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Metamorfose com: Michael Douglas
Data de Publicação: 09 de Agosto de 2006
Por: Thiago Sampaio

Michael Kirk Douglas nasceu em 25 de setembro de 1944 em New Brunswick, New Jersey. Filho mais velho do ícone do cinema Kirk Douglas (“Spartacus”) e da também atriz Diana Dill, mudou-se aos oito anos para Connecticut com sua mãe e seu padrasto, mas ficava todo o seu tempo livre com o pai biológico, principalmente nas férias do colégio militar. Foi acompanhando o pai nos sets de filmagem que o jovem Douglas começou a aprender sobre o mundo do cinema. Em 1962, trabalhou como assistente de direção em “Lonely are the Brave”. Seu gosto pelo cinema se tornava tão grande que ele não pensou duas vezes no momento em que surgiu a oportunidade de estudar em Yale, para cursar arte dramática na Universidade da Califórnia, no campus de Santa Bárbara (juntamente com seu amigo, o também ator, produtor e diretor Danny DeVito). Também estudou drama em Nova York durante um tempo, debutando como ator no papel de um hippie pacifista que decide lutar no Vietnã em “O Protesto”, de 1969. Trabalhou em vários outros dramas, geralmente filmes típicos de jovens confrontando os problemas da época, com destaque para “Summertree”, de 1971. Após isso, trabalhou um pouco em TV, atuando e dirigindo episódios de séries policiais.

Detalhe que ele começou a atuar com certa relutância, de modo que seu pai chegou até a dar uma declaração em 1998, afirmando que ela era um ator terrível. Mas o jovem Douglas era considerado bonito e tinha alguma coisa nos seus olhos, maxilar, cabelos e voz de seu pai, intangível, qualidades heróicas que lhe dariam um imenso sucesso em personagens venais, sem perder totalmente a afeição do público. Douglas ganhou reconhecimento mundial em 1975, ao atuar como produtor em “Um Estranho no Ninho” (1975), estrelado por Jack Nicholson e dirigido por Milos Forman. Seu pai havia feito o papel principal nos palcos anos antes e tinha os direitos autorais da história por uma década, esperando reprisar o sucesso no cinema, mas seu filho o convenceu a esquecer seu sonho e deixá-lo fazer o filme. O resultado foi um sucesso de bilheteria, levando cinco Oscars para casa, fato que não acontecia desde 1934, incluindo melhor filme.

Após esse triunfo, Michael Douglas resolveu desenvolver mais sua arte de interpretação. Era conhecido na época por ser dono de uma personalidade paradoxal: severo e persistente quanto a suas opiniões mais honestidade e sensibilidade explícita, herdada do pai. Tinha uma qualidade incomum nas telas na época: podia fazer papéis bastante emotivos, em contraponto ao seu físico aparentemente rude. Isso lhe facilitava os papéis de rebeldes que tinham que demonstrar sensibilidade.

Durante a década de 70, atuou em outros três filmes, destacando-se “Síndrome da China”(1979), que também produziu, estrelando ao lado de Jane Fonda e Jack Lemmon. O filme, que se beneficiou muito da crise da usina nuclear acontecida em Three Mile Island na mesma época, conta a história de uma repórter (Fonda) e seu cinegrafista (Douglas) que presenciam um estranho acontecimento em uma usina nuclear. Após a matéria feita por eles não ser exibida na TV, eles passam a investigar o porquê do segredo em torno do assunto. Recebeu quatro indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Ator (Jack Lemmon), Melhor Atriz (Jane Fonda), Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Arte.

Até “Tudo Por Uma Esmeralda” (1984), era mais conhecido como produtor do que como ator, mas seu retrato do aventureiro Jack Colton, uma espécie de Indiana Jones malandro, começou a mudar tudo. O resultado do trabalho do trio Douglas, Kathleen Turner & Danny De Vito foi uma agitada comédia de aventura, rendendo a continuação “A Jóia do Nilo”, no ano seguinte, quando Douglas chegou pela primeira vez ao top 10 de bilheteria. Em “Tudo Por Uma Esmeralda”, Kathleen Turner vive uma escritora de romances de aventura que viaja até a Colômbia para salvar sua irmã, que fora seqüestrada por bandidos. Lá, conhece Jack Colton (Douglas), um aventureiro e mercenário que a ajuda e por quem se apaixona. Juntos, os dois se envolvem em diversas aventuras.

 

Em 1987, protagonizou um dos principais filmes de sua carreira: “Atração Fatal”, de Adrian Lyne (“9 1/2 Semanas de Amor”). Ele vive um advogado bem casado que é seduzido por uma executiva (personagem de Glenn Close), com quem tem um tórrido romance. Porém, quando ele a rejeita, ela passa a persegui-lo, ameaçando ainda sua esposa e sua filha. Recebeu seis indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Glenn Close), Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Archer), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.

Sua performance o colocou de vez no hall do primeiro time de Hollywood e lhe rendeu outro bom papel ainda em 1987, a convite do diretor Oliver Stone, o do frio e calculista homem de negócios de “Wall Street - Poder e Cobiça”, dando um show de interpretação, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Ator. A história mostra um corretor jovem e ambicioso (Charlie Sheen) que se torna amigo de um milionário experiente na Bolsa de Valores (Douglas), que passa a ser seu tutor nos negócios.

 

Em 1989, reuniu-se mais uma vez com Danny DeVito e Kathleen Turner em “A Guerra dos Roses”, repleto de humor negro sobre as relações em um casamento. Douglas terminou a década como um dos mais bem pagos atores de Hollywood.

Continuou seu trabalho com produção, fundando sua própria produtora, a Stonebridge Entertainment, que veio a lançar filmes como “Linha Mortal” e “Rádio Flyer” e tentou reviver o falido Victorine Studios em Nice, França. Fez muito sucesso em 1989, explorando o lado negro de sua personalidade em “Chuva Negra”, de Ridley Scott (“Gladiador”), atuando ao lado de Andy Garcia. Na trama, após deixarem um perigoso assassino japonês escapar em pleno aeroporto de Osaka, uma dupla de policiais americanos acaba entrando em conflito com a máfia local na tentativa de recapturá-lo.

 

Em 1992, estrela “Uma Luz na Escuridão”, ao lado de Melanie Griffith e Liam Neeson. Na história, durante a 2ª Guerra Mundial, uma secretária (Griffith) se apaixona por seu patrão (Douglas), um agente americano a serviço dos Aliados. Ela, então, se oferece para uma arriscada missão: assumir o posto de governanta na casa de um oficial alemão para espioná-lo.

Em seguida, estrelou o ardente “Instinto Selvagem”, estrelando cenas tórridas de sexo com Sharon Stone, no papel que a elevou ao estrelato – quem não se lembra da clássica cena da cruzada de pernas sem calcinha de Stone?. Logo após esse trabalho, o ator teve que ser internado numa clínica de recuperação, a fim de se tratar de sua compulsão por sexo. Dizem as más línguas que Stone teria sido a causa. O filme, dirigido por Paul Verhoeven (“Robocop”), mostra a investigação do assassinato de um astro do rock, que faz com que o policial Nick Curran (Douglas) se envolva com a sensual e perigosa Catherine Trammel (Stone), a principal suspeita do caso.

 

Em 1992, ele estrela o eletrizante “Um Dia de Fúria”, dirigido por Joel Schumacher (“Batman & Robin”), considerado por muitos um filme “moralmente perigoso” devido seu forte teor crítico. Ele vive um homem que, preso em um engarrafamento num dia quente de verão, decide abandonar seu carro no local e seguir para a casa de sua ex-esposa a pé. Porém, no decorrer do trajeto, ele é gradualmente envolvido pela violência das ruas de Los Angeles.

Produziu “Feita Por Encomenda” em 1993, uma comédia de sucesso com Whoopi Goldberg e Ted Danson, antes de sucumbir em outra rede de outra mulher (desta vez Demi Moore) em “Assédio Sexual”, de 1994. Baseado em livro de Michael Crichton, o filme traz Douglas na pele de um homem que, após não conseguir o cargo que almejava, é surpreendido por uma reunião íntima marcada por sua nova chefe. Porém, ao rejeitá-la, ele passa então a sofrer a acusação de tê-la assediado sexualmente.

 

Em 1995, atuou surpreendentemente leve e descontraído na comédia charmosa “Meu Querido Presidente”, vivendo ninguém menos que o presidente dos EUA, co-estrelada por Annette Bening e Michael J Fox. Em 1994, ele assinou um acordo com a Paramount, de acordo com o qual produziria e atuaria na aventura histórica “A Sombra e a Escuridão”, que acabou fracassando nas bilheterias. Na trama, no final do século XIX, um engenheiro (Val Kilmer) vai à África construir uma ponte, mas acaba se deparando com dois leões assassinos que aterrorizam os operários, pois várias vítimas são feitas e, mesmo com a chegada de um experiente caçador (Douglas), as mortes continuam.

Em 1997, retornou no thriller “Vidas em Jogo”, ao mesmo tempo em que produzia “A Outra Face”, filme de John Woo com John Travolta e Nicolas Cage, e “O Homem Que Fazia Chover”, dirigido por Francis Ford Copolla e estrelado por Matt Damon. Em “Vidas em Jogo”, de David Fincher (“Clube da Luta”), ele vive um magnata entediado que recebe como presente de aniversário de seu irmão um cartão que lhe dá acesso a um jogo desconhecido e cheio de perigos.

 

Em 1998, atua em “Um Crime Perfeito”, remake de “Disque M para Matar”, filme de 1954 do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Douglas vive um poderoso milionário que trama o que acredita ser o crime perfeito: contratar o amante de sua esposa (Gwyneth Paltrow) para matá-la.

Seu próximo papel, um professor consumidor de maconha que confronta sua própria infidelidade em “Garotos Incríveis”, lhe rendeu inúmeros elogios. Dirigido por Curtis Hanson (“Los Angeles – Cidade Proibida”), ele interpreta Grady Tripp , um professor universitário que escreve em suas horas vagas. Atormentado por um bloqueio de escritor, descobre que sua amante, Sara Gaskell (Frances McDormand), que é casada, está grávida de um filho dele. Além disto, tem que lidar com uma de suas alunas, Hannah (Katie Holmes), que está apaixonada por ele, e ajudar um de seus alunos, James (Tobey Maguire), a encontrar uma rara jaqueta que teria sido usada por Marilyn Monroe.

Antes de o filme ser relançado para as pessoas verem o que a crítica tanto elogiou e havia sido péssimo de bilheteria, Douglas estava em todos os jornais por conta de sua vida pessoal, com o romance e subseqüente casamento com a atriz Catherine Zeta-Jones, muito mais jovem que ele, mãe de Dylan e Cary, seu segundo e terceiro filho (antes, ele havia tido Cameron, com sua primeira esposa, Diandra Douglas).

 

Douglas e sua mulher tiveram papéis importantes (embora separadamente) no elogiado “Traffic”, thriller de Steven Soderbergh (“Onze Homens e Um Segredo”), no qual Douglas fez o papel do novo combatente de drogas, tentando livrar o país de qualquer substância proibida, com sua própria filha viciada em crack e heroína. O diretor Steven Soderbergh mostra um painel sobre o comércio ilegal de drogas nos EUA através de pequenas histórias inter-relacionadas. Ganhou quatro Oscars nas seguintes categorias: Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Benicio del Toro), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Foi ainda indicado como Melhor Filme.

Em 2001, atuou e produziu o pouco comentado “Que Mulher É Essa?”, com Liv Tyler e Matt Dillon, e no mesmo ano, estrelou o thriller “Refém do Silêncio”. Neste, ele vive um psiquiatra de sucesso que tem sua filha seqüestrada, forçando-o a decifrar um enigma em torno do roubo de um diamante, cuja resposta está na mente de uma jovem adolescente que está em estado catatônico. Esta jovem é interpretada por Brittany Murphy (“Garota, Interrompida”).

 

Em 2003, realiza o grande sonho de atuar pela primeira vez profissionalmente com seu pai, Kirk Douglas, e de quebra, também com seu filho mais velho, Cameron Douglas e sua mãe, Diana Douglas. A Gromberg é uma família de sucesso que enfrenta um grande problema: a dificuldade de relacionamento entre os seus membros. Cada um tem suas preocupações e afazeres próprios, que fazem com que eles apenas se encontrem ocasionalmente em eventos. Entre eles, está Mitchell (Kirk Douglas), o patriarca da família, que, relutantemente, precisa aceitar que não é imortal. Alex (Michael Douglas), seu filho mais novo, vive preocupado em não cometer os mesmos erros de seu pai quando jovem. Já Asher (Cameron Douglas), o filho mais velho de Alex, está apenas interessado em amor, sexo e rock'n'roll.

Ainda em 2003, atuou na comédia “Até Que os Parentes Nos Separem”, com Albert Brooks. Depois de um intervalo no cinema, Douglas apareceu com seu pai, Kirk, no documentário da HBO, “A Father... A Son... Once Upon A Time In Hollywood”, de 2005, no qual mostrou a dinastia amplamente dissecada pelas histórias de suas carreiras e relações amorosas complicadas. Após um período afastado dos cinemas aproveitando seus filhos ao lado de Catherine Zeta-Jones, ele retorna em 2006 com o thriller: “Sentinela”, ao lado de Kiefer ‘Jack Bauer’ Sutherland e Kim Basinger, na pele de um respeitado agente do serviço secreto que passa a trabalhar na investigação da morte de um amigo de trabalho, que foi morto em casa.

 

Douglas fecha o ano de 2006 com a comédia “Dois é Bom, Três é Demais”, ao lado de Owen Wilson, Matt Dillon e Kate Hudson. Carl e Molly Peterson (Matt Dillon e Kate Hudson) estão começando uma vida. Eles têm apenas um problema, e seu sobrenome é Dupree. Randy Dupree (Owen Wilson), o mais antigo amigo de Carl e solteirão convicto, ficou sem onde ir depois de ter sido demitido. Carl tira seu amigo, sem emprego e sem casa, do bar onde está vivendo e o convida para viver temporariamente em sua casa. Acontece que Dupree se mostra um inconveniente de carteirinha, e para piorar, usa todo o tempo disponível para se tornar um ótimo companheiro para Molly. Até seu pai (Michael Douglas) e vizinhos estão se apaixonando por seu charme, deixando Carl totalmente frustrado.

 

Michael Douglas é atualmente um dos poucos exemplos de atores filhos de pai famoso que consolidam uma carreira bem sucedida sem ficar à sombra do talento do pai. O filho mais velho do lendário Kirk Douglas é hoje um dos nomes de maior prestígio em Hollywood, e em quase quatro décadas de carreira (atuando tanto como ator como produtor), já fez simplesmente tudo, atingindo um mais do que merecido reconhecimento.

 
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