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Metamorfose com: Jackie Chan
Data de Publicação: 24 de Setembro de 2007
Por: Kevly Karyn e Raphael Santos

Nascido em 1954, em Hong Kong, Kong-sang Chan, ou melhor, Jackie Chan fez de seus conhecimentos em artes marciais e interpretação sua marca registrada ao longo dos seus mais de quarenta anos de carreira. Sim, mais de quarenta anos. Sua estréia foi em 1962, graças a um diretor que visitou a Academia Chinesa de Drama em busca de novos talentos para o filme "Big and Little Wong Tin Bear" e descobriu o pequeno Jackie. E o pequeno Jackie descobriu o gosto pelo cinema e continuou a atuar nos estúdios chineses até 1971, quando foi descoberto pelo Ocidente no filme "Dedos de Aço".

Com a morte de Bruce Lee, surgiu uma espécie de pressão dos fãs apontando Jackie como seu sucessor, já que ele trabalhava como dublê nos filmes do grande astro. Contudo, ele não se sentia à vontade para ser apenas um substituto de um grande ídolo. Criando assim o estilo que unia ação e comédia, em seqüências de lutas que incluem até mesmo o uso de lâmpadas, cadeiras e mesas, entre outros artefatos nada convencionais.

Seu primeiro filme com reconhecimento no Ocidente foi "O Mestre Invencível", em 1978, onde viveu o aprendiz de um kung-fu nada convencional chamado Won Fei Hung, faturando US$8 milhões. A partir daí o ator ganhou visibilidade, ainda que alguns de seus títulos não estejam disponíveis no Brasil.

Depois de Won Fei, Chan fez ainda alguma figuração em comédias classe B, como "Quem Não Corre, Voa" em 1981 e invadiu a Espanha junto com Yuen Biao e seus cachorros-quentes caprichados no divertido "Detonando em Barcelona", em 1984. Um ano depois, ele iria produzir e atuar no filme que, segundo o próprio, é seu favorito: "Police Story" ou "A Guerra das Drogas", que já contabiliza sua terceira continuação atualmente.

Sua consagração veio nos anos 90, junto com sua estrela no calçadão da fama e o prêmio da MTV Awards, em 1995, recebido em homenagem à sua carreira. Com isso, vieram mais outros filmes. Inclusive, a adaptação de um mangá para a telona em 1993, com "City Hunters", tendo-o como o investigador Ryu Saeba. Logo em seguida veio o ótimo "Arrebentando em Nova York", onde ele foi mais um arruaceiro do que o garoto bem comportado que normalmente encarna. No mesmo ano voltou a ser Won Fei numa seqüência de "Mestre invencível" que recebeu o mesmo título que o primeiro aqui.

 

Em 1997, ele é “Mr. Nice Guy”, um simpático ajudante de cozinha que acaba se metendo numa confusão entre gangues apenas por tentar ajudar uma mulher apavorada. Ainda que o roteiro não seja original em grande parte dos seus filmes, eles são um sucesso graças às loucuras que Chan executa na frente das câmeras. Isso porque, sim, Jackie Chan não usa muitos dublês, o que lhe rendeu uma série inenarrável de machucados, tendo sido o mais grave uma fratura no crânio que lhe rendeu a surdez do ouvido direito. "Mr. Nice Guy" lhe proporcionou uma das três vezes em que seu nariz foi quebrado em cena.

Já em 1998, ele perdeu a memória. Mas para viver o personagem "Quem sou eu?" num filme homônimo, onde ele deu vida a um agente da CIA em missão na África do Sul que acaba sofrendo um acidente e esquecendo de quem é. Quando se lembrou, em 1999, virou o inspetor Lee e, junto com seu parceiro James Carter, vivido por Chris Tucker, viveram uma intriga internacional em "A Hora do Rush" – filme que mais tarde culminaria em uma trilogia. Nesse mesmo ano também estrelou um longa-metragem sobre sua própria vida, que sempre foi muito reservada.

 

Entrando nos anos 2000, Chan voltou ao velho oeste americano para salvar uma princesa, vivida por Lucy Liu (“Kill Bill Vol. 1”), junto com Owen Wilson (“Penetras Bons de Pico”) na pele de um guerreiro no divertidíssimo "Bater ou Correr". Virou também um arqueólogo com uma sobrinha e um tio sábio na sua série de desenho chamada "As aventuras de Jackie Chan", que passam ainda hoje na programação de alguns canais.

Ainda em 2000, um ano que caiu muito bem na filmografia do ator, Chan volta a ter destaque com “A Hora do Rush 2”. Nessa seqüência, após os acontecimentos do título sucessor, o inspetor Lee (Jackie) e o detetive James Carter (novamente o ator Chris Tucker) vão para Hong Kong aproveitar suas merecidas férias. Porém, assim que eles aterrissam, explode uma bomba na embaixada americana que mata dois agentes disfarçados. Esses agentes estavam investigando a falsificação de um valioso anel. A polícia de Hong Kong acredita que o crime tenha sido cometido pelo líder da Tríade Ricky Tan (John Lone), que foi parceiro do pai de Lee no passado e um dos responsáveis por sua morte. Levando o crime para o lado pessoal, Lee resolve participar das investigações juntamente com Carter, que agora se sente totalmente deslocado por conta das tradições locais. O que rende muitas boas piadas. Nesse longa, Jackie recebeu a quantia de US$ 15 milhões por seus trabalhos.

 

Em 2001 ele virou um "Espião por Acidente" vendendo roupas esportivas e sendo testemunha de um roubo de banco. Dois anos depois, estrelou "O Terno de 2 Bilhões de Dólares". Nesse longa-metragem de curto sucesso nos cinemas – ao contrário do mercado de [i]homevideo[/i] – houve uma paródia com as habilidades do ator. Em vez de facilmente atribuir mais uma aventura que Chan desempenharia suas funções com socos e pontapés, desta feita, ele fazia isso mediante aos ponderes contidos em um terno – sim, o mesmo que dá nome o filme.

Foi com “Bater ou Correr em Londres” que em 2003 o ator repediu a dobradinha com Owen Wilson. A trama da película se passa em 1887. Após seu pai ser morto por um rebelde chinês que fugiu para a Inglaterra, Chon (Chan) e seu amigo Roy (Wilson) decidem ir a seu encalço para capturá-lo. O longa recebeu duas indicações ao MTV Movie Awards, nas seguintes categorias: Melhor Equipe (para a dupla já citada) e Melhor Luta.

 

Permanecendo em 2003, o astro protagonizou “O Medalhão”, título no qual Chan divide a tela com Lee Evans e Claire Forlani. Respectivamente, um detetive, o comandante de uma equipe da Interpol e uma agente trabalham juntos para proteger uma criança que pode despertar poderes sobrenaturais em um medalhão. Com orçamento de US$ 41 milhões, não conseguiu chamar muita atenção sendo lançado diretamente em vídeo aqui no Brasil.

Em 2004, o ator tentou reviver a franquia "A Volta ao Mundo em 80 Dias", sendo esse um remake. Todavia, o filme foi um insucesso. Para se ter idéia, o orçamento de US$ 110 milhões passou longe de ser superado. Ainda assim, o filme teve lá suas curiosidades. A mais interessante é com relação a Arnold Schwarzenegger (“O Exterminador do Futuro”), pois esse foi o último filme em que ele atuou antes de ser eleito Governador da Califórnia.

 

Em 2005 ele voltou a encarar um arqueólogo – papel antes feito para os desenhos animados. "O Mito" é o responsável por tal façanha. Justamente por ser épico, esse é um dos poucos filmes do ator em que não aparece algum carro da Mitsubichi. Estranho? Não pelo fato de ele ter contrato com essa empresa já há algum tempo.

Um ano depois, Chan protagonizou um filme um pouco aquém dos seus anteriores. Trata-se de “Três Ladrões e um Bebê”, o qual dividiu cenários com Louis Koo – ator que guarda leve semelhança com a aparência de Jet Li. O filme foi lançado direto para DVD mais uma vez aqui no Brasil e conta o seqüestro de um bebê filho de magnata orquestrado por Fong Ka Ho (Chan) e Octopus (Koo). Esse filme é um dos maiores marcos negativos na carreira do ator. Para piorar, o ponto fraco do filme, o roteiro, é escrito por Chan.

 

O que fazer para ter a carreira de voltar ao seu patamar usual? Nada melhor do que uma nova continuação do seu maior sucesso: “A Hora do Rush”. O terceiro filme da trilogia, lançado em 2007 é o responsável por trazer Chan para planos de destaque. Não só a dele, mas também do ator Chris Tucker, que fez dupla nos filmes anteriores. Agora a trama do filme se passará em Paris.

Em seguida ele emprestou a sua voz para a animação "Kung Fu Panda". No filme, o irreverente e preguiçoso panda chamado Po (Jack Black) é o único capaz de salvar o Vale da Paz do vilão Tai Lung (McShane), um poderoso leopardo das neves. Com os ensinamentos de Shifu (Dustin Hoffman), Po se torna um grande mestre do Kung Fu, à semelhança do Mestre Macaco (Jackie Chan), um exímio guerreiro que é tudo o que o panda quer ser.

 

Quem não conhece Jackie Chan mais a fundo acha que todos os filmes - e personagens - dele são iguais. No fundo, todos têm suas semelhanças, mas isso é parte da idéia de consolidar sua imagem como o ícone que hoje ele de fato é. Embora quase sempre questionado por suas escolhas aparentemente duvidosas para trabalhos, Jackie passa por altos e baixos com a crítica, contabilizando filmes que angariam de Awards a Troféus Framboesa. Contudo, sempre faz questão de fazer o lado "do bem”, tendo, inclusive, se recusado a participar do filme "Black Rain", de Riddley Scott, junto com Andy Garcia e Michael Douglas, por ter o papel de um vilão.

Nesses mais de quarenta anos de carreira, é impossível dizer que ele não mudou tanto assim pra merecer uma citação no "Metamorfose", mesmo que se seja malvada e credite isso aos inúmeros acidentes e às ações do tempo que ele sofreu. E, se você acha que chineses (japoneses, coreanos) são todos iguais, você não conhece Jackie Chan, o homem que tem mais medo de dançar em público que de pular de um silo de 50 metros, de acordo com suas próprias palavras.

 
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