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Situe-se: Brasil, 05 de Setembro de 2008     


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Vencedor de Cannes lota sessões na Mostra de SP
Data: 25 de Outubro de 2007
Por: Andressa Back, direto da 31ª Mostra de Cinema de SP
 
O romeno "4 meses, 3 semanas e 2 dias" (4 luni, 3 saptamani si 2 zile, 2007), ganhador do prêmio máximo no último Festival de Cannes, lotou as exibições na Mostra Internacional de Cinema. O filme de Cristian Mungiu narra a história de duas amigas, Otilia e Gabita, estudantes e colegas de quarto, mas muito mais do que isso, cúmplices. Na Romênia opressora onde os indivíduos devem apresentar a identidade até mesmo para visitar alguém num hotel, Gabita resolve fazer um aborto. A ação se passa nos preparativos do aborto, até que ele se conclua efetivamente. Apesar de não parecer muito original, a princípio, o filme revela paulatinamente como conquistou o júri em Cannes. A grande sacada do roteiro é transformar em protagonista Otilia, a amiga da grávida.

Contar a história a partir do ponto de vista de alguém que está de fora aproxima o espectador do drama. Apesar de Otilia ter uma participação importante no desenrolar da negociação do aborto, quem realmente sente na pele é Gabita. Porém, o espectador sente a tensão fortíssima que toma conta de Otilia, o que aumenta consideravelmente a proporção do problema. Como Gabita já passou do quarto mês de gestação, o aborto é considerado homicídio, e Bebe, o médico, insiste em lembrar que eles podem pegar 10 anos de cadeia por isso. Otilia lida com situações extremas, mostrando como é difícil realizar um aborto clandestino. Tudo é improvisado. O cenário é um quarto de hotel, o lençol vira um saco plástico – para evitar vestígios, o feto que não pode ser enterrado, para que cães não farejem.

"4 meses, 3 semanas e 2 dias" é forte e intenso. A cumplicidade de Otilia e Gabita atinge o espectador, que também se torna cúmplice. Mas cúmplice de quê? Para a polícia romena trata-se de homicídio. Para Gabita, é o alívio por resolver um problema. Mas Otilia paga um preço mais alto. Ela se envolve tanto no caso, que as marcas cravadas friamente nela não devem ser apagadas facilmente. Ironicamente, Gabita parece lidar com a situação mais naturalmente. O filme nos lembra o quanto é difícil usufruir do livre arbítrio sob um regime ditatorial. Mais do que isso, ele representa como as mulheres não podem decidir o que fazer com o próprio corpo.




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