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Situe-se: Brasil, 09 de Janeiro de 2009     


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Metamorfose com: Rodrigo Santoro
Data de Publicação: 29 de Março de 2007
Por:

Não seria exagero dizer que Rodrigo Santoro é hoje, ao lado de Gael García Bernal, o ator latino com carreira mais promissora no exterior. Chamando atenção desde jovem ao atuar em novelas da Rede Globo, aos poucos, com todo seu charme e talento, foi mostrando que sua veia dramática vai muito além das novelas globais, conquistando todo o Brasil. Foi o primeiro grande astro brasileiro desde Sônia Braga a ter uma chance de sucesso em Hollywood. Agora, com muita humildade, conquistar o resto do mundo é a sua meta. Fã de Robert de Niro, Al Pacino, Fernanda Montenegro, Meryl Streep e Juliette Binoche, Rodrigo diz que com Paulo Autran aprendeu a arte da humildade. Rodrigo tem mostrado talento em papéis bastante diversificados que vão desde um frei que comete o pecado da paixão, a um jovem mantido injustamente em uma cruel clínica psiquiátrica; um travesti presidiário;um surfista malvado ou um imperador persa de visual estiloso.

Nascido em 22 de agosto de 1975 na cidade fluminense de Petrópolis, onde morou até os 17 anos, Rodrigo Junqueira dos Reis (que depois viria a adotar o nome artístico de Rodrigo Santoro) é filho de pai italiano, de quem herdou o sangue quente do sul da Calábria. Sua mãe é artista plástica, de onde vieram outras características que o ajudariam na futura carreira: a sensibilidade e a paixão pelas artes. Embora nunca tenha se imaginado ator quando criança, a intimidade com o palco vem desde a sua infância, quando ele fazia teatro de fantoches para a família, em festas como a Páscoa e o Natal. Na adolescência, junto com os colegas do Colégio Aplicação, ele passou a adaptar filmes da TV para a "Sessão lítero-musical", promovida por um professor de Português. Entre tantos filmes que adaptou, ele se recorda do famoso "Férias do Barulho", que marcou época para muitos da sua geração. Aos 17 anos, desceu a serra de Petrópolis em direção ao Rio de Janeiro, onde além de praticar o surfe, também estudava na Oficina de Atores da Globo e se preparava para o vestibular. Passou para Medicina e para Publicidade em três universidades, e escolheu Publicidade na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Era apenas questão de tempo até que fosse notado por algum olheiro da emissora. Logo conseguiu seu primeiro papel na TV: uma participação pequena na novela sobrenatural ''Olho no Olho'' (1994). No mesmo ano, conseguiu sua primeira brecha no horário das oito, com a novela ''Pátria Minha''. Em 1996, conseguiu seu primeiro papel de protagonista, na novela das seis ''O Amor está no Ar''. Devido ao ritmo frenético das filmagens, Rodrigo precisou abandonar seus estudos da faculdade.

No mesmo ano, Rodrigo realizou seu primeiro trabalho cinematográfico: o elogiado curta-metragem “Depois do Escuro”, de Dirceu Lustosa. O filme de 15 minutos mostra, através de pequenas estórias, as paixões de um homem e uma mulher, que servem de metáfora para a magia e a fantasia proporcionadas pelo cinema. Em 1998, esteve em um primeiro longa-metragem, se tratando de uma pequena participação no filme “Como Ser Solteiro”, estrelado por Marcos Palmeira, Heitor Martinez e Cássia Linhares. Mas foi no mesmo ano, na mini-série da Globo “Hilda Furacão”, baseado na obra de Roberto Drummond, que ele ganhou notoriedade e mostrou que poderia ser um ator sério, ao invés de apenas um rosto bonito. A série conta a estória de Hilda Furacão (Ana Paula Arósio), uma jovem pertencente à tradicional sociedade mineira, que abandona tudo para se tornar a atração de um bordel. Em meio a muita polêmica, ela acaba vivendo uma paixão proibida por um frei (Santoro). Na pele do Frei Malthus, Rodrigo conta que o papel exigia uma carga emocional tão grande, devido ao sentimento de culpa sentido pelo religioso, que foi difícil separar o ator do personagem. Além disso, sua exagerada auto-crítica acabou resultando em três meses de angústia. Afinal, ele sabia que aquele trabalho seria decisivo para o futuro de sua carreira. Valeu a pena! Além de ótimas críticas, respeito como ator e conquista de um espaço, Rodrigo aumentou sua legião de fãs e logo depois ganhou o papel principal em "Suave Veneno", novela exibida no horário mais valorizado da TV brasileira.

 

Ainda em 1998, ele levou adiante sua grande paixão de infância, o teatro, atuando como D´Artagnan na peça “D´Artagnan e Os Três Mosqueteiros”, ao lado de Marcelo Faria, Pedro Vasconcelos, Thierry Figueira e Luana Piovani. Rodrigo conheceu Luana durante os ensaios da peça, e namoraram por mais de dois anos. A peça fez um enorme sucesso e ficou vários anos em cartaz. Em 1999, o ator começou a flertar com Hollywood ao ser convidado para fazer a voz do ratinho protagonista na versão dublada de ''O Pequeno Stuart Little'', enorme sucesso infantil que rendeu uma continuação em 2002 (também dublada por Santoro). O filme conta a estória de Stuart, um rato abandonado que vivia num orfanato, junto com algumas crianças. Até que a família Little decide adotar um irmão para seu filho George, e se apaixona pelo carisma do pequeno ratinho. Stuart é então adotado e passa a lidar com divergências com Snowbell, o gato da família, e o próprio irmão, que não o aceita.

No mesmo ano, fez uma pequena participação em ''O Trapalhão e a Luz Azul'', comédia bem-sucedida de Renato Aragão. Em 2001, ele protagoniza seu papel mais importante no cinema, chamando atenção também das indústrias internacionais no premiado ''Bicho de Sete Cabeças'', de Laís Bodasnky. ''Bicho de Sete Cabeças'' ganhou nada menos do que sete prêmios no Grande Prêmio BR de Cinema, sete prêmios no Festival de Brasília e nove prêmios no Festival de Recife. Dentre esses três festivais, ''Bicho de Sete Cabeças'' levou, em todos os três, a categoria “Melhor Filme”, e Rodrigo Santoro, a categoria “Melhor Ator”. Rodrigo interpreta Neto, um jovem que possui uma difícil relação com seu pai, Seu Wilson (Othon Bastos). O vazio entre eles aumenta cada vez mais. Seu Wilson despreza o mundo de Neto e este não suporta a presença do pai. A situação entre os dois atinge seu limite e Neto é enviado para um manicômio, onde terá que suportar as agruras de um sistema que lentamente devora suas presas. A interpretação de Rodrigo é realmente impressionante, e o filme nos passa a crua imagem das clínicas psiquiátricas com muito realismo.

 

Após o enorme prestígio conquistado com sua brilhante interpretação em “Bicho de Sete Cabeças”, ainda em 2001, ele atua em outro elogiado filme: “Abril Despedaçado”, dirigido por Walter Sales (mesmo diretor de “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”). O filme se passa em abril de 1910, na geografia desértica do sertão brasileiro, onde Rodrigo Santoro interpreta Tonho. Tonho vive atualmente uma grande dúvida, pois, é impelido por seu pai (José Dumont) a vingar a morte de seu irmão mais velho, assassinado por uma família rival. Mas Tonho sabe que se o fizer, será perseguido e terá pouco tempo de vida. Angustiado pela perspectiva da morte, Tonho passa então a questionar a lógica da violência e da tradição.

Enquanto Rodrigo divulgava “Bicho de Sete de Cabeças”, o diretor canadense Robert Allan Ackerman, que havia assistido ao filme em uma exibição especial, ficou radiante com sua interpretação, e quis de qualquer maneira aquele desconhecido ator (pelo menos para o resto do mundo) em seu novo filme. Após muita procura o cineasta finalmente conseguiu o telefone pessoal do pai do ator, que quando soube do interesse, aceitou o convite na hora. Eis que Rodrigo começou a expandir seus horizontes e estava fazendo um primeiro filme fora de seu país de origem. A produção era “A Primavera Romana de Mrs.Stone”, um filme feito exclusivamente para TV, mais precisamente, para o canal estadunidense Showtime. Segundo o ator, atuar em inglês não é bem um problema, e sim, um obstáculo. Afirma isso por motivos óbvios: é muito mais fácil expressar sentimentos na sua língua mãe. O filme conta a estória de Karen (Helen Mirren), uma envelhecida e decadente atriz que se muda com seu rico marido (Bryan Dennehy) para a Itália. Com a súbita morte de seu esposo, Karen passa por uma forte carência afetiva, envolvendo-se então com gigolôs, conseguidos através de uma cafetina, interpretada por Anne Bancroft (Mrs. Robinson, de “A Primeira Noite de um Homem”). Levando uma vida de submundo, Karen tem os seus dias em jogo, até que se envolve com um jovem italiano (Olivier Martinez). Rodrigo interpreta um misterioso jovem sem nome, que assombra a personagem de Anne Bancroft.

 

Em 2003, ele mostra sua versatilidade na escolha de papéis, ao interpretar o travesti “Lady Dy”, detento do maior presídio da América latina – o Carandiru – no filme “Carandiru”, dirigido por Hector Babenco, baseado no famoso livro “Estação Carandiru”, de Draúzio Varela. Essa foi uma experiência diferente na carreira de Santoro, em que pela primeira vez, foi preciso beijar outro homem (o ator Gero Camilo) em cena. Podemos ver no filme, um pouco do dia-a-dia do famoso presídio que marcou história pela sua total falta de organização, e pela violenta chacina ocorrida nele no ano de 1992 (fato retratado no filme). O filme narra a história de um médico (Luiz Carlos Vasconcelos) que se oferece para realizar um trabalho de prevenção a AIDS no temido presídio. Lá, ele convive com a realidade atrás das grades, que inclui violência, superlotação das celas e instalações precárias. Porém, apesar de todos os problemas, o médico logo percebe que os prisioneiros não são figuras demoníacas, que na prisão há solidariedade, organização e uma grande vontade de viver.

No mesmo ano, surge sua segunda oportunidade de atuar no exterior, mas, desta vez, numa superprodução: o filme “As Panteras – Detonando”, dirigido por McG, continuação do sucesso de 2000, “As Panteras”, baseado em uma série de mesmo nome famosa nos anos 60. Santoro interpreta um dos vilões do filme, Emmers, um surfista que trabalha para personagem de Demi Moore, e dá um certo trabalho para as protagonistas em uma seqüência de ação numa corrida de MotoCross. Para a tristeza de todos nós, brasileiros, seu personagem não possui nenhuma fala e morre antes da primeira metade do filme. Mesmo assim, Rodrigo foi o primeiro ator brasileiro a participar de um filme dessa grandeza, e o que não faltaram na época foram badalações, notícias e fofocas sobre o “galã brasileiro em Hollywood”. O filme conta a estória das sexys Panteras (Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu) que voltam para confrontar uma ex-Pantera (Demi Moore), que agora passou para o lado do mal. Ao lado do assessor Bosley (Bernie Mac), as beldades precisam encarar diversos perigos para resgatar os anéis que contêm informações codificadas sobre cada pessoa do programa federal de proteção às testemunhas.

 

Em 2003, Rodrigo ainda atuou em outra grande produção no exterior: a excelente comédia romântica “Simplesmente Amor”, dirigida por Richard Curtis (roteirista de “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “O Diário de Bridget Jones”), integrando um elenco de peso que inclui: Hugh Grant, Liam Neeson, Colin Firth, Emma Thompson, Alan Rickman, Rowan “Mr.Bean” Atkinson, entre outros. O filme mostra as diversas maneiras de se manifestar o amor. Seja o amor de qualquer tipo, ele é parte fundamental da vida de 19 personagens que entrelaçam suas histórias com muita emoção, paixão e bom humor. Um filme sobre vidas e amores que se misturam na romântica Londres, e atingem o seu clímax na noite de Natal. Dentre essas histórias entrelaçadas, Rodrigo interpreta o executivo Karl, por quem Sarah (Laura Linney) mantém uma paixão silenciosa.

Após essa “excursão” pelo exterior, Rodrigo retorna ao Brasil, e volta a atuar em uma novela global depois de muito tempo. A novela é “Mulheres Apaixonadas”. Em 2004, ele também volta a atuar em uma produção brasileira: a simpática comédia romântica “A Dona da História”, de Daniel Filho. Nesse filme, ele interpreta o idealista Luís Cláudio, que passa a ser interpretado por Antonio Fagundes quando mais velho. O filme se passa no Rio de Janeiro de 1968. Quando tinha 18 anos, Carolina (Débora Falabella) conhece o grande amor da sua vida, Luís Cláudio (Rodrigo Santoro), seu primeiro e único namorado, com quem se casa. Quando ela tem 55 anos (interpretada por Marieta Severo), com os quatro filhos já crescidos, ela pensa em terminar seu casamento com Luís (interpretado por Antonio Fagundes). Ao tomar um banho, inicia um grande momento de reflexão, no qual "se encontra" com a jovem Carolina, ou seja, ela mesma, e começa a pensar como teria sido sua vida se, no dia que Luís a pediu em casamento, ela tivesse dito “não”. Através de um confronto e diálogo com a jovem que foi aos 18 anos, ela revive os sonhos do passado e as possibilidades de ter seguido outros rumos e conhecido outros amores.

 

Em 2007, ele tua na maior produção de sua carreira: a aventura épica “300”, adaptação dos quadrinhos “Os 300 de Esparta”, do mestre Frank Miller e Lynn Varley. O filme tem direção de Zack Snyder (“Madrugada dos Mortos), e ele interpreta ninguém menos que o vilão principal do filme, o imperador persa Xerxes. Para encarnar o personagem, ele teve que mudar drasticamente o visual, raspando a cabeça, depilando todo o corpo, e encher o corpo de piercings (inseridos digitalmente). Assim como “Sin City” (outra adaptação de um quadrinho de Frank Miller), o filme é rodado inteiramente em croma-key (a famosa tela azul) com o fundo sendo substituído por computação gráfica.O filme mostra a coragem do rei Leônidas (Gerard Butler) e seus 300 guerreiros de Esparta que lutam até a morte contra o numeroso exército do rei Xerxes. O sacrifício e a dedicação destes homens uniu a Grécia no combate contra o inimigo persa.

Intercalando a carreira entre o Brasil e os EUA, ele ainda pode ser visto em 2007 em uma produção nacional: “Não Por Acaso”, de Philippe Barcinski. Trata-se de um drama sobre as coincidências do destino. A trama apresenta Ênio (Leonardo Meideiros), um engenheiro de trânsito que comanda o fluxo de carros em São Paulo. Ele se surpreende quando reencontra Mônica (Graziella Moretto), sua ex-mulher, que lhe diz que sua filha Bia (Rita Batata), de 16 anos, deseja conhecê-lo. O encontro é adiado devido a um acidente sofrido por Mônica, que atropela Teresa (Branca Messina). Ambas morrem, o que faz com que Ênio e Pedro (Santoro), namorado de Teresa e dono de uma marcenaria especializada na construção de mesas de sinuca, entrem em luto. O acidente irá mudar definitivamente a vida destes dois homens.

 

Não bastasse a carreira internacional, ele também integra o elenco de uma das telesséries de maior sucesso no mundo: “Lost”. Aos poucos, Rodrigo Santoro vai humildemente conquistando seu espaço fora do país, e aumentando cada vez mais seu prestígio na sua terra natal. Talento ele já mostrou que tem de sobra, atuando em papéis bastante diversificados que não exigem unicamente estética para ganhar destaque. Se a cada dia se abrem novos horizontes para ele, podem ter certeza que tudo é por puro mérito e perseverança desse jovem e talentoso ator. Bom para ele, e ótimo para nós, que somos brasileiros, acima de tudo.

 
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