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Metamorfose com: Kurt Russell
Data de Publicação: 26 de Junho de 2006
Por: Thiago Sampaio

Kurt Russell pode até não ser um símbolo de filmes de ação como Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Bruce Willis e cia., mas consegue ser um belo exemplo de ator de filmes deste gênero, mesmo tendo uma longa carreira marcada pela diversidade de seus papéis. Mais conhecido pelos papéis de herói de poucas palavras, que está sempre esbanjando seu ar de superioridade e nunca perde o mau humor, Kurt Russell tem em seu currículo dramas, comédias bem ao estilo Disney, além de ter começado sua carreira bem cedo, aumentando a lista de “crianças-estrelas” (onde lá se encontram nomes como Elijah Wood, Joaquin Phoenix, Christian Bale, etc.) que mantiveram o sucesso na fase adulta.

Kurt Vogel Russell nasceu em 17 de março de 1951 na cidade de Springfield, Massachusetts. Começou a atuar aos nove anos de idade em filmes da Disney e projetos de TV. Seu filme de estréia foi “O Fantástico Super Homem”, de 1961, que décadas depois foi refilmado com o nome de “Flubber”, estrelado por Robin Williams, contando a mesma história de um cientista desmiolado que inventa uma borracha que possui vida própria. Em 1963, chegou até a fazer uma participação em “Loiras, Morenas e Ruivas”, filme estrelado por Elvis Presley. Depois de várias participações especiais, estrelou sua própria série de western, “The Travels of Jaimie McPheeters” (ABC, 1963-64), com um elenco que incluía Charles Bronson e os ainda muito jovens irmãos Osmond. Atuou em diversos filmes da Disney até meados da década de 70, incluindo “Follow Me, Boys!” (1966), como um escoteiro; “The Horse in the Gray Flannel Suit” (1968); “The Barefoot Executive” e “The Computer Wore Tennis Shoes” (ambos em 1970); e “The Strongest Man in the World” (1975). Durante sua longa fase como estrela de um estúdio, Russell também arrumou tempo para adicionais participações especiais na TV em seriados consagrados, como “Perdidos no Espaço”, e em alguns filmes não-Disney, incluindo “Fools' Parade” (1971), um western estrelado por James Stewart. Na maior parte destes filmes, ele não vivia um garoto adorável típico, mas sim um jovem duro e problemático.

Aos 20 anos, Russell ficou consciente que não poderia – e não gostaria – de continuar a fazer adolescentes ingênuos indefinidamente. Tentou duas séries: “The New Land” (ABC, 1974) e “The Quest” (NBC, 1976). Em 1975, desmontou sua imagem de bom moço com um retrato arrepiante do assassino de massa Charles Whitman em um filme para TV, “The Deadly Tower” (NBC). Alguns anos depois, começou a colaboração mais importante de sua carreira, fazendo o papel-título da biografia para TV de “Elvis” (1979), do roteirista-diretor John Carpenter – quem dirigiria novamente o ator anos depois em “Fuga de Nova York”, e posteriormente, sua continuação -, recebendo inclusive uma indicação ao Emmy.

Após encarnar o “rei” Elvis Presley, Russell finalmente se tornou uma estrela adulta de Hollywood nos anos 80, iniciando a década com uma boa performance como um charmoso falador na comédia “Carros Usados”, de 1980. Ele vive um vendedor de carros usados que encontra um rival no ramo. Disputando um melhor lugar no mercado, os dois utilizam todos os recursos possíveis para derrotar um ao outro.

 

Em 1981, eis que ele inicia sua trajetória de ator de filmes de ação atuando no cult movie “Fuga de Nova York”, dirigido novamente por John Carpenter, transmitindo uma impressão de Clint Eastwood ao interpretar um típico anti-herói. No filme, um avião com o presidente dos Estados Unidos cai em plena Nova York, agora transformada em uma penitenciária de segurança máxima. Para resgatá-lo, é enviado o ex-combatente de guerra e criminoso durão Snake Plissken (adivinhem quem é??), que tem apenas 24 horas para salvar o presidente.

Depois, ele ainda fez o remake de “O Enigma do Outro Mundo” (1982). Em 1986, estrelou o divertidíssimo “Os Aventureiros do Bairro Proibido”, um verdadeiro “clássico” das sessões da tarde, atenuando cada vez mais sua imagem de ator de filmes de ação. Neste filme, que é um misto de ação e comédia, ele interpreta Jack Burton, um motorista de caminhão durão e esperto, cuja vida errante pelas estradas leva a uma inesperada corrida contra o tempo quando a noiva de seu melhor amigo é raptada. Em uma busca frenética, Jack encontra-se em Chinatown, São Francisco, em um mundo mágico e repleto de seres estranhos governados por Lo Pan, um mago de 2000 anos de idade que, implacavelmente, controla um império de espíritos. O pobre caminhoneiro se vê, então, obrigado a enfrentar os demônios e encontrar a mulher do amigo.

 

Russell ia mostrando ao mundo sua versatilidade, demostrando que não era ator de um único estilo, como em 1988, quando protagoniza ao lado de Mel Gibson e Michelle Pfeiffer o thriller policial “Conspiração Tequila”. Ele vive um chefe da divisão de narcóticos da polícia que tem como um amigo de longa data um homem (Gibson) que, por ironia do destino, se tornou um traficante. Eles acabam se tornando rivais, tanto nas profissões como no amor, quando ambos se interessam pela dona de um restaurante (Pfeiffer), que também está envolvida em uma complicada intriga.

Em 1989, ele volta a fazer um filme de ação, estrelando ao lado de ninguém menos que Sylvester Stallone, em “Tango & Cash - Os Vingadores”. Ray Tango (Stallone) e Gabriel Cash (Russell) são detetives do departamento de narcóticos. Ambos são muito bem sucedidos em suas carreiras, porém não suportam um ao outro. Após serem propositalmente incriminados por um chefão do narcotráfico, eles decidem trabalhar juntos para livrarem-se das acusações.

 

Em 1991, ele interpreta dois papéis no drama de aventura “Cortina de Fogo”, dirigido por Ron Howard (diretor vencedor do Oscar por “Uma Mente Brilhante”). Décadas após ver seu pai morrer ao trabalhar como bombeiro, um jovem (William Baldwin) decide seguir seus passos e se tornar um bombeiro. Mas seu irmão mais velho, que também é bombeiro, acha que o melhor seja que ele deixe a corporação. Russell interpreta o pai do jovem, e, posteriormente, seu irmão mais velho. O filme conta também com outros nomes de peso no elenco, como Robert De Niro e Donald Sutherland.

Em 1992, atuou em dois filmes: o drama “Capitão Ron – O Lobo dos Mares” e o suspense “Obsessão Fatal”, em que interpreta um homem que persegue um tira corrupto vivido por Ray Liotta. Em 1993, estrela o faroeste “Tombstone - A Justiça Está Chegando”. Ele encarna Wyatt Earp, que se muda para a cidade de Tombstone com a intenção de enriquecer de forma anônima. Entretanto o aparecimento de um grupo de bandoleiros faz com que ele, sua família e seu melhor amigo tenham que enfrentá-lo.

 

Em 1994, estrela a bem sucedida ficção científica “Stargate”, dirigida por Roland Emmerich (de “Independence Day”), que, posteriormente, deu origem a uma série de TV estrelada por Richard Dean Anderson (ninguém menos que o eterno MacGyver) no papel que fora de Russell no longa. A história mostra um egiptólogo (James Spader) que é convocado pelo exército americano para decifrar hieróglifos desenhados em anel, que são de origem extraterrestre e podem abrir um portal no espaço rumo ao desconhecido. Russell vive o durão Coronel Jonathan "Jack" O'Neil, o líder da tropa americana que atravessa o misterioso portal.

Em 1996, ele estrela o bom filme de aventura “Momento Crítico”. Curioso é que, nesse filme, muito se foi alertado sobre um “Encontro de Titãs”, trazendo a reunião de Kurt Russell e Steven Seagal, outro ícone dos filmes de ação. De fato, o encontro acontece, mas tudo não passou de uma enorme estratégia de marketing, afinal, o personagem de Seagal morre com 20 minutos de filme e antes de toda a ação se desenrolar. Na trama, um grupo de terroristas islâmicos seqüestra um avião 747 e exige a libertação do seu líder para liberar os passageiros, mas um especialista (novamente Russell) no assunto acredita que isto não passa de um motivo para distrair a atenção e destruir Washington. Assim, um comando é preparado para abordar a aeronave quando ela ainda não estiver no espaço aéreo norte-americano.

 

Ainda em 1996, após nada menos que 15 anos, ele volta a encarnar o ex-combatente de guerra e criminoso Snake Plissken, na continuação de um dos seus maiores sucessos, “Fuga de Nova York”, dirigido novamente por John Carpenter, sendo que, dessa vez, a trama é transferida para Los Angeles. Na história, após um grande terremoto, Los Angeles se torna uma prisão ilhada no Pacífico. Quando a filha do atual presidente decide se unir aos revolucionários residentes no local, a saída do governo é convocar mais uma vez o mercenário Snake Plissken, que deve trazê-la de volta.

Após encarnar Snake Plissken pela segunda vez, em 1997 encara mais um filme de ação/suspense, porém vivendo um estereótipo até então novo em sua carreira: o de um homem comum. O filme é o eletrizante “Breakdown – Perseguição Implacável”, em que ele interpreta Jeff Taylor, um homem que está fazendo uma viagem com Amy, sua mulher, quando, de repente, o carro deles sofre uma pane e logo aparece um caminhoneiro que se prontifica a ajudá-los. Jeff decide não abandonar o carro, assim, Amy decide pegar sozinha uma carona até um restaurante para poder chamar um guincho. Mas logo após a partida da esposa, Jeff resolve o problema do carro e vai ao encontro dela em um restaurante de estrada. Porém ninguém a viu lá e, ao tentar encontrá-la, localiza o caminhoneiro que deu carona a Amy, mas este nega conhecê-lo (inclusive diz isto para um policial) e afirma que não deu carona nenhuma. Desesperado, Jeff começa a entender que está envolvido em uma perigosa trama e que Amy foi seqüestrada.

 

Em 1998, ele encara mais um filme de ficção científica com doses de ação, vivendo outro anti-herói durão e de poucas palavras. Mas, dessa vez, foram menos palavras que o de costume. Em “Soldado do Futuro”, apesar de aparecer em quase 85% do filme, seu personagem diz apenas 104 palavras. Dirigido por Paul W. Anderson (“Alien Vs Predador”, “Resident Evil”), o filme segue a linha de filmes como “Blade Runner”, e “O Exterminador do Futuro”. No futuro, as guerras intergalácticas são lutadas por seres meio humanos e meio robôs. Mas o veterano sargento Todd (Russell) insurge-se contra a ditadura das máquinas e decide enfrentá-las para proteger um grupo de humanos que vive refugiado num planeta que serve como depósito de lixo de tecnologias ultrapassadas.

Após um período meio afastado das telas, ele retorna em 2001, mas, dessa vez, nada de filmes com explosões, vivendo um herói implacável. Ele mostra sua versatilidade interpretando um papel de coadjuvante no misterioso “Vanilla Sky”, dirigido por Cameron Crowe (“Jerry Maguire”, “Quase Famosos”) e estrelado pelo galã Tom Cruise. Cruise vive um playboy que tem sua vida modificada por completo quando uma de suas ex-namoradas resolve cometer suicídio e levá-lo também para a morte. Ele sobrevive ao acidente, mas tem sua face desfigurada. A partir de então, descobre o amor de outra mulher e passa a ter estranhas visões. Enquanto a história corre, ele conta tudo para seu psicólogo (vivido por Kurt Russell).

 

Ainda em 2001, ele estrela ao lado de Kevin Costner o fracassado “3000 Milhas Para o Inferno”. No filme, ele e Costner lideram um grupo de trapaceiros que planeja um assalto a um cassino de Las Vegas. Porém, como o assalto ocorrerá em meio à uma convenção de imitadores de Elvis Presley, eles precisam se vestir a caráter para executar o roubo.
Para não passar batido por muito tempo, em 2002 ele volta a viver um herói implacável em “A Face Oculta da Lei”. Ele vive um veterano policial, que, juntamente com seu parceiro, descobre que dois ladrões foram os autores de quatro assassinatos, mas se surpreendem quando o chefe deles lhes diz que os culpados foram outros criminosos.

 

No ano de 2005, ele atua em duas produções bem lights, relembrando muito seu início de carreira, quando atuou em uma série de filmes dos estúdios Disney. O primeiro é “Super Escola de Heróis”. Neste filme, por sinal, Russell faz uma paródia da sua própria imagem, interpretando um super-herói no auge dos 50 anos. Em um mundo em que é normal a existência de heróis, o filho adolescente do personagem de Russell entra em uma escola que tem por meta transformar jovens superdotados em heróis do futuro. Só que ele ainda não manifestou nenhum superpoder, o que faz com que seja sempre humilhado pelos colegas.

O outro filme é “Sonhadora”. Ele vive Ben Crane, um treinador que, juntamente com sua filha Cale (Dakota Fanning), passa a cuidar de um cavalo ferido. Logo, eles desenvolvem um carinho especial pelo animal, esforçando-se para que ele se recupere o mais rapidamente possível. Quando o cavalo enfim sara, Ben e Cale decidem inscrevê-lo para a disputa da Breeder's Cup, uma importante corrida de cavalos.

 

Agora, Russell retorna na superprodução “Poseidon”, dirigido por Wolfang Petersen (“Tróia”, “Mar em Fúria”). Na trama, uma onda gigantesca faz tombar o luxuoso transatlântico S.S. Poseidon, e um pequeno grupo de sobreviventes é obrigado a se unir na luta para salvar suas vidas. O navio está rapidamente se enchendo de água, e, então, cada um deles terá de se valer de habilidades e encontrar forças que nem imaginava possuir, lutando contra o tempo pela própria sobrevivência e a dos demais. Russell vive um ex-bombeiro que está viajando com sua filha e o namorado dela - um jovem casal que, horas antes, não tinha conseguido tomar coragem para contar que estava noivo e que agora tem de enfrentar desafios bem maiores.

 

Provando ser mais do que um ator de filmes de ação, Kurt Russell é um claro exemplo de quem possui uma carreira diversificada e marcada por muitos personagens marcantes. Seja em filmes da Disney ou em seus típicos papéis de durões, Kurt Russell, aos 55 anos de idade, mostrou que veio para ficar e continua como a mesma estrela dos anos 80 e 90, protagonizando verdadeiras superproduções.

 
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