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Biografia: Saiba tudo sobre o diretor M. Night Shyamalan
Data: 24 de Outubro de 2006
Por: Amanda Pontes
 
Manoj Nelliyattu Shyamalan, ou simplesmente M. Night Shyamalan, é um nome que merece destaque quando falamos do cinema atual. O diretor já conseguiu imprimir sua marca em relativo pouco tempo de carreira e criou um gênero “suspense/fantástico” que inovou a fórmula batida desse tipo de filme que estávamos acostumados a ver.

Nascido na Índia – o que por si só já poderia ser um precedente de carreira, vide o notável mercado cinematográfico indiano – M. Night mudou-se para os Estados Unidos ainda criança, quando seus pais, ambos médicos, se estabeleceram na cidade de Filadélfia. A influência do lugar onde cresceu pode ser vista claramente em alguns dos seus filmes ambientados na Pensilvânia. Aos 8 anos de idade, o futuro diretor ganharia sua primeira câmera e começaria a se interessar pela arte cinematográfica ao começar a produzir filmes caseiros inspirado no seu então ídolo, Steven Spielberg.

O primeiro filme oficial do diretor, no entanto, só viria em 1992. “Praying With Anger” era o título e o conteúdo fazia referência clara à sua própria vida ao abordar a história de um jovem indiano criado nos Estados Unidos que volta à sua terra natal numa viagem de auto-descobrimento. Shyamalan desempenhou a função de diretor, ator, produtor e roteirista nessa produção de baixo orçamento, que foi recebida com críticas bastante favoráveis, sendo nomeado, em 1993, “Filme de Estréia do Ano”, pelo American Film Institute em Los Angeles.

O próximo projeto do diretor, “Olhos Abertos”, em que novamente atuou também como roteirista, seria concretizado em 1998, com uma parceria com a Miramax. O filme foi concebido como uma comédia dramática sobre um garoto de 10 anos que faz uma “busca” por Deus após a morte de seu avô. A história se passa na Filadélfia, já indicando a preferência do diretor por ambientar suas tramas numa atmosfera familiar.

Apesar dos primeiros dois filmes de Shyamalan terem lhe dado uma base para o desenvolvimento e concretização de uma carreira, o diretor ainda não havia encontrado sua marca pessoal, um estilo pelo qual ficasse conhecido e o caracterizasse. Esse marco aconteceria em 1999, com o próximo filme do diretor. A partir daí, Shyamalan também passaria a exercer em todas as suas produções a função de diretor, roteirista e produtor.

“O Sexto Sentido” inicia uma nova fase

O ano era 1999 e o cinema não via algo muito inovador há algum tempo. As histórias de suspense não conseguiam impressionar até o lançamento de “O Sexto Sentido”, protagonizado por Bruce Willis e o menino Haley Joel Osment. O nome de Shyamalan era praticamente desconhecido do grande público, por isso o filme foi lançado sem grande alarde. Aos poucos, no entanto, a produção foi ganhando grandes proporções com a propaganda dos próprios espectadores. Estava declarado um grande sucesso.

“O Sexto Sentido” trouxe a história de um menino problemático que diz ver pessoas mortas e é ajudado por um psicólogo que aparentemente vive um momento difícil em seu casamento. O filme inovou a fórmula ao aliar um roteiro instigante e inteligente com um final altamente surpreendente (essa é a marca que o diretor procura imprimir em todas as suas produções posteriores) e foi ovacionado pela crítica, recebendo 6 indicações ao Oscar, entre elas Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.

O nome de Shyamalan entrou, repentinamente, para o time de ouro de Hollywood, alcançando um status com o qual nunca tinha sequer sonhado. “O Sexto Sentido” abriu portas para que o diretor pudesse ter mais autonomia nos seus projetos.

Em 2000, viria o próximo filme do diretor abordando a temática sobrenatural, “Corpo Fechado”, novamente trazendo Bruce Willis como protagonista, numa história sobre um homem que parece não sofre danos, já que sobrevive a diversos acidentes sem se machucar. Em oposição, um outro homem é tão frágil que o mínimo impacto pode ser capaz de quebrar seus ossos. Shyamalan trabalha com o estereótipo de herói e vilão, fazendo um paralelo entre seu roteiro e o universo dos quadrinhos. Apesar de ter dividido a crítica que, após “O Sexto Sentido”, chegou a dizer que nenhum outro filme do gênero o superaria, “Corpo Fechado” também obteve recepção favorável por grande parte do público e representou mais uma produção para consolidar o seu estilo próprio.

Cada Vez Mais Sobrenatural

A próxima temática abordada por Shyamalan foi aquela tida como a mais clichê dentre os temas sobrenaturais: seres alienígenas. “Sinais”, de 2002, protagonizado por Mel Gibson e Joaquin Phoenix e novamente com roteiro ambientado na Pensilvânia, trouxe a história de um ex-pastor viúvo que mora com o irmão e os dois filhos numa fazenda. O mistério acontece quando estranhos círculos e símbolos aparecem na sua plantação e, aos poucos, seres estranhos começam a se revelar. “Sinais” foi outra produção que dividiu opiniões, justamente por tratar de um tema tão controverso quanto a existência de alienígenas. A capacidade do direto de manter o suspense e conduzir bem a história até o fim, no entanto, não pode ser contestada nesse filme.

A essa altura, os fãs já conquistados por M. Night Shyamalan já esperavam ansiosos a próxima produção. Eis que surge, em 2004, “A Vila”, trazendo Joaquin Phoenix novamente no elenco, dividindo o posto de protagonista com Bryce Dallas Howard e Adrien Brody e nomes veteranos como William Hurt, e Sigourney Weaver. A trama girava em torno de pessoas que vivem numa vila aparentemente ideal e auto-suficiente. Os habitantes, no entanto, não podem sair do local, pois vivem sob a ameaça de seres misteriosos que vivem na floresta que cerca a vila. O marketing do filme foi avassalador, pois propagandas foram veiculadas em todo mundo dizendo que o final da história não poderia ser revelado em nenhuma hipótese para aqueles que ainda não tinha o assistido. Isso acabou gerando efeitos controversos, já que muitos espectadores declararam terem se decepcionado com o desfecho da trama.

Já que opiniões extremas sobre os filmes também já havia virado uma das marcas do diretor, elogios também não faltaram a “A Vila”. O roteiro ousado e repleto de simbologia conseguiu agradar a grande parte do público. A essa altura, M. Night Shyamalan já pode ser tido como o tipo de diretor o qual se ama ou se odeia. O filme ainda recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora.

Um Pouco de Conto de Fadas

A próxima produção do diretor recebeu o título sugestivo de “A Dama na água”, fazendo referência à criatura encontrada na piscina pelo zelador de um condomínio, vivido por Paul Giamatti. Ele acaba descobrindo que a tal moça é na verdade personagem de uma história infantil que deseja voltar ao seu mundo, mas está sendo impedida por criaturas malignas. Os moradores do condomínio, então, acabam se unindo para ajudar a dama a voltar para casa. No papel principal, está Bryce Dallas Howard, repetindo a parceria com o diretor iniciada em “A Vila”.

O filme já chega com o peso do nome, e por que não dizer da “grife” de M. Night Shyamalan e promete ser uma produção de grandes proporções.

Paralelamente, o diretor trabalha em um projeto em que assina apenas como roteirista e produtor, “Life of Pi”, baseado no best-seller de Yann Martel, história de um garoto filho de um administrador de zoológico indiano (novamente remetendo às origens de Shyamalan) que sofre um naufrágio quando sua família está se mudando para o Canadá e é encontrado à deriva lutando para sobreviver junto com alguns dos animais que também estavam sendo transportados. Apesar de Shyamalan só exercer relativa participação na produção, aspectos típicos de seu estilo também podem ser identificados aqui.

Marcas do diretor

Um dos aspectos também bastante explícitos do diretor é a utilização de mesmos atores mais de uma vez. Isso começou com Bruce Willis em “O Sexto Sentido” e posteriormente “Corpo Fechado” e continuou com Joaquin Phoenix em “Sinais” e “A Vila” e agora Bryce Dallas Howard em “A Vila” e “A Dama na Água”.

Outro elemento recorrente em seus roteiros é a presença de determinados elementos como simbologia para fatos. A água, por exemplo, é ligada a fraqueza, já que o “herói” de “Corpo Fechado” só não é imune a ela, determinado personagem de “A Vila” desiste de acompanhar a protagonista quando começa a chover e a água é o elemento capaz de acabar com o aliens de “Sinais”.

Cenas ambientadas em porões são bastante exploradas, como quando o personagem de Bruce Willis tanto em “O Sexto Sentido” quando me “Corpo Fechado” faz importantes descobertas, quando a família em “Sinais” se esconde dos alienígenas ou quando a personagem de Bryce Dallas Howrd em “A Vila” tem um momento decisivo com relação ao seu amado. Além disso, a temática religiosa também é recorrente em quase toda a obra do diretor.

Outro aspecto curioso sobre Shyamalan é o seu modo Hitchcock de fazer aparições nos filmes. Inspirado em um de seus ídolos, Alfred Hitchcock, que aparecia sempre discretamente em cenas de seus filmes, Shyamalan faz o mesmo, mas com uma ponta maior de relevância. Ele aparece em pequenos papéis como um médico em “O Sexto Sentido”, traficante em “Corpo Fechado” e o homem responsável pela morte da esposa de Mel Gibson em “Sinais”.

Na história do cinema

M. Night Shyamalan atualmente vive em Los Angeles e é casado com a também indiana Bhavna Vaswani, com quem tem dois filhos. O diretor diz que se incomoda muitas vezes por ter que seguir as normas do dinheiro na indústria cinematográfica, mas acredita que consegue manter a essência do seu estilo nos seus trabalhos.

No mais, com seu jeito peculiar de fazer filmes, M, Night Shyamalan já conseguiu imprimir seu nome na história do cinema.




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