tomou partido e luta pelos direitos dos homossexuais.

Sua carreira na frente das câmeras começou na televisão em 1965. Filmes e séries como “Sunday Out of Season”, “The Trial and Tortures of Sir John Rampayne” e “David Copperfield” ilustraram o início da carreira do ator. Em 1969, estreou no cinema com três produções: “A Touch of Love”, “Alfred The Great” e “The Promise” (neste último, trabalhou ao lado da atriz Judi Dench, a M de 007).

 

Na década seguinte, de 1970 a 1981, o ator se dedicou exclusivamente ao teatro e à televisão. Peças baseadas em Shakespeare são transformadas em filmes televisivos como “The Tragedy of King Richard II”, “Macbeth” e “Hamlet”, além das séries de TV “Keats”, “Play of the Month” (que exibiam peças teatrais na TV) e “Jackanory”.

Em 1981, McKellen volta às telas dos cinemas com o filme “Priest of Love”. O filme narra o exílio do escritor inglês D. H. Lawrence, seu relacionamento com a esposa e os momentos finais dos dois na Itália. Interpreta ao lado dele a atriz Ava Gardner. Também nesse ano ele ganha o Tony (prêmio da dramaturgia que equivale ao Oscar para o cinema) por sua interpretação na Broadway da peça Amadeus.

 

Continuando seu vai e volta do cinema para a televisão, Ian retorna em 1982 e 1983 para três filmes: “Walter”, “The Scarlet Pimpernel” e “Walter and June”. No cinema em 1983, ele atua no filme “The Keep”. Passando o ano de 84, de férias da televisão e do cinema, o ator retorna em 1985 em “Zina e Plenty – O Mundo de Uma Mulher”. Esse último ao lado de Meryl Streep, que vivia ex-integrante da Resistência Francesa que vive o período de reconstrução pós-guerra em seu país de origem, a Inglaterra.

Após dois anos afastado do cinema e da TV, em 1988 ele retorna com uma adaptação de “Windmills of the Gods”, de Sidney Sheldon. No ano seguinte McKellen interpreta o próprio Hitler em “Countdown to War”. A história foi toda baseada nas gravações políticas do próprio Hitler, por onde o ator fez o estudo de laboratório para criar todo o maneirismo do ditador.

Também em 1989, ele filma “Scandal”. Em 1990, voltando à TV com uma versão de “Othello” de William Shakespeare, interpreta o vilão Iago. Nessa empreitada, o ator retorna a parceria com o ex-diretor artístico da Companhia Real de Shakespeare, uma das mais conceituadas companhias teatrais da Inglaterra, Trevor Nunn, que com muito sufoco consegue angariar dinheiro para a montagem teatral com o tenor Willard White, e ainda para uma montagem filmada. Foram 13 anos desde o último trabalho entre McKellen e Nunn.

 

Em 1993, após dois anos em dois trabalhos para novamente a televisão (um filme e uma minissérie), Ian McKellen faz uma ponta no filme “O Último Grande Herói”, um filme de orçamento milionário (100 milhões para a época era muito!), como a morte, onde seu personagem persegue o de Arnold Schwarzenegger. McKellen confessou em entrevistas ter adorado o personagem porque lhe permitiu a realização de um sonho: ficar careca.

Ainda em 1993, ele filma “The Ballad of Little Jô” e outro filme para a TV. Também no mesmo ano, o filme “Seis Graus de Separação”, com Donald Sutherland e Will Smith. O filme fala sobre um jovem que entra na casa de um casal e conquista a todos em um jantar, mas no dia seguinte, descobre-se que o jovem não é bem o que parece ser ou o que dizia ser. Além desse, em 1994 ao lado de Alec Baldwin é filmado “O Sombra”, baseado no programa de rádio criado por Orson Welles, onde um super-herói combate o crime, onde ele interpretou o doutor Reinhardt Lane.

 

Em 1995, “Jack e Sarah”, “O Outro Lado da Nobreza” e “Ricardo III” são os três trabalhos seguidos que o ator faz para o cinema. “Ricardo III” vem para complementar mais um texto de William Shakespeare que Ian leva aos cinemas. Em “O Outro Lado da Nobreza”, ele ingressa em um elenco estelar com Robert Downey Jr., Sam Neil, Hugh Grant, entre outros. O filme conta a história de um jovem que consegue entrar para o ciclo de amizade do rei, mas é traído e acaba pobre, reencontrado seu amor na medicina.

Em 1996 grava para a TV o filme Rasputin, que narrava a história do fim da Era dos Czares da Rússia. Seu personagem, Czar Nicholas II lhe rendeu o prêmio de Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante. Em 1997, além da série que contava a vida dos compositores da música clássica, que o levou a participar interpretando Tchaikovsky, também filmou “Bent”, com Clive Owens, Jude Law e Rachel Weisz, uma adaptação da peça de Martin Sherman (que inclusive ele já havia feito em teatro na Inglaterra), que falava sobre a vida dos homossexuais na época do nazismo.

 

Ainda 1997, outro grande sucesso foi o filme “Trazido pelo Mar”, onde a história da imigração russa é contada por meio do amor entre o único sobrevivente de um naufrágio, Yanko Gooral e sua salvadora Amy Foster no final do século 19. McKellen só aceitou o papel pelo contexto delicado sobre sexualidade que o filme traria a tona, bem como pela admiração por Rachel Weisz nas produções teatrais ao qual ela participara, quando ele assistira em Londres. Outro motivo que o levou ao filme também foi a presença de Kathy Bates.

Outro filme polêmico e que concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, foi “Deuses e Monstros”, que conta os últimos dias da vida do diretor britânico James Whale que chegou à fama realizando Frankenstein. Aposentado, com problemas de saúde e se ocupando com a pintura, ele conta apenas com os cuidados de sua dedicada e severa empregada. Um novo jardineiro, Clayton Boone desperta seu desejo, mas os dois são diferentes demais. Clayton não tem o refinamento do diretor e sente repulsa pela homossexualidade do patrão. Ainda assim, os dois se tornam amigos, enquanto o diretor, com melancolia, relembra suas memórias.

 

Ainda em 1998, outro filme que também teve destaque foi “O Aprendiz”, onde McKellen atua ao lado do jovem Brad Renfo. O filme é baseado em um conto de Stephen King e traz Bryan Singer como diretor. No filme o garoto descobre em sua vizinhança ex-criminoso nazista que vive com outra identidade. Exige que ele lhe conte suas memórias ou então o denunciará às autoridades. Na época em que Singer chamou McKellen para conversar pela primeira vez disse para ele que o achava muito novo para fazer o decrépito senil ex-nazista do filme. Em 1999 ele volta a fazer David Copperfield para a TV. Segundo McKellen, que já havia trabalhado com a história duas vezes em palco, não havia desejo em voltar a fazê-la. No elenco do filme, uma figura que viria se tornar mais tarde conhecida: Daniel Radcliffe, o Harry Potter, fazia o papel do pequeno David Copperfield.

Mas o conhecimento mesmo só chega ao público mais jovem quando Ian McKellen assume o papel do mutante Magneto, vilão do filme X-Men, adaptados dos quadrinhos. Um dos filmes mais esperados da safra das adaptações das Histórias em Quadrinhos para o cinema. Na época, seu contrato com X-Men quase deu problemas com a Fox para que ele entrasse para o elenco de O Senhor dos Anéis. A saída das gravações de X-Men para começar as gravações de O Senhor dos Anéis foi em menos de duas semanas.

 

Com o contrato com O Senhor dos Anéis garantido, em janeiro de 2000, McKellen já estava na Nova Zelândia para as filmagens que lhe consumiriam de 2000 à 2001. Gravando os três filmes juntos, que viriam em seqüência, um filme a cada ano, seu contrato com “X-Men 2” teve que ser em parte adiado. O Senhor dos Anéis foi adaptado do livro homônimo de Tolkien, que já tinha seguidores de todas as idades há anos, desde o lançamento do livro na década de 50. O primeiro filme a ser lançado foi “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”.

Em 2002, após aparições no programa Saturday Night Lives, chega às telas a continuação da saga de O Senhor dos Anéis. “As Duas Torres” não obtém o mesmo sucesso que esperavam os produtores, mas ainda assim lota as salas de cinema.Durante o período de gravações McKellen (que interpretou o mestre Gandalf) respondeu a perguntas de diversos fãs através do seu site, e nunca deixou de responder nenhuma pergunta.

 

Em 2003, já tendo enfrentado o longo período de gravações dos três filmes de O Senhor dos Anéis, McKellen retorna para a continuação de X-Men. O filme, a segunda franquia ao qual esteve envolvido leva de volta às telas o seu personagem: Magneto. Segundo seus diários on-line, McKellen não conhecia muito bem a história nem o que aconteceria até semanas antes do re-encontro com seus amigos do filme anterior em Vancouver. Isso porque como já haviam assinado um contrato, a produtora não tinha obrigação de enviar o roteiro do filme antes para análise.

Nos anos seguintes, ele participou de trabalhos menores como no drama “Emile” em 2003, a sua voz na animação “The Magic Roundabout”, o suspense “Asylum”, o drama “Neverwas” foram o que completaram seu tempo até as gravações do tão esperado “O Código Da Vinci”, que estreou dia 19 de maio nos cinemas. O filme é a adaptação do best seller polêmico de Dan Brown. Seu personagem Sir Leigh Teabing não foi difícil de criar. Para McKellen foi mais fácil seguir as impressões dadas por Dan Brow do que pelo roteirista, já que esse não se preocupou em mudar muito a personagem.

 

Além de “O Código Da Vinci”, com apenas uma semana de diferença a terceira parte da trilogia de X-Men, de volta com Magneto, estreou dia 26 de maio. O filme mostra o Confronto Final entre mutantes do bem e do mal e os seres humanos. Ainda é aguardado o filme spinoff da franquia, que foi anunciado para 2007, Magneto. Segundo seus últimos relatos em um diário on-line, sua maior dificuldade esta sendo dar conta da publicidade de dois filmes ao mesmo tempo.

 

Uma carreira iniciada pelo teatro, com uma imensa experiência, fazem de Ian McKellen um ator de mão cheia e onde quer que esteja, empresta o seu nome como um selo de garantia de que aquele filme sim, será bom.

 
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