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Metamorfose com: Kevin Spacey
Data de Publicação: 30 de Julho de 2006
Por: Thiago Sampaio

Simplesmente um dos mais talentosos, completos e versáteis atores da atualidade. Assim pode-se definir Kevin Spacey, que por mais já pareça ter mostrado o ápice de seu talento em algum filme em particular, sempre volta a surpreender com uma captação mais do que perfeita de algum personagem. Seja fazendo papel de depressivo, bonzinho, sofredor, maléfico, misterioso, Spacey sempre impressiona pelo seu talento ímpar, sempre encarnando seus personagens com o máximo de profissionalismo e, principalmente, paixão. Sempre é aclamado, não só por seu trabalho em cinema, mas também em TV e nos palcos (uma grande paixão a qual ele já revelou gostar mais até do que cinema). Sua reputação como um dos mais respeitados atores da atualidade pode ser confirmada pelos vários prêmios recebidos, dentre os mais importantes para sua carreira: Oscar, Tony (teatro) e o título de ''Melhor Ator da Década'', dado pela revista inglesa ''Empire'' em 1999.

Kevin Spacey Fowler nasceu em South Orange, Nova Jersey, em 26 de julho de 1959. Filho de um escritor de manuais técnicos e uma secretária, sua família mudou-se para Los Angeles por motivos de trabalho do pai. O futuro ator costumava ter um comportamento indisciplinado perante seus pais, Kevin era meio difícil no tratamento com os pais, fato que fez o matricularem em um colégio militar, do qual foi expulso por jogar um pneu num colega. Foi então para a Chatsworth High School, onde se interessou pelo curso de teatro. Lá, conheceu dois futuros companheiros de trabalho, Val Kilmer e Mare Winningham, com quem esta última atuou na montagem de ''A Noviça Rebelde''. Apreciador de filmes desde cedo, ele tentava imitar celebridades para conseguir um dia entrar para um clube de comédia. Foi encorajado pelos professores e colegas a ingressar na famosa escola de interpretação Julliard, onde continuou com o colega Kilmer por dois anos, quando decidiu deixar o curso para trabalhar efetivamente em sua carreira de ator. Tentou a sorte se inscrevendo no New York Shakespeare Festival, onde, em 1981, ao lado de Val Kilmer, fez sua estréia efetiva nos palcos na peça ''Shakespeare in the Park''.

Continuou com o teatro ao longo da década. Quando fazia um teste para uma peça de Tom Stoppard, foi apresentado ao diretor Mike Nichols, que o escalou para a peça "Hurlyburly", e, em seguida, para o filme "A Difícil Arte de Amar", de 1986, fazendo então sua estréia no cinema. O filme narra a história de um sofisticado casal (Meryl Streep e Jack Nicholson) que durante a gravidez ela descobre que ele está tendo um caso. Ela decide sair de casa, disposta a reorganizar sua vida, mas logo diversas dúvidas sobre se tomou a decisão certa começam a afligi-la. Nesse filme, Spacey faz uma pequena participação como um assaltante que rouba o grupo de terapia em que a personagem de Meryl Streep freqüenta.

Dois anos depois, o ator e o diretor trabalharam juntos novamente em ''Uma Secretária de Futuro'', em que Spacey fez um pequeno, mas eficiente papel de um sórdido negociante, trabalhando ao lado de Mellanie Griffith, Sigourney Weaver e Harrison Ford.

 

Ainda em 1988, trabalhou em ''O Rochedo de Gibraltar'', com Burt Lancaster - o primeiro filme de um ator-mirim que então surgia: Macaulay Culkin. Mesmo dedicando-se ao cinema, Spacey não abandonou os palcos, chegando a receber um prêmio Tony em 1990 por seu trabalho na peça ''Lost in Yonkers'', e também em séries de TV, como ''Wiseguy''. Em 1990, ainda com um papel menor, participa do polêmico "Henry & June – Delírios Eróticos", que leva as aventuras sexuais do escritor Henry Miller (Fred Ward) com sua mulher June Smith (Uma Thurman) e a escritora Anais Nin (Maria de Medeiros), amante do casal.

Em 1992, faz seu primeiro filme como ator principal: "Jogos de Adultos", ao lado de Kevin Kline e Mary Elizabeth Mastrantonio. A história mostra um casal de classe média (Kline e Mastrantonio) que se mete em apuros quando é progressivamente seduzido por seus novos vizinhos, que adoram situações perigosas – entre elas, a troca de casais.

 

Ainda em 1992, atua como coadjuvante em "Sucesso a Qualquer Preço", ao lado de um elenco de peso, que inclui Jack Lemmon, Al Pacino, Ed Harris, Alec Baldwin, Alan Arkin e Jonathan Pryce. A trama mostra quatro corretores de imóveis que precisam disputar entre si o melhor desempenho para conseguir manter o emprego.

Após atuar em 1994 em dois filmes que chamaram relativamente a atenção do público – a comédia "O Árbitro" e o suspense "O Preço da Ambição" -, em 1995, ele integra o elenco estelar da superprodução "Epidemia", que conta com Dustin Hoffman, Rene Russo, Morgan Freeman, Cuba Gooding Jr. e Donald Sutherland. No filme, dirigido por Wolfang Petersen ("Poseidon"), após um misterioso vírus dizimar uma tribo na África, um médico e sua equipe são chamados para estudá-lo. Mas, no interior dos Estados Unidos, um macaco contrabandeado e portador deste vírus o dissemina na população local, fazendo com que o médico retorne para tentar controlar a epidemia que agora se alastra.

 

Em 1995, ele atua no filme que iria mudar sua vida para sempre: o thriller policial "Os Suspeitos", dirigido pelo então estreante Bryan Singer ("X-Men 1 e 2" e "Superman – O Retorno"). Spacey dá um verdadeiro show de interpretação na pele do ingênuo, porém misterioso Roger 'Verbal' Kint, um mafioso que possui deficiência física motora. Pelo papel, o ator não só ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, como atingiu o estrelato e o reconhecimento de seu enorme talento. Na trama, cinco suspeitos são detidos em uma delegacia de polícia de Nova York por causa de um crime. Durante a detenção, eles chegam a um acordo e se unem para realizar um grande trabalho. Porém eles não imaginam que todos são apenas marionetes na mão de alguém mais poderoso, que os está usando.

No mesmo ano, foi muito elogiado como o psicopata assassino serial de ''Seven – Os Sete Crimes Capitais'', no qual desafiou os personagens de Morgan Freeman e Brad Pitt. Já estando no posto mais alto entre as celebridades de Hollywood, fez sua estréia na direção em ''Ciladas da Sorte'', estrelado por Faye Dunaway, Gary Sinise e Matt Dillon. O filme teve bom resultado na crítica, embora não tenha significado muito em bilheteria. Mas não abandonou a atuação, retornando em 1996, com ''Tempo de Matar'' e no documentário do colega Al Pacino, "Ricardo III, um Ensaio". Na trama de "Tempo de Matar", um homem negro mata dois racistas brancos que, bêbados, estupraram sua filha de 10 anos. Em meio a um turbulento julgamento que pode terminar em violência, dois advogados idealistas resolvem assumir a causa. Spacey interpreta o promotor que tenta incriminar o réu, vivido por Samuel L.Jackson.

 

Em 1997, estrela o elogiado "Los Angeles – Cidade Proibida", de Curtis Hanson ("8 Mile") indicado a nada menos que nove Oscars (entre eles, Melhor Filme e Melhor Diretor), levando duas estatuetas para casa (Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante – Kim Basinger), e só não fez mais bonito porque aquele ano concorria com ninguém menos que o arrasa-quarteirão "Titanic". No início dos anos 50, em Los Angeles, três detetives (Spacey, Russell Crowe e Guy Pearce) que usam métodos distintos de trabalho se defrontam com uma trama de conspiração e corrupção policial que atinge até os mais altos escalões, que estão ligados a um esquema de prostitutas de luxo, no qual cada uma delas personifica uma estrela de cinema.

Outro colega quis dirigi-lo e ele aceitou. Clint Eastwood foi seu diretor em ''Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal'', que foi muito mal de bilheteria e crítica. Na trama, um jovem escritor (John Cusack) é escalado para fazer uma matéria sobre a sociedade sulista. Para tanto, comparece à uma badalada festa de Natal de uma personalidade (Spacey) da cidade de Savannah, mas acaba cobrindo o julgamento de seu anfitrião, envolvido em um assassinato.

 

No ano seguinte, estrela o thriller de ação "A Negociação", ao lado de Samuel L.Jackson, com quem já havia trabalhado em "Tempo de Matar". O filme mostra um policial perito em negociações (Jackson) que é falsamente acusado de assassinato e fraude. Tentando descobrir a verdade, ele invade um prédio e lá mantém cinco reféns, exigindo um policial desconhecido para negociar com ele e auxiliá-lo a provar sua inocência. No caso, o tal policial designado para a negociação é o personagem de Spacey.

Após fazer, ainda em 1998, uma dublagem na animação "Vida de Inseto", ele estrela em 1999 outro filme que marcou sua carreira, exprimindo seu talento de uma forma magistral, revelando sua exímia veia dramática de uma maneira singular. O filme é "Beleza Americana", ganhador de cinco Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor (Sam Mendes), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia... e, mais do que merecidamente, Melhor Ator para Kevin Spacey. ''Assim que terminei de ler o roteiro pulei da cama. Achei que era melhor correr para encontrá-lo (Sam Mendes) antes que outro também lesse'', afirma o ator, ciente que este papel o marcaria. Ele vive Lester Burham, um típico homem comum que não agüenta mais o emprego e se sente impotente perante sua vida, já que seu casamento vai mal e sua relação com a filha não é das melhores. Encantado com a beleza de uma amiga de sua filha e disposto a dar a volta por cima, Lester pede demissão e começa a reconstruir sua vida, com a ajuda de seu vizinho Ricky (Wes Bentley).

 

Em 2000, ele estrela o simpático "A Corrente do Bem", no qual vive um professor de Estudos Sociais que faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Então, um jovem estudante (Haley Joel Osment, de "O Sexto Sentido") cria um novo jogo envolvendo troca de favores, que o desafia a criar algo que possa melhorar o mundo.

Em 2001, ele protagoniza outro filme simples e bem intencionado, e mais uma vez, esbanjando talento: "K-Pax - O Caminho da Luz". Ele interpreta Prot, um homem misterioso que vive dizendo ter vindo do planeta K-Pax, distante 1.000 anos-luz da Terra. Por causa disto, ele é internado em um hospício, onde conhece o Dr. Mark Powell (Jeff Bridges), um psiquiatra disposto a provar que ele na verdade sofre de um grave distúrbio de personalidade. Mas as descrições de Prot sobre como é a vida em seu planeta acabam encantando os demais pacientes do hospício, fazendo com que eles queiram ir com Prot quando ele diz que está próximo o dia em que deverá voltar ao seu planeta.

 

Em 2001, estrela o drama "Chegadas e Partidas", dirigido por Lasse Hallström ("Chocolate"), com Julianne Moore, Judi Dench, Cate Blanchett e Pete Postlethwaite no elenco. Spacey vive um homem que decide voltar à sua cidade natal após passar por uma experiência traumática com sua filha, e acaba fazendo sucesso com sua coluna no jornal local.

Em 2003, estrela o eletrizante thriller "A Vida de David Gale", dirigido pelo aclamado diretor Alan Parker (“Evita”). Spacey interpreta o personagem título, David Gale, um professor que trabalha na Universidade do Texas e também um ativista contra a pena de morte. Até que, após o assassino de uma colega de trabalho, Gale é injustamente acusado e condenado à pena contra a qual ele tanto combate. O caso chama a atenção de Elizabeth Bloom (Kate Winslet, de "Titanic"), uma jornalista que decide investigar a vida de Gale e também o sistema judicial que o condenou à pena de morte.

 

Em 2004, ele assume pela segunda vez a direção de um filme, e desta vez também o protagoniza e roteiriza. O filme é "Uma Vida Sem Limites", em que ele interpreta o cantor Bobby Darin. O filme cobre a carreira do músico e ator entre os anos 40 e 70 de forma não-linear, conferindo atenção especial ao seu relacionamento com a esposa Sandra Dee (vivida por Kate Bosworth, com quem ele trabalharia junto novamente em "Superman – O Retorno"). Apesar de parecer estranho, Kevin Spacey já flertava com a música há algum tempo. No tributo a John Lennon, de 2001, ele cantou 'Mind Games' e depois surpreendeu o público de um concerto beneficente interpretando 'Bridge Over Troubled Water', de Simon & Garfunkel.

Após atuar em 2005 no fraco filme policial "Edison – Poder e Corrupção" (película que marcou a estréia do cantor Justin Timberlake nos cinemas), ele retorna em 2006 com força total em uma superprodução, vivendo um dos vilões mais famosos dos quadrinhos e do cinema: Lex Luthor, em "Superman – O Retorno", dirigido por Bryan Singer, retomando a parceria bem sucedida de "Os Supeitos". Na trama, após alguns anos de um misterioso desaparecimento, Superman (Brandon Routh) retorna ao planeta Terra. Porém a situação em Metrópolis está bastante mudada desde que o Homem de Aço deixou o planeta, pois a cidade se acostumou a viver sem ele. Além disto, Lois Lane (Kate Bosworth), sua grande paixão, seguiu sua vida após o sumiço do herói. Ao mesmo tempo em que precisa se adaptar à nova realidade, Superman precisa enfrentar Lex Luthor (Spacey), um antigo inimigo que planeja um meio de acabar com ele de uma vez por todas.

 

Kevin Spacey entrou para a lista da revista inglesa ''Empire'' como o 56º no ranking dos ''100 Grandes Astros de Cinema de Todos os Tempos''. Pela mesma revista, foi eleito o ''ator da década'', em 1999. Nada mais justo para um ator que desde jovem chamava atenção pelo seu talento peculiar e único, seja nos palcos, na TV, e, posteriormente, conquistando o mundo com o cinema.

 
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