RAPADURACAST 39 – Self-Service no Cinema
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http://www.rapaduracast.com.br/
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Transcrito por: Mariane Oliveira
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(Vinheta: RapaduraCast, o podcast do portal Cinema com Rapadura)

Juras: Sejam bem vindos seres rapadurianos de todo o Brasil! Está começando mais uma edição do RapaduraCast. Eu sou Jurandir Filho e já comi um cinto de salgadinhos dentro do cinema.

Ph: Eu sou Raphael Santos e nem de pipoca eu gosto!

(risos)

Mau: Eu sou Maurício e tô feliz da vida com sua resposta Raphael!!!

(risos)

Juras: Exatamente...

Este programa nós vamos falar sobre a PAZ no cinema que não existe.

Ph: Ou melhor... Nós vamos falar sobre a falta de paz.

Juras: Você que se incomoda com muitas pessoas que fazem barulho no cinema de todas as formas, seja comendo alguma coisa, seja chutando a sua cadeira, seja cutucando, seja cuspindo na sua cabeça...

Ph: Seja fazendo sexo ao seu lado...

Juras: É... porque já, já existem casos, né Maurício?

Ph: Existem casos.

Mau: Eu quero que vocês pelo menos hoje, vocês parem de rir um pouco neste programa, entendeu? A parada é séria.

(muitos risos)

Juras: Não, é sério, é sério. A parada vai ser séria a partir de quando começar o programa. A abertura a gente pode dar umas boas risadas... Até porque nós vamos entrar primeiro no quadro de e-mails.

(vinheta: e-mails)

Juras: E-mails! Mais uma vez...

Ph: Aqui, é uma coisa terrível nos bastidores. A gente num pode ter democracia nesse mundo não, meu povo.

(risos)

Ph: Pode não...

Juras: Exatamente...

Antes de começar nosso papo sobre as confusões que ocorrem dentro dos cinemas, temos nossa leitura de e-mails sobre os programas passados, principalmente sobre o programa de número 38, num é?

Ph: Sobre o programa passado, Jurandir.

Juras: Exatamente... Que é do Ultimato Bourne, da trilogia Bourne. Não tivemos muitos comentários não, né Raphael?

Ph: Não.

(risos)

Juras: Exatamente... Nós vimos dois filmes.

Ph: Dois filmes, Jurandir.

Juras: Um, que é o da trilogia Bourne, que é o Ultimato Bourne, que é excepcional! Um dos melhores filmes de ação dos últimos anos.

Ph: Jurandir, Jurandir... Ele é excepcional, Jurandir?

Juras: Excepcional.

Ph: Que bom, Jurandir.

Juras: E um outro filme que nós assistimos, que é o pior filme de todos os tempos...

Ph: Jurandir... Qual é o pior filme de todos os tempos, Jurandir?

Juras: Possuídos...

Ph: Jurandir...

Juras: O pior filme de todos os tempos. A gente ia lançar uma promoção no CCR pra galera ganhar ingresso, mas depois que nós vimos o filme, num vou fazer isso com os leitores não, cara...

Ph: Não... Vamos fazer aqui, com os leitores PULHA, aqueles... A gente faz uma promoção, a gente inventa, aqueles caras que não escuta, sabe?

Juras: Ahamm...

Ph: Só escuta: “ieiiii promoção iii”.

Juras: Vô mandar pra eles os ingressos de Possuídos...

Ph: Aí os piores comentários, né... Aqueles comentário véio: “Legal”, sabe?

Juras: O filme é tão ruim...

Ph: Dá um ingresso pra ele.

Juras: O filme é tão ruim que ele já saiu de cartaz na maioria das cidades...

(risos)

Juras: ...entrou na semana passada...

Ph: Ele já saiu aqui, já saiu aqui, tá saindo aqui, vai saindo, olha, tá jogando, ehhhh!

Juras: Impressionante, cara! O filme é ruim. É o pior filme de todos os tempos. Ed Wood tá se revirando no túmulo. Tá feliz da vida, porque não vai ser mais os filmes dele.

Ph: Não cara, o filme é ah... o filme é muito ruim, certo? E o mais interessante é que certos sites ditos grandes né, Jurandir?...


Juras: Jornais e tudo...


Ph: É... Que têm supercríticos e bá bá bá... Achou o filme assim, espetacular. O maior thriller psicológico nhe, nhe, nhe. Só pra explicar pra essas pessoas, não é nem thriller, muito menos psicológico!

Juras: O nome não tem nada a ver: “Possuídos”...

Ph: A única coisa de Psicologia que tem ali, certo? É a raiva que o ser humano pode ter e ir lá e assassinar o diretor... filho da puta...

Juras: O diretor de Exorcista. E olha que a gente assistiu numa sessão que não tinha quase ninguém, quando acabou...

Ph: Saiu gente. Num tinha quase ninguém e ainda saiu gente...

Juras: E ainda saiu gente durante o filme. Impressionante, muito ruim. Cinqüenta minutos do filme não acontece nada, nada acontece no filme.

Ph: Não acontece nada em momento algum, Jurandir. Tu não reparou. Tu não reparou, né? Não acontece nada, só aconteceu alguma coisa, porque eu comecei a dar gargalhadas, mas num era gargalhada falsa não, era rindo mesmo. Ruindade. E o nosso amigo Thiago Siqueira também...

Juras: Eu sou o inseto mãe...

Ph: A única reviravolta que teve no filme foi quando ela disse: “Eu sou o inseto mãe”. Aí esse filme passou de péssimo, desgostoso pra uma BOSTA.

(risos)

Juras: Eu faço minha... eu faço as palavras de um cara que tava sentado na fila, na última fila as minhas. Ele se levantou... “Puta merda você fez eu assistir o pior filme da minha vida”.

(risos)

Ph: Esse é um dos piores filmes da minha vida. Num digo o pior, porque eu ri. Mas esse filme é pior do que péssimo.

Juras: Não assista Possuídos no cinema pelo amor de Deus. Assista o Ultimato Bourne cinco vezes, filme excepcional, o melhor filme de todos os tempos.

Vamos lançar promoção agora, promoção...

Ph: Que promoção é essa aí?

Juras: Vamos lançar a promoção agora...

Ph: Não, não. Lança, não.

Juras: O nosso programa é sobre aqueles problemas que acontecem dentro do cinema, né?

Ph: Eu não concordo não com essa promoção...

Juras: Tudo aquilo de ruim que acontece nos cinemas e tudo, então você vai contar uma, um caso que aconteceu com você no cinema...

Ph: Dá ingresso pros outros, assim?

Juras: Não, vamos dar coisa melhor. Vamos dar um folder autografado do Cinema com Rapadura.

Ph: Não vou escrever não nesse folder.

Juras: Oh... o folder tem assinatura da Maíra, do Sarrabui, menino vai escrever, o menino colocou o polegar dele sabe, assim?

Ph: Tem a assinatura de todos.

Juras: Do Panelada, até o Panelada que tá trabalhando de programador no CCR vai.

Ph: Exatamente. E não se surpreendam se antes do nome Raphael vier o nome Francisco. Infelizmente eu o tenho.

Juras: E vamos assim... Vocês mandam o comentário sobre alguns problemas que aconteceram com você no cinema. Algum, alguma coisa curiosa. As cinco melhores nós vamos dar cinco folders do CCR autografados, meu filho...

Ph: Mas tem que mentir bem direitinho, Jurandir.

Juras: É.

Ph: Tem que ser uma coisa bem inventada, viu.

Juras: Não adianta dizer que entrou um palhaço correndo no meio da sala.

Ph: Num dá não. Gente, olha, nós somos PhD em bizarrices dentro do cinema. A gente sabe quando é verdade ou não, gente.

Juras: Pois é, nós já presenciamos de tudo...

Ph: Tudo!

Juras: Você vai ficar sabendo quando continuar escutando esse programa aí.

Vamos aos nossos e-mails aqui. Primeiro e-mail Reinaldo, 18 anos, Praia Grande - SP.

Ph: São Paulo num tem nem praia.

Juras: Exatamente, é verdade.

Ph: Mentiroso. É mentiroso esse Reinaldo. Passa pro próximo.

Juras: Próximo e-mail, Lívia Ramos...

Ph: É não! Fala o do Reinaldo aí.

(risos)

Juras: E-mail do Reinaldo. “Agora como uma pessoa de maior... - ele ficou de maior, cara.

Ph: (cantando) Parabéns Reinaldinho.

Juras: Já pode ir pros puteiros...

Ph: Eita! (risos)

Juras: Alugar filme pornô...

Ph: Hummm...

Juras:... da Bruna Ferraz.

“Agora como uma pessoa de maior dou minha opinião no RapaduraCast. Gostei muito dos primeiros filmes, Jason Bourne... agente secreto sem viadagem... e tal - ou seja, tudo aquilo que a gente já falou no programa passado. “Que raiva confundi um nome no comentário anterior, tá tá tá...” - enfim, abraço!

(leitura dos demais e-mails: Comparações de Jason Bourne com James Bond e Jack Bauer, comentários sobre a atuação de Matt Damon e a quantidade de locações em que os filmes se passam, aspecto comum dos filmes de espionagem como 007, Missão Impossível e até 24 Horas)

Juras: Esses foram nossos e-mails e agora vamos continuar nosso programa excepcional sobre a paz no cinema que não existe.

Estamos de volta aqui e antes de começar a falar do, desses problemas que existem no cinema, vamos falar um pouco do blog que o Maurício criou. Maurício, pra quem não conhece, é aquele cineasta que criou a campanha “Vamos ao Cinema” do Cinema com Rapadura. E ele tá com uma nova campanha agora que é a paz nos cinemas.

Ph: Que é exatamente. É só não ir ao cinema. Tem que ir ao cinema civilizadamente né, também?

Juras: Esse blog, ele vai ser... O Maurício, ele tá sempre atualizando com vídeos que discutem essa temática, né Maurício?

Mau: É exatamente isso.

(risos)

Juras: Tudo bem. É exatamente isso.

Mau: Não cara, vamos falar o seguinte. A porra, porra é o seguinte, tá. Eu não tenho mais tesão de ir no cinema, tá bom.

Ph: Nenhum?

Mau: Nenhum. Eu não tenho mais. Nenhum tesão. Nenhum. Nem seu eu for com uma gata gostosa, siliconada.

Ph: Por que?

Mau: Porque tá IMPOSSÍVEL de ir no cinema, meu amigo!

(risos)

Ph: Não na verdade, a gente tá rindo aqui, mas é uma coisa muito séria, porque antes ir no cinema e ter um pessoalzinho perturbando ali era uma questão... era uma certa idade que perturbava, digamos assim, certo? Só que hoje está se estendendo até pros adultos, cara. Eles não estão tendo mais aquele senso de privacidade...

Juras: ...de ridículo.

Ph: É. Por exemplo, o Jurandir é o maior exemplo disso...

Juras: Não. Eu não.

Ph: Você viu, Maurício?

Mau: Fiquei sabendo.

Ph: O Jurandir só entra no cinema se for com um Mc Donald’s...

Juras: Que mentira, cara!

Ph: Num é mentira não, Jurandir. É verdade.

Juras: Isso é um absurdo.

Mau: Isso é um absurdo. Isso é um absurdo. Já falei pro Jurandir que daqui a pouco ele vai me ver sentado do ladinho dele no cinema, fazendo cara feia pra ele. Jurandir, eu vou mandar fazer umas máscaras minhas, fazer umas máscaras minhas e vender por todo o país...

Juras: Existem casos e casos. Não é todo mundo que leva alguma coisa pra comer no cinema e fica fazendo barulho. Se eu não me sinto prejudicado comendo alguma coisa assistindo o filme, é opção minha, entendeu?...

Ph: Não, não! Não é opção sua não, Jurandir. Não sei se você já reparou, mas quando você vai entrar com Mc Donald’s, com aquele salgado que tu compra lá do outro lado da rua do Iguatemi, né?...

(risos)

Ph: Não, porque o Jurandir é assim. Ele compra três salgados, porque se fosse um tudo bem, é uma zoada que acaba no trailer...

Juras: É não... Eu não vou ser o final dessa história.

Ph: Você compra três...Compra uma Coca Cola de 600 ml e abre no meio do filme, Jurandir!

Juras: Que mentira!!!

(shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii)

Mau: Jurandir, isso é um absurdo. Jurandir, tu larga este Cinema com Rapadura, larga!

(risos)

Juras: Isso é mentira, cara. É um absurdo.

Mau: Isso é uma afronta ao cinema!

Juras: Isso é uma calúnia. Você vai ser processado, Raphael.

Ph: Como se não bastasse... Não só ele, mas ele também compra comida, refrigerante pra namorada dele. Aí já são duas pessoas.

Mau: Raphael, mas também não é só o...Ninguém é obrigado, quando paga 10, 12, 15 reais pra ir no cinema, sentir o cheiro da comida do Jurandir, entendeu? E não sou obrigado a sentir o cheiro do teu risolis!

Juras: Tu não ta sentindo o cheiro de Cheetos, que tem cheiro de vômito. Tu ta sentindo o cheiro de Mc Donald’s, que atiça seu cérebro pra você comprar...

Mau: Atiça o meu cu!

(risos)

Mau: Não precisa tá comendo Mc Donald’s, o neguinho do lado pode tá comendo Cheetos, pizza. Amanhã eu vô levar uma massa alho e óleo.

(risos)

Ph: Exatamente... Mas a questão que a gente tem que prestar atenção, Maurício e Jurandir. A culpa não é do Jurandir...

Juras: Você também come Raphael!

Ph: Nunca comi no cinema não, meu amigo.

Juras: Que absurdo, que absurdo. O Raphael...

Ph: Nada disso!

Juras: Raphael, eu vô pagar uma promessa, uma dívida com meus leitores e ouvintes e tirar uma foto do Raphael enquanto ele tiver comendo no cinema e vocês vão ver.

Ph: Vai ser impossível, Jurandir. Vai ser impossível. Você vai ter que me pagar pra tirar essa foto.

Juras: Você vai se policiar agora...

Ph: 10 minutos antes do filme, oh...Presta atenção, Maurício. Presta atenção...Sabe qual é o problema também? É a pressa. 10 minutos antes de começar o filme, o Jurandir chega: “ehhhh! Mc Donald’s, Mc Donald’s”. Não, depois do filme a gente come. “Não, comer agora, macho. Comer agora. Vô ficar com fome na hora do filme? Comer agora, macho”. Aí a gente compra, senta, ele olha pro relógio: “Num vai dá tempo, não. Vamos pro cinema. Vamos pro cinema”.Aí vai aquela farofada, sabe e chega atrasado.

Juras: Eu vou defender um ponto de vista aqui. Não é culpa do Jurandir...

Ph: Uhumm...

Juras: Eu fui inserido...Não só eu como muita gente, inclusive você Raphael, inclusive muita gente que nós conhecemos...Que toda vez que vai ver um filme, come um chocolatizinho, toma um refrigerante, come uma pipoca, come um milhão de coisas. E existe hoje em dia essa relação comida e cinema. Eu num sei quem foi que criou isso. Num sei...

Ph: O próprio cinema.

Juras: É. Segundo vários vídeos que o Maurício fez lá no blog, foi o próprio cinema que colocou essa cultura pra aumentar ainda mais o faturamento do cinema, né? Porque parece que o que paga o cinema hoje em dia num é o ingresso e sim a pipoca que a galera compra, que é o dobro do valor do ingresso.

Ph: Porque nós temos que observar que é uma empresa, né cara? Uma empresa que tá ali por trás que abre diversos ramos diferentes. O carro-chefe é a sala de cinema, mas ele também vai ganhar dinheiro com a pipoca de mil reais. Que pelo amor de Deus, cara. Outra coisa, quem come dentro do cinema, faça a pipoca em casa, num vá comprar ali não, meu filho.

(risos)

Mau: Não, olha só, a para da aqui é séria. Vamos falar sério sobre isso, entendeu? Eu quero falar algumas coisas aqui, tipo num é só nem o barulho. Começa com a pipoca, aí dentro do Pipocas do Sr. Sal, o blog...Começa com a pipoca, até pro povo olhar, se interessar e começar a acessar o blog, mas é uma declaração que o cinema tá largado, o cinema hoje tá mal administrado, entendeu? Os cinemas do...tu chega num multiplex desses e tu não consegue enxergar os filmes, tem que olhar naquelas tevezinhas de merda, pequenininha, não existe alguém bem informado sobre as sessões, o que tá acontecendo. É que nem a questão desses outros fast foods, dessa outras multinacionais, onde ninguém é bem treinado. Tá muito mal treinado o pessoal do cinema, o som do cinema tá horrível, pode até comer pipoca, mas vai aumentar o som do cinema, caralho!

Ph: Isso aí também é relevante, porque quando a gente chega, hoje não tem mais cartaz em frente às bilheterias. O cartaz está em frente a bomboniere.

Juras: É.

Ph: A bomboniere. Em primeiro lugar, porque primeiro vem a bomboniere.

Juras: Acho que é pra chamar atenção, né cara?

Ph: Exatamente. E a bomboniere está aonde, Jurandir e Maurício? Em frente à fila de onde tu está meia hora em pé esperando andar, tá vendo? É tudo uma questão de marketing, essas coisas todas. De organização.

Mau: Mas então cara, eu acho que a gente tem que... assim cara...mundo capitalista, enfim, organização, marketing rege a gente desde muito pequeninho. Nós, nossos pais, nossos avós, nossos tataravôs, o cacete, só que agora ele tá entrando no ramo que é meu, pessoal, visceral, que é o cinema e eu não vou aturar isso, entendeu?! Ele tá invadindo minha vida, que é só o cinema minha vida e ele conseguiu atingir a minha vida e eu tô puto da cara com isso.

Ph: É, porque tem aquela coisa, né? Você paga e por mais que seja um local, digamos público, no exato momento que você sentou naquela cadeirinha, tem um bracinho de um lado, um bracinho do outro, aquele espaço dali é teu, é particular, certo? Você quer ter o seu tipo de sossego, no limite que um local público proporciona, você quer o seu sossego. É como você estar num ônibus lendo um livro, o cara chega: “ei, ei, que horas são? Ei mano, tu viu a batida que teve ontem? Ei mano...”

Juras: Os se tocas...

Ph: É como chegar pra ele e “ei num tá vendo não?”

Mau: Mas Raphael, você pode ter certeza de que até no ônibus existe esse absurdo do silêncio, no elevador tem silêncio.

Ph: No elevador tem silêncio. Todo cinema deveria ser dentro do elevador.

Mau: Exatamente!!!

(risos)

Juras: Essa cultura, cara, essa cultura de comer dentro do cinema ela vem muito também do estádio, por exemplo, que tem muita gente que ao invés de ir só pra assistir o jogo fica bebendo...

Ph: Não, não.

Juras:...come espetinho, come num sei o quê, come churrasquinho...

Mau: Tem a ver sim, tem a ver, até porque hoje as salas de cinema hoje são chamadas de stadium...

Juras: É arena, né?

Mau: Elas são no formato de estádio.

Juras: Verdade.

Mau: Isso aí é de total relevância. Hoje em dia tá virado num estádio: (cantando) We will, we will, rock you.

Ph: Não é a tela que está subindo, são as cadeiras que estão subindo. Por exemplo, num teatro, no teatro, você tá projetando seu olhar pra cima, que você tá olhando pra um palco, né? Tá olhando pra um pedestal e no teatro não tem esse negócio de zoada, não tem neguinho comendo pipoca...

Juras: Até porque se você quiser zoada, o ator lá em cima reclama: “Ehh porra, cala a boca aí, caralho!”. Inclusive tem a lei do celular, né Maurício? Que não funciona, entendeu? (risos) É uma lei que não funciona.

Mau: Até vou pedir só um segundo de vocês.

Juras: Fala aí.

Mau: Que eu vou ler essa porra dessa lei, tá? É um segundinho só, não é nem nada demais, é só uma linha, mas vale, interessante ler essa porra.

Ph: Maurício aí tirando seus papiros da década de 20. (risos)

A primeira lei do celular.

Mau: Deputada Cidinha Campos, tá? Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

As salas de cinema. Art.1...., na verdade essa lei aqui é sobre a compra de produtos fora da bomboniere, não é sobre a lei do celular, vamo lá..., as salas de cinema, lazer e cultura permitirão o ingresso do consumidor portando produtos alimentícios comprados fora do estabelecimento, não se aplicará o disposto na presente lei, quando o produto comprado pelo consumidor no exterior do estabelecimento colocar em risco a segurança e a integridade física do público no interior deste, tais como garrafas de vidro e latas de alumínio. O descumprimento ao que dispõe a presente lei acarretará ao infrator a multa no valor de 1000 firs, tá? A justificativa dessa lei é baseada no Cinemark, no grupo, oh... ressalte-se o fato de que a sala de cinema do grupo Cinemark proíbem a entrada dos expectadores portando alimentos comprados fora do mesmo, o fato constrange o consumidor e o obriga a comprar alimento nas lojas da rede de cinemas que cobram preços abusivos, ou seja, essa lei foi feita em cima do Cinemark que dizia que só podia comprar na sua bomboniere e o pessoal queria comprar fora e hoje pode, enfim, essa porra dessa lei ajuda as pessoas a comprarem nos shoppings, trazerem comida de casa. Acho que isso piorou a porra, entendeu?

Juras: Antes era proibido em todos os cinemas você entrar com alimentos de outros lugares, a não ser da bomboniere.

Ph: É porque essa lei, viu heim, Maurício? Perdeu o sentido de lei e ganhou o sentido de incentivo.

Mau: Exatamente.

Ph: Ela não tá ditando regra, na verdade ela tá incentivando, oh: “Tá na lei, cara. Vô levar de casa, levar aqui meu hambúrguer, salame, feito de três dias pra pão mofado”, sabe? Porque tem também os tipos... Vô contar logo as histórias, começar a contar historinhas. Outro dia eu fui no cinema com um amigo meu, amigos meus, daí sempre entra uma metade pra guardar o canto , né? E a outra metade vai fazer alguma coisa, que eu não sei o que é, vai mijar, etc. Daí o cidadão foi, entra lá, senta lá, guarda lá o canto, que eu vô ali. Beleza. Fui lá sentei, guardei o cantinho, três cantos e tudo, e nada do cidadão chegar. Nada. Nada. Nada. Deu cinco minutos de filme, chega um cidadão com uma pizza na mão, uma Coca Cola de 2 litros e quando eu reconheço era a criatura do meu amigo.

Mau: Puta que pariu.

Ph: Ele sentou e eu disse: não, num vai comer não essa pizza aqui. Num vai. Num vai. Que eu vou rebolar lá na frente. Eu me senti incomodado com a pizza e pra ele tanto fez. Num sei o que, que aqui todo mundo faz isso e o pior que todo mundo fazia isso. Por exemplo, amigos do Jurandir compram salgadinho lá, saco de pipoca, sabe? Isso incomoda, até porque você perde...

Mau: Deixa eu dizer um negócio, Raphael. Raphael, desculpa te interromper, mas é o seguinte, eu fui ver Seven, tá? Isso que Seven é de 94, né? 95. Os sete pecados capitais. Tinha um cara se masturbando no cinema.

Juras: Vixi Maria!

Ph: Não, tá brincando, cara.

Mau: Juro por Deus, que se não tivesse minha prima pra dizer, ela que tava atrás de mim e disse: “Mau, tem um cara que não para de olhar pra guria”. Aí eu olhei e tinha um velho que não parava de olhar pra guria, mas aí beleza, continuei vendo o filme, FILMAÇO! Mas aí: “Mau, o cara não para de tirar o olho da guria”. Eu olho pra trás, o cara tava se masturbando, véio. Uma cadeira, do lado da minha prima, vazia. Tava minha prima, uma cadeira vazia e o cara se masturbando e a guria apavorada. Não sei se o cara disse: “oh guria, tu não fala nada”. A guria tava apavorada e o cara se masturbando, ou seja, cara, isso foi a mais de dez anos atrás, já em cinema multiplex do shopping.

Ph: Noção de privacidade e pudor e... nada, né?

Mau: Tava precisando hoje de uma vistoria, cara. Não vamos esquecer o caso de novo, uma coisa semelhante, o filme do David Fincher, Clube da Luta, o cara lá em São Paulo entrou com uma USI e metralhou.

Juras: É verdade.

Ph: É verdade. Lá no...

Mau: A parada é séria, o pessoal tem que fazer alguma coisa. Essa lei ali oh, é proibido latas de alumínio, garrafas de vidro...

Juras: Todo mundo entra com latinha, né? De Coca Cola.

Mau: Todo mundo entra, cara. Todo mundo entra. Não dá, cara. Tem que se feito. Ah, aí tu que quer virar cinema numa coisa que seja policiada, tem que ser policiada. Talvez se for policiada, tiver detector de metais, a coisa fica mais séria aí vão entender que a coisa é mais séria que isso aí.

Ph: E uma coisa que eu sinto falta, num sei nos outros Estados, lanterninha morreu, né?

Juras: É. Não existe mais lanterninha. Na verdade ele aparece no começo e no final do filme.

Ph: Pior ainda, quando você sai pra reclamar de alguma situação dentro, você tem que rodar, tem que rodar 1.000, 600.000 vezes. Você volta, se o filme for Senhor dos Anéis, já acabou a trilogia toda.

Mau: Exatamente. Outra coisa é o seguinte, cara. Essa lei do celular, por exemplo, o cara vai ter que sair da sala de cinema, chamar o gerente pra dizer que tem alguém com celular, vai perder o filme dele, vai se expor, porque vai ter que apontar o dedo: “Oh lá o Jurandir lá com telefone”, entendeu? Ele vai se fuder, vai levar um pau depois na saída, então quem é que vai fazer essa vistoria? Tá muito mal administrado isso aí. Como é que vão ser resolvidas essas coisas todas? Outra coisa, aqui no multiplex também, de Porto Alegre, foi assaltada a sessão do Náufrago, Tom Hanks lá, tem três horas de filme, o cara rendeu durante três horas o pessoal, assaltou a sala inteira.

Ph: Puta merda...

Mau: Ou seja, num dá mais pra acontecer isso, cara.

Juras: Infelizmente acontece mesmo. Aqui já aconteceu, parece que foi um casal que tava assistindo um filme e fizeram aquele seqüestro relâmpago com esse casal, sacaram um dinheiro e tudo mais, entendeu? E você não vê isso na imprensa.

Mau: Eles não põem, cara! Eles não põem.

Ph: Eles não põem, mas é porque são imprensas muito fortes. Geralmente empresas de cinema, eu não sei como é nos outros Estados, mas aqui um monopólio total. É muito dinheiro, sabe? É muita coisa por trás...

Juras: Coisas erradas nos cinemas menores você escuta, entendeu? Os grandes, você num fica sabendo de nada, entendeu? Existe uma lenda que aconteceu, mas você não sabe se é verdade ou não.

Ph: Agora voltando aí um pouco pra questão da educação, o que acontece hoje também, convenhamos, o carro-chefe dos mal educados são certos grupos de jovens que vão, passam a semana toda avacalhando nas aulas, né? Aproveita o fim de semana pra avacalhar dentro do cinema com aqueles que querem paz, digamos assim. Antigamente, pelo menos na minha época, eu respeitava quem era mais velho a mim. A questão é: a gente foi assistir Eragon, num foi Jurandir?

Juras: Foi.

Ph: E sentou, sentaram marginais atrás da gente, né?

Juras: É. Os marginais...os mirins.

Ph: Tomara que eles estejam escutando isso. Se você tiver escutando, vá pra puta que pariu! Você e todos os seus amigos! Aí o filme já era ruim. O Eragon já era terrível, a gente já sentou num canto ruim, porque o cinema estava completamente lotado.

Juras: Era num feriado, né Raphael?

Ph: Era feriado. Até Jesus entrou no cinema. O que acontece: os cara aperriando, os cara aperriando, aí o Jurandir ficando puto, né? Eu “calma Jurandir, calma, porque quando começar o filme eles vão se aquietar, eles vão querer assistir o filme. Doce ilusão. PIOROU. O Jurandir, né? Um cidadão que luta por seus direitos, se virou e disse a seguinte frase: “Ei fera, faz silêncio aí!”. Conseqüentemente, os infelizes aumentaram o nível de frescura dentro do cinema, mas o pior, agora foi tudo voltado pro Jurandir. Um fazia uma zoada e o outro “ei fera, ei! ei fera, ei! O fera aí vai brigar contigo, fera”. Eu não queria mais saber de filme. Eu não queria mais saber de nada. Eu tava pra me levantar ali e dar uma voadora na testa daquele infeliz, cara.

Mau: Isso que eu tô dizendo, cara. A coisa...o que a gente tem que conversar então? Me diz o que pode ser tomado quanto a isso, porque não adianta também a gente discutindo aqui, porque nós estamos gerando que o pessoal vá pro cinema pra brigar com esses que estão fazendo alguma coisa. Eu também já cansei de fazer...os trailers, cara, pra mim é sagrado. Tu vai no cinema pra ver aquele espetáculo. Eu quero ver os trailers, cara e o pessoal fica conversando.

Ph: Eu quero ver os trailers. Os trailers, pra mim, faz parte da sessão.

Mau: Claro! Então já nos trailers eu começo: “shiiiiii” e vai, é clássico, o pessoal começa “shiiii”, a forçar o “shiiii”, daí enche o saco. Não é isso talvez, eu conversei com uma pessoa, que disse uma vez, que deu a idéia: o cinema então vai ter que chegar no cúmulo de ter que ter a sessão de quem come e a de quem não come!

Ph: Perfeito.

Mau: Você separa pra um lado, que nem fumantes e não fumantes em restaurante. Duas sessões, por exemplo, vai estrear Os Simpsons, daí tem duas sessões, a sala pra quem come e a sala pra quem não come. Então usa essas oito salas pro bem, cara. Eles usam oito salas pra passar oito filmes diferentes, não! Vamo mudar, vamos fazer com que essas oito salas passem quatro filmes com pipoca e quatro filmes sem pipoca.

Juras: Mas, Maurício, tu tá esquecendo de um ponto. Se coloca pra uma empresa que hoje em dia não dá bilheteria, a bilheteria não sustenta mais cinema. Ela precisa vender.

Mau: Tá, mas então a parada tem que ser essa, Jurandir. Vamo alertar o povo que o cinema tá fudido, entendeu? Que o cinema tá largado, seja por causa da pirataria, por causa de tudo. O pessoal vai ter que fazer. Então as empresas tão tomando essas providências. Quer botar comida pra salvar o cinema, mas isso tá ridículo, cara! Não pode ser que o cinema seja resgatado por comida, então o que esses porra de empresário falem abertamente: “Povo, a gente precisa de vocês nas salas”. Façam uma campanha pro pessoal ir pras salas de cinema, mas não ilude, cara, fazendo com pipoca. Tá escondendo, tá escondendo o problema e criando tumulto. Tá criando tumulto isso, cara.

Juras: Eles humanizam as pipocas, né Maurício?

Mau: Isso é um absurdo, cara. Vocês devem conhecer aí as salas de cinema e eu vou dizer aqui abertamente: o grupo Artplex...vergonha o grupo Artplex, vergonha o que vocês fazem. Botaram uma vinheta como nós sendo pipocas, as pessoas...

(risos)

Mau: O alerta deles pra segurança, o pessoal não ouve, cara. Não ouvem onde é a emergência. Eles tão fazendo como se fosse uma animação bem divertida, vamos informar com diversão. Eles fazem a vinhetinha, animadinha com trocentas pipocas pessoas e quando vai começar: “ Preparem-se, pois a sessão já vai começar”...

Ph: “...bom filme”.

Mau: Aí as pipoquinhas começam a balançar. Aí tu imagina, cara, se fosse real isso. Imagina uma sala com 400 pessoas comendo pipoca e pulando como tá na vinheta...

Juras: Como é que foi o caso do Duro de Matar, Maurício? Saiu do cinema e tudo.

Mau: Ah cara, Duro de Matar foi só mais um. Eu saí na Rainha, saí no Último Rei da Escócia, eu saí quase nas 15 últimas sessões que eu fui, cara. Eu falei com todos os gerentes de Porto Alegre já, cara. Todos. E eles não podem fazer nada, porque eles dizem: “ Quem manda é a matriz, quem manda é a matriz. Nós só estamos fazendo o que eles estão mandando”. Então, eles não têm poder nenhum, cara. E o que é pior, tu perde a sessão, aí o gerente vem assim: “Ah...toma a cortesia e volta outra vez”. Não, eu não quero essa cortesia! Eu não quero nunca mais voltar nesse cinema!

Ph: Eu num quero a cortesia, porque na próxima sessão eu vou sair de novo.

Mau: O problema é esse, Raphael. Cortesia é o papel. Cortesia deveria ele ser cortês, o cinema ser cortês e perguntar: “Vocês tão se sentindo bem?”. Cara, esse programa de vocês aqui é legal, o Cinema com Rapadura é um site respeitado, então nós temos que, não só discutir os problemas, mas também algumas maneiras de como conseguir resolver, entendeu?

Ph: Até as pessoas que forem comentar nesse programa, escrever, né?...

Juras: Opiniões...

Ph: ...dando sugestões.

Juras: Lembrem-se que essas sugestões, o Maurício vai fazer o possível pra tentar levar pras gerências, né Maurício? Pra tentar colocar em prática alguma coisa, pensar de alguma forma pra, juntos, pra que a gente possa mudar alguma coisa. Só que eu, particularmente, eu não acho que seja um problema brasileiro. Pipoca virou sinônimo de cinema em todo o lugar do mundo.

Mau: Eu não falo que é do Brasil, mas nós estamos morando no Brasil, cara. Vamo resolver aqui. Claro, a parada é mundial, cara. A parada é mundial. Eu vou botar no Google, tá? Pra procurar sobre leis eu botei no Google: “pipoca e cinema”. Apareceu 30 milhões de sites: “Cinema com pipoca”, “cinema e pipoca”, “cinema pipocando”, “pipocando no cinema”...

(risos)

Juras: Pipoca virou sinônimo de cinema, né cara?

Ph: A questão é tão complicada e as pessoas aceitam tão fácil propagandas e mensagens subliminares e aquelas mensagens...ééé...aquele tipo de propaganda que você acha que não tá percebendo, mas no fundo, tu tá participando de tudo, tu é o ativo daquela questão ali. Outro dia, sessão de Piratas do Caribe, o cinema, o maior cinema de Iguatemi, lotadíssimo. Eu me assustei, porque eu entrei e tinha um cara vendendo pipoca dentro do cinema.

Juras: Dentro do cinema. É verdade. Com um carrinho de pipoca.

Ph: A bomboniere foi pra dentro do cinema, Maurício.

Juras: Dentro da sala. DENTRO!

Ph: Dentro da sala! Dentro da sala...

Juras: Passando os trailers e PORRA ali da pipoca, do carrinho de pipoca aceso.

Mau: E passando os trailers?

Ph: Passando os trailers...Baixaram as luzes. Aí foi que o cara se tocou: “Ah! Acho que eu tenho que abaixar a luz também, né?”. Aí diminui a luz e saiu com seu carrinho. Sabe? Se eu fosse reclamar, o que é que ia adiantar? Nada. Se eu fosse reclamar não ia ser nada, por que? Porque tava uma fila de gente comprando.

Mau: Vou dar uma pausa no que o Raphael tá falando, porque isso acontece com todo mundo: “Ah! E se eu for lá?”. Num dos capítulos, no terceiro capítulo lá do blog fala sobre isso. Eu entrevistei um cara que disse, eu pergunto: cara, tu já saiu do cinema? Ninguém sai do cinema, cara. Mas eu saio e sou tido como um chato, mas eu saio. Agora ninguém sai. Primeiro tem medo de causar muvuca, vai dar briga, geralmente as pessoas que vão tão com namoradas e as namoradas falam: “Não amor. Num vai lá. Vai dá briga. Deixa”.

Ph: Aqui dá briga.

Juras: Ou então fala: “É besteira, é besteira. Passa aí”.

Ph: Se tu levantar, for reclamar e voltar com o gerente o cinema todo vaia: “ehhhhhhhh”...

Juras: “Sai daí mongol, num sei o quê”...

Ph: “Ei, senta aí, mano. Abestado!”. Tu vira o vilão da história, sabe?

Mau: O que eu tava falando era o seguinte: o teatro, por exemplo, é um pedaço de pano, um microfone, sei lá o quê, tá? E todo mundo fica quieto, cara. O cinema é 200 milhões investidos, 1.500 técnicos, pra não dizer muito mais do que isso, né? Os caras trabalham anos por causa do som, editar som, o pessoal que vai no cinema não vê o Oscar, tá lá, tem os técnicos, melhor edição de som, melhor efeitos sonoros...isso tu não ouve, cara. Quem come ouve a sua mandíbula, ouve o seu mastigar. Eu acho que é isso, cara. É meio que cultural. Vamos se ligar que tem todo esse processo no cinema que a gente tem que ouvir. Eu não quero proibir nada. Eu não quero que abaixo as pipocas, mas sim que o pessoal se toque que pode comer depois. Come antes. Come sua pipoca ali no hall, no lobby. Não come dentro, cara! Come depois, Jurandir, teu Mc Donald’s!

(risos)

Mau: Ou então, as empresas que tão vendendo essas coisas, eu vou tentar de alguma maneira atacar elas, no bom sentido. Chegar até elas e dizer cara, tipo assim, o Mc Donald’s, de 100% das pessoas, 90% vai no cinema comendo o produto do Mc Donald’s, então tá na hora do Mc Donald’s melhorar os seus papéis, papéis com menos barulho. Pergunte pro cliente.

Ph: Papel com menos barulho? (risos)

Juras: É, cara. É porque tem alimento que você abre e ele faz um barulho absurdo. Assim, oh...(barulho de papel amassando) Sabe? Que absurdo é, oh.

Mau: Esse barulho.

Juras: Tu imagina todo mundo fazendo isso? Isso é realmente fato. Isso é fato. Principalmente aquelas pessoas que vão no Extra da vida ou nas Lojas Americanas e compra chocolate, compra um Rufles, compra uma Coca Cola...

Ph: Sabe que aquele chocolate em barra não faz zoada. Sabe o que faz zoada? Aquelas barrinhas de cereais, cara.

Juras: Não, mas se você reparar o que faz mais zoada...

Ph: É incrível como aqueles saquinhos faz barulho.

Juras: O que faz mais barulho, Raphael, é o saco do supermercado.

Ph: Aé?

Juras: A pessoa chega e (barulho do saco) e vai abrindo e num consegue abrir direito e pega, solta, pega de novo, solta, pega de novo, solta.

Mau: Tem um deputado, cara, de Minas Gerais que estava fazendo o estatuto do cinéfilo. Nesse estatuto ele põe um artigo onde é obrigado, na sala de cinema, terem guarda-volume, ou seja, tu vai que nem biblioteca de faculdade, chega no cinema, pega uma chavezinha, põe as sacolas, fecha e entra no cinema só com corpo e alma.

Juras: Legal. Isso é bom.

Mau: Eu acho uma ótima idéia.

Ph: É maravilhoso! Isso aqui é perfeito. Tu vai, guarda tua bolsa, vai pro cinema, assisti o filme. Quando volta...

Juras: Cadê a bolsa?

Mau:...pega suas coisinhas.

Juras: A bolsa num tá mais lá.

Mau: Não...tu vai ter a sua chave.

Juras: É como academia, né? Ou faculdade.

Mau: Academia, biblioteca também. Biblioteca é isso, cara. Biblioteca num tem barulho, cara. E teatro não tem barulho. Vamo parar com essa porra, vamo parar de rir, isso é SÉRIO!!!

Ph: Maurício, Maurício, você concorda...

Juras: Cinema é arte, cara. Então tem que ser apreciado dessa forma.

Ph: Oh...presta atenção. Você concorda comigo que se você for numas sessões de arte, você não encontra isso.

Mau: Mas é obvio. Museu, nunca no museu, entrar com pipoca num museu. Nunca vou entrar com pipoca. Vou fazer um vídeo, cara, na porta do teatro. Ninguém entra. Uma, chegamos à conclusão, então, que só é feito no cinema, porque fica escuro e porque não é pessoal. O Bruce Willis não vai olhar pra tela e dizer: “Oh gorda, para de comer essa pipoca!”.

(risos)

Ph: Não. Mas o que eu tô levantando, acho que não entendeu. Tu não entendeu. O espaço físico daquele cinema de arte, quando eu falo cinema de arte eu falo daquele filme de arte que vai passar.

Juras: Aquelas sessões, sabe?

Ph: É o mesmo, o espaço físico é o mesmo...

Mau: Tá, tá.

Ph: O local é o mesmo...

Se o filme for o primeiro filme caseiro do Almodóvar não vai ter neguinho...

Juras: Aparece neguinho se masturbando, mas comendo não.

Ph: Porque a questão é de educação, cara. Isso...vá na estréia de um filme que não foi tão badalado, é aquele filme mais cabeça, mais pensamento, blá, blá, blá e coisa e tal, e vá na estréia de Homem Aranha, Shrek e companhia. Na estréia de Homem Aranha, o cara simplesmente se levantou na cadeira e baixou as calças, colocou a bunda pra fora, cara.

Juras: Isso acontece sempre. Isso não é lenda urbana, não é mentira e tudo. Isso é verdade. Principalmente...

Ph: Eu vi, eu tava, eu tava atrás da bunda. Esse é o problema.

Juras: O cinema tem dois andares, Maurício e teve uma sessão de Batman - O Retorno que eu não esqueço nunca mais. Batman - O Retorno, 1910, que um cidadão, ele tava no segundo andar e, ele mijou lá pra baixo.

(risos)

Juras: E não tinha porra de lanterninha, segurança, ninguém reclamou, começou a rir, começou a jogar pipoca lá embaixo também. Teve um cara que jogou um tênis lá embaixo. Aí tu pensa que é brincadeira minha. É não. Aconteceu. Eu tava lá. Eu vi essa sessão. Virou a sessão clássica daquela cidade. “Ah, cara, tu tava naquela sessão?”.

Mau: Então é isso. Somatiza tudo, tá?: mijo, bunda aparecendo, masturbação, assassinato. Tudo isso aconteceu no cinema, cara.

Juras: É.

Mau: Não tá na hora de alguma coisa mudar? Tá na hora de mudar.

Juras: Com certeza.

Mau: Assassinato, cara. O cara entrou com uma USI dentro do cinema.

Ph: Imitando Doom. Imitando Duke Nukem, né?

Juras: A não ser que o que, uma solução, talvez, até barata, ao invés de lei e tudo: voltar colocar um lanterninha e um segurança em cada cinema. Fez barulho, vai lá adverte. Fez barulho de novo, adverte. Fez de novo, bota pra fora.

Mau: Eu não acho que tem que ter adversão. Adversão que é o problema. As cadeiras têm que ser numeradas. Tu comprou a cadeira 42, depois no final do filme, tu vai ser chamado: “Ah, tu é da cadeira 42, mostra teu ingresso”. Aí tu vai mostrar lá: “É. 42. Vem comigo. O senhor vai ser advertido em 1000 firs”. Porque isso é lei, cara. Não pode e eu quero colocar esses vídeos aí no blog, porque eu quero provar que se celular não pode...Isso nós não falamos aqui até agora. O barulho do celular, se o celular toca, o cara vai se ligar e “desculpa aí”, ele não quer fazer com propósito e vai desligar...

Juras: É verdade.

Mau: Só que aí o cara come durante duas horas, o cara faz barulho durante duas horas e ninguém faz nada sobre isso, então, ou seja, eu quero dizer que 400 pipocas sendo comidas fazem mais barulho que um único celular e, esse único celular é proibido por lei e dá 1000 firs de multa.

Juras: A gente tem que começar a medir, Maurício, coisas que acontecem e coisas que não acontecem. Nunca vai ter uma sessão que 400 pessoas vão tá comendo pipoca.

Mau: Como não, cara?

Ph: Como não? Na, na, na, não! Pera aí! Vai que um dia aparece uma promoção compre um ingresso e ganhe uma pipoca.

Juras: De graça.

Ph: Aí fudeu. Aí fudeu.

Juras: Então isso é culpa do cinema. Então não é culpa da pessoa que compra a pipoca.

Ph: Mas é culpa de quem aceitou a pipoca e vai fazer zona com aquela zoada. Oh...o problema às vezes não é nem a pipoca, cara. O problema às vezes é a infra-estrutura que o cinema dá pra tu comer a pipoca dentro do cinema, porque não existe infra-estrutura pra tu comer essa pipoca.

Mau: Exatamente. Aí eu num tinha pensado. Eles não dão infra-estrutura pra aquilo que eles propõe. Exatamente, Raphael. Eles vão fazer uma sala maior ainda?

Ph: Faço-te a pergunta: onde é que tu coloca o refrigerante de 2 litros que tu compra? Pode entrar no cinema? Tá lá em lei, tá lá em lei, né? A lei tá dizendo que pode entra no cinema, mas aonde é que tu coloca?

Mau: Exatamente.

Ph: O refrigerante de 2 litros?

Juras: No chão, porque não cabe no bracinho da cadeira.

Ph: Terminou, terminou o refil lá do refrigerante, aí tu coloca aquela garrafinha lá. Passou um cidadão e chuta. Faz aquele (barulho de garrafa batendo).

Juras: Suja o cinema, né?

Ph: Suja o cinema, porque fica molhando aquilo ali. Tu sai sujando depois. Então é essa questão. Um simples chiclete, tu não vai ficar duas horas mascando um chiclete. Na bomboniere, eles vendem o chiclete. Sabe o que deveria ter? Saquinhos pra você colocar o chiclete quando terminar, no final você coloca lá. Cidadão prega debaixo da cadeira.

Juras: Debaixo da cadeira. É verdade. Ou então joga no chão e você pisa e não sabe da onde foi que veio esse chiclete. Você nunca vai imaginar que foi do cinema.

Mau: Mas esse é o problema, cara. Você sabe que são multinacionais e o dono do Cinemark pouco se importa com, cara. Ele quer vender, cara. Não existe mais cinema de bairro à la cinema paradiso, onde o cara é apaixonado pelo seu estabelecimento. O cara vai comprar uma cadeira nova se sujar a cadeira dele. A gente tem que se ligar é nisso. Na propaganda, como o Raphael falou, da bomboniere, que o cartaz tá maior que os cartazes. O bomboniere tá maior que qualquer coisa. Tu não vê o tamanho de bomboniere no tamanho do pôster de Duro de Matar. Isso aí tá um absurdo. É uma lavagem cerebral. Outra coisa...

Juras: Eles vendem a pipoca com a promoção pra ganhar um brinde do próprio filme, né cara?

Mau: Aí tu é ligado nisso. Os filhos, os brindes...

Juras: Eles casam.

Mau: É que nem Mc Donald’s, cara. Meu sobrinho de 6 anos. Quer comer Mc Donald’s toda hora, porque? Por causa do McLanche Feliz. Ele nem come o sanduíche, cara. Ele nem come.

Ph: A porra do McLanche Feliz, cara. Eu já vi pobres mães, coitadas, saindo com bandejas com sete McLanches Feliz. Meu Deus, a mulher tem uma creche. Quando eu olho, apenas dois meninos.

Mau: Porque os meninos querem o brinde, quer os brinquedo diferente.

Juras: E o sanduíche ainda é ruim, né cara? Do McLanche Feliz, que é só o pão e a carne.

Mau: Então eu acho que tem que mudar alguma coisa, cara. Achei a idéia do Raphael de o pessoal fazer as pipocas em casa e levarem, o que as pessoas não fazem em casa. As pessoas não vêem tela quente com um balde de pipoca, vão comer no cinema.

Juras: Mas tem gente que faz, Maurício.

Mau: Mas deve ser 1 a cada 100 que fazem em casa sua pipoquinha pra ver filme. O pessoal não chega assim: “ Aí, vai começar a tela quente!”.

Juras: Não! Quem nunca almoçou assistindo filme?

Ph: É diferente, Jurandir. É diferente.

Juras: Num é diferente, não. Você tá comendo da mesma forma!

Ph: Não, não, não, não. Pera aí...

Mau: Não, tá certo.

Ph: Está? Não, eu acho que é diferente. Você está dentro da sua casa.

Juras: Quem nunca jantou, comeu um lanche?

Ph: Não, não, não. Pera aí. É diferente. Não, não, não. É diferente. Você tá dentro da sua casa. Nós estamos pensando um local PU-BLÍ-CO, onde você tem que ter algumas...

Mau: Mas, Raphael. Mas, Raphael. Tu tá certo mas...

Juras: A questão cultural.

Mau: ...o Jurandir tá certo também em dizer que as pessoas, elas estão acostumadas. O que elas fazem em casa, vão repetir.

Juras: Elas tão relacionando cinema a comida, entendeu?

Ph: Mas a pergunta é...a pergunta é: foi a partir do cinema/pipoca que se criou o casa/almoço? Ou foi a partir do casa/almoço que se criou o cinema/pipoca?

Juras: Eu não faço a mínima idéia.

Mau: Casa/almoço.

Juras: Eu não faço a mínima idéia, porque eu não sei de quanto tempo vem a pipoca e o cinema relacionada. Deve ser desde a criação do cinema.

Mau: Casa/almoço. Vem antes. O casa/almoço vem antes. Ou não, né? O cinema vem desde de 1895. Vai saber lá, se em 1895 podia fumar até no cinema, naquela época.

Juras: É verdade.

Mau: Agora eu num sei, cara.

Juras: Será que não foi um marketing da indústria de milho casar?Será que os grandes estúdios não tem algum presidente de, algum presidente que seja, naquela época, que tivesse sido dono de um... ou produtor de milho de pipoca?

Ph: Isso é uma coisa a se investigar. Eu tava pensando aqui: que raios tem a ver pipoca e cinema? Só pode ser pipoca. Aquelas bomboniere só vendem pipoca. Só pode ser pipoca. Num pode ser um pedaço de pizza, tem que ser pipoca. Por que pipoca?

Juras: Num podia ser churrasco?

Ph: É. Um churrasquinho.

Mau: A questão é essa: Da onde veio a pipoca. Mas a partir do momento que tu libera a comida, então eu posso ir hoje assistir Simpsons com um prato de massa alho e óleo. É isso?

Juras: Se tu quiser ir, tu pode. E ninguém vai falar nada, entendeu?

Ph: E se falar, a resposta está pronta: meu amigo, aqui dentro eu faço o que eu quiser. Tá na lei.

Juras: Eu paguei o ingresso, né? Porque a pessoa paga o ingresso e se sente no direito...

Ph: Tô pagando. Tô pagando.

Juras:...de fazer tudo que quiser.

Mau: Eu sou obrigado...eu sou alérgico a pipoca, eu sou obrigado a sentir cheiro de manteiga, cara? Aquele cheiro é nojento.

Ph: Se você for alérgico a pipoca, ou você vai pras primeiras cadeiras que não estão ocupadas ou não vai ao cinema.

Juras: Ou processa. Você pode processar o departamento, o local por não oferecer condições pra você assistir.

Mau: Exatamente. Assim como as pessoas deficientes físicas, que lutaram muito pra conseguir seu espaço dentro do cinema e, tem o que? Uma cadeirinha ou duas pra pessoa que tem deficiência física.

Ph: E ainda é aquela cadeira que a pessoa vai criar outra deficiência, né? Uma deficiência na coluna, porque vai ter que assistir olhando pra cima.

Juras: É. Porque são as primeiras cadeiras.

Ph: São as primeiras cadeiras.

Mau: Isso ninguém faz, cara. Você já viu deficiente físico que vai no cinema? Me diz a última vez que tu viu um deficiente físico no cinema. Eles não vão, cara.

Juras: Faz tempo que eu não vejo mesmo.

Ph: Eu vi na sessão que um cara levantou-se e botou a bunda pra fora.

Mau: Mas quantos eram? Quantos eram? Um só, né?

Ph: Apenas um, rodeado de toda a família, né? Que com certeza foi, porque toda família foi. Voltando ao assunto, só pra continuar o fio do pensamento, o importante de entrar nessa campanha de conscientização e etc, é que precisa saber como entrar, né? Porque não pode simplesmente criar um embate, tem que saber o porquê da cultura da pipoca no cinema, pra assim chegar na pessoa e dizer: “Oh, tu tá sendo enganada”.

Juras: Não é só a cultura. A gente tá pegando a pipoca...

Ph: É um exemplo.

Juras:...como exemplo, entendeu? Porque a gente ia ter que falar o porquê da cultura do Mc Donald’s no cinema. A gente tá falando da cultura da comida. E eu tô incluso. Eu tô incluso nisso, mas eu sempre fiz questão de tentar não incomodar quem tá presente na sala do cinema, até porque eu já presenciei casos dos mais absurdos.

Mau: Tu tá fazendo isso, porque tu tem um site de cinema, é um admirador do cinema. Agora tem gente que não tem esse cuidado que tu tem.

Ph: Não, mas isso é fato. O Jurandir já entrou com comida dentro do cinema e eu também já entrei. Tô me entregando. Mas quando a gente faz isso, a gente vai lá pra aquele cantinho lá de cima, ninguém senta ali. Longe de todo mundo.

Juras: E a gente faz questão de não fazer barulho, entendeu? É tanto que eu até comentei com o Maurício: existe a diferença entre gente que... a gente entra dez minutos antes, começou os trailers, a gente tá praticamente acabando o sanduíche, entendeu?

Ph: É. Mas a pessoa chega em cima da hora ou melhor chega atrasada e ainda tem aquela coisa, todo mundo que entra no cinema, por mais que você esteja entretido com o filme, vai chamar a tua atenção. É como você estar assistindo aula e o cara entra, sai, mija mil vezes. Tu vai olhar quem é aquela pessoa. Entrou aquela pessoa, saiu, por mais que você não esteja esperando a pessoa entra ou sair, você vai desviar o olhar.

Mau: E teatro não pode, né?

Ph: Teatro não.

Mau: Tocou a sineta...

Ph: Tocou a terceira, já foi.

Juras: Eu acho que incomoda mais, a pessoa ao invés de fazer o que eu faço, comer no começo da sessão e pronto, encerrar ali, começou o filme, acabou, no meio da porra da sessão, a pessoa abrir uma sacola e passar dez minutos procurando um chocolate dentro da sacola, entendeu?

Mau: Mas ela faz isso, Jurandir. Ela come o sanduíche, aí depois, no meio da coisa, ela come a sobremesa, que é o chocolate e no finalzinho ela come a balinha pra tirar o bafo. Então tá foda, cara. Eu acho assim, ou já pega suas balinhas e já põe na mão, que não faz barulho ou põe em algum lugar que não faça barulho. Tira todo negócio que você vai comer: esse é o meu arsenal, então, põe numa bandejinha, já. Espalha tudo numa bandejinha. Não, é tudo em sacos, cara. Cada coisa num saquinho.

Ph: Exatamente. E, se masturbe antes de entrar na sessão, por favor.

Juras: Tem banheiro lá pra isso, né cara? E outra...

Ph: Pelo amor de Deus! Mas também no banheiro do shopping, não.

Juras: É assim, a pipoca...Você não consegue terminar uma pipoca antes do filme começar, entendeu? Praticamente dura a sessão toda. Ela é feita pra durar a sessão toda.

Ph: A pipoca é incrível.

Mau: É aí que tu se engana. Ela não é feita pra durar a sessão inteira. Só no tamanho e na propaganda, porque a pipoca esfria e é uma merda.

Juras: É verdade.

Ph: Então a pipoca do fundo é horrível.

Juras: E salgada.

Ph: A pipoca do fundo, sabe pra que que serve? Pra os ditos moleques ficar jogando nos outros.

Juras: Sujando o cinema, atrapalhando a sessão.

Ph: Sujando o cinema é o mínimo, porque tem um funcionário pra isso.

Juras: Mas num é porque a pessoa limpa que você tem que sujar.

Ph: É. Eu sei. Entendo. É o mínimo, na nossa discussão é o mínimo. Agora, tu tá pagando por um serviço e tu tá recebendo pipoca na cabeça.

Mau: Raphael, Jurandir, nós não falamos, vocês não falaram aqui sobre casos de som, vocês nunca tiveram problemas de som no cinema?

Juras: Vários.

Ph: Muitos. Não só de som.

Mau: Ou o som tá baixo, ou o stereo não tá ligado, o digital não tá ligado.

Juras: De projeção e tudo.

Mau: É. Então é isso, cara. É uma série de fatores. Quantas vezes eu saí da sala só pra avisas que aquela porta tava aberta e a luz do hall tava entrando na tela. Ninguém faz nada. Eu levantei.

Juras: Eu, como eu tenho contato com a gerência direto, muitas vezes eu já liguei: oh, a sala 8, a sessão, a projeção tá meio torta, a legenda tá ao contrário, o filme tá de cabeça pra baixo, entendeu?

Ph: Já aconteceu isso.

Juras: Pois é.

Ph: Eu fui assistir, eu lembro, um filme do Harry Potter lá, que além de estar de cabeça pra baixo, eu comprei uma sessão legendada e tava dublada.

Juras: Dublada. E outra, eu já fui numa sessão assistir Marcas da Violência e começou a passar Os Infiltrados.

(risos)

Juras: Isso é um absurdo, né cara?

Ph: Mas aí é mais fácil, viu o Maurício.

Juras: Não, não. Num foi não. Eu fui assistir Nanny McPhee, um filme com uma babá, pra criança e tudo e começou a passar Os Infiltrados, cara. Pra mulecada, sabe? Sorte que no começo não tem violência e tudo.

Ph: Mas essa questão pelo menos é mais fácil, porque tu trata...

Mau: É mais fácil, Raphael, mas tá no contexto da má administração.

Juras: Mal preparados, funcionários mal preparados.

Mau: Mal preparados, mal treinados, tudo!

Juras: Na bilheteria, muitas vezes você chega lá e num sabe qual filme assistir e na bilheteria não tem os nomes dos filmes, tem na tevezinha lá em cima que você tem que forçar a vista pra enxergar ou num papelzinho que tu pega lá fora, mas se você chega na pressa...

Ph: A tv, o mais engraçado da tv, é que tu tá na fila e tem que se virar pra tv, num tá olhando pra fila, certo? Tu tem que olhar cerca de 6 metros a tua frente, a tv, lá no final. Aí quando tá conseguindo chegar no filme que tu quer: “A fila!”.

Juras: Não! E outra. Ao invés da programação ficar fixa, muda pra uma propaganda de um combo de pipoca, entendeu?

Ph: Ah é. Kinomax.

Juras: Uma apresentaçãozinha do PowerPoint que fica a programação, aí muda pra propagando do combo de pipoca, aí muda pra programação, depois muda pra uma pré-estréia antecipada que você pode comprar, depois muda pra programação e pipoca. É sempre...fica nesse loop, loop, loop. Chega na bilheteria, não tem o nome do filme.

Ph: Os mal treinados, né?

Juras: Não tem o nome do filme e você pergunta: qual é o filme bom que tá passando? E o cara da bilheteria responde: “Eu num vi nenhum, não. Sei não”. Entendeu?

Ph: Ou então, pode não ter nem assistido, mas diz o filme que tá usando a camisa, né? Que tá fazendo a propaganda. Ou então você chega com um filme certo e pergunta os horários e a pessoa diz: “nove horas”. Sim, minha querida, todos os horários, que eu quero escolher, por favor. Vai cagar. Eu num tô pedindo favor, não. “Nove horas e dez horas”.

Juras: Parece que é uma má vontade absurda, né cara?

Ph: Não olham nem pra tua cara.

Juras: E olha que você tá pagando um ingresso que não é barato. Tem cinemas aqui que o ingresso é R$16,00. Então não é um lazer barato. Cinema é caro, pagar R$16,00 pra assistir um filme e ter problema de projeção, ter problema de som, ter problema de menino atrapalhando, e não ter nenhum zêlo...

Mau: ...e segurança.

Juras: Segurança.

Mau: A gente não falou aqui de segurança. O pessoal metralhou, cara. O pessoal aqui foi assaltado. Esquecer isso daí é grave. É duas horas que o pessoal fica no escuro. Aquelas salas, como o Raphael falou, aquelas salas ficam vazias, os corredores vazios, um quilômetro, até chegar a segurança, cara...não tem. O cara entra lá e vai na sala 8, porque ele sabe que a bilheteria fica a 40 metros, daí ele faz o que ele quer.

Juras: Ele faz assim: “Não gritem, não façam barulho. Quem fizer barulho leva um tiro na cabeça, então passa tudo”. Aí depois ele junta tudo, vai embora, o cara pensa que ele tá indo no banheiro e pronto, entendeu? É, porque já aconteceu isso e não é caso isolado. Aconteceu várias vezes de assalto em cinema, principalmente naquelas últimas sessões, que são de onze, dez, onze horas, umas sessões no meio da tarde. Aquela no meio da tarde, três horas, que ninguém vai, numa segunda-feira, numa terça-feira, que só tem uma pessoa dentro do cinema.

Ph: Já fui a sessão de filme grande, não é filminho, eu e mais duas pessoas dentro do cinema.

Juras: Principalmente naquelas sessões...Harry Potter chega em cinco salas. Na terceira semana ele continua em quatro salas e só uma dá público e as outras três ficam às moscas, então é sessão típica pra ter assalto, entendeu?

Ph: Aí, eu faço a pergunta: onde está o bosta do lanterninha?

Juras: Não tem.

Mau: Mas onde está as câmeras? A gente num esquece que esses cinemas que nós estamos falando, eles são cinemas que são situados em shoppings e, esses shoppings têm câmeras em tudo que é canto...

Ph: Correto. Corretíssimo.

Mau: Por que eles não colocam no cinema? Não pode ter cinema com câmera? É isso?

Ph: Não só no cinema, tudo bem não ter no cinema, mas nos corredores...

Mau: Que tudo bem, Raphael! Tá louco?! A gente já falou já de masturbação, a gente já falou de assalto, tem que ter dentro do cinema!

Ph: Eu tô falando, no caso de existir...

Juras: Seria uma boa solução.

Ph: Ótima solução, mas eu tô falando no caso de existir alguma lei proibindo de colocar câmera dentro da sala de cinema, tenha pelo menos nos corredores.

Mau: Mas isso deve ter.

Ph: Não tem não. Eu já observei e não tem. E eu sou agente treinado da CIA.

Mau: (risos)

Juras: Eu acho que uma coisa que deveria ser feito é, hoje em dia, existe muito a fidelização do cliente, né? De você comprar uma carteirinha e ter descontos com aquela carteirinha. Uma câmera no cinema, você vai conseguir identificar quais seus sócios que fazem bagunça no cinema, que fazem coisas erradas no cinema, com a câmera vai poder identificar a pessoa e falar: “Você vai ficar um mês sem poder assistir filme aqui”. Vai perder cliente? Pode perder, é melhor ter um cliente insatisfeito, do que 100 puto por causa de uma sessão que tinha uns moleques atrapalhando, entendeu?

Mau: Pode ter certeza, cara, que o cinema não vai perder dinheiro. Vai criar novos clientes, porque, na verdade, tem muita gente que não tá mais indo no cinema. As pessoas que fazem barulho nem gostam de cinema, eles vão pela patifaria.

Ph: É uma mulecagem.

Mau: Quem curte cinema e tem poder aquisitivo, que vai gastar com cinema e vai pagar o ingresso caro, ele tá deixando de ir pra alugar DVD em casa.

Juras: Exatamente.

Ph: Ou pra baixar na Internet.

Juras: Principalmente, baixar filme da Internet. Principalmente. E isso pode fazer uma relação também com futebol. Muita gente deixou de ir no estádio por causa da violência e, muita gente tá deixando de assistir filme, por causa dessas coisas que acontecem no cinema, entendeu? Então, qual é a solução? Eles querem banir as torcidas organizadas, querem colocar mais segurança, então coloque mais segurança dentro do cinema também, entendeu? Coloca lanterninha, coloca vigia free lancer, por exemplo, coloca lixos, no avião que você viaja, sei lá, uma hora, não tem lixos em cada poltrona, então coloca no cinema também, entendeu? Saquinho e tudo...

Ph: Outro problema que eu lembrei agora e há de ser levantado...

Mau: Mas o barulho, vai ser um barulho infernal o desse lixinho, vai ser outro barulho.

Juras: Só se for aquele...

Ph: Existe aquele papel bem fininho que não faz barulho. É o papel pano...

Mau: Naquela hora, tu riu de mim, né Raphael? Naquela hora tu riu de mim, “papel que não faz barulho?”

(risos, risos)

Ph: É verdade. Mas na verdade não é bem um papel, é mais um pano do que um papel. Mas outro problema que há de ser falado aqui: a questão dos cinemas estarem em shoppings, certo? Ultimamente, se você for sábado a noite, o Jurandir já deve ter presenciado isso, o juizado de menor está presente por causa do caos que é de menino ali. O caos, quando eu digo caos, é menino comendo menino, é assalto. Outro dia, e isso é fato, teve um arrastão aqui, dentro de um shopping.

Mau: Aqui também.

Ph: Torcidas organizadas estão marcando pelo orkut de brigarem, aonde?

Juras: No shopping, em estacionamento de shopping.

Ph: Dentro de shopping e, eles vêem o cinema, pra eles o cinema é uma loja do shopping, então se eles podem fazer isso no shopping, o cinema também tá aberto a isso.

Mau: Nós estamos tendo, cara, a real noção de que algo tem que ser feito. Tá perigoso, o negócio, tanto pra saúde mental quanto pra saúde física.

Juras: Com certeza.

Mau: Então eu só peço ao pessoal que assistir esse blog que tome a liberdade de criar até seus vídeos, mande também um e-mail pro Cinema com Rapadura e aí eu boto no blog, posto no blog o vídeo do youtube, aí eu pego o link e ponho no blog. Vamos fazer disso uma novela de verdade, uma novela com cada pessoa participando no país. O pessoal que realmente puder dar uma sugestão, venha com lei, com um fato que tá acontecendo na cidade, coloque no site Cinema com Rapadura. Vamos lá, ajudar isso aí!

Juras: Você que tem celular, aqueles que filmam, aconteceu uma merda no cinema, começa a filmar, projeção errada, começa a filmar pra gente postar no blog e dizer qual é o cinema, qual é a cidade, quando foi que aconteceu, pras pessoas começarem a ter noção que não é só blá blá blá aqui não, acontece, entendeu? Você pode mostrar. Eu já assisti uma sessão que tinha um tufo de cabelo assim na ponta do projetor, entendeu? Você via...

Ph: E eu lembro que você bateu foto.

Juras: Pois é. Bati foto.

Mau: Cadê a foto?

Juras: Eu não sei, tenho que achar. E era assim, você sabia que era cabelo, tanto que na metade do filme o cara assoprou e sumiu o cabelo, entendeu?

Ph: E a questão desse podcast que eu achei altamente relevante, ficamos um pouco sérios, mas brincamos também, afinal é o nosso estilo, mas eu achei altamente interessante, porque é um alerta, serve também de alerta pra aquelas pessoas que não tão enxergando isso, tão se incomodando, mas num conseguem enxergar isso. Eu desafio a cada um de vocês, que escutou esse podcast, levantar essa questão em rodas de amigos, mesas de bar, conversando com a família.

Juras: A gente sabe que uma pessoa não vai conseguir fazer com que a cultura, que a boa educação no cinema mude.

Mau: Eu começo por mim. Eu começo por mim dizendo, que há muito tempo eu tenho essa briga, não só coragem, porque a coragem é mediante a vontade, a vontade é mediante a coragem, ao apoio e, eu consegui botar isso no ar, e eu só tô conseguindo, porque vocês tão ajudando, ou seja, realmente eu só tô fazendo valer suas palavras, Jurandir, que isso não se faz sozinho, então, eu agradeço muito ao Raphael, Jurandir, Cinema com Rapadura, por estar podendo transmitir isso e vamos se unir, eu vou botar aqui no ar pra vocês e, tu não vai editar essa palavra, viu?

Juras: Tudo bem.

Mau: Eu quero que o Cinema com Rapadura abrace este movimento e que esse blog vá para o Cinema com Rapadura, enfim, daí tu pode editar e não querer.

(risos)

Juras: O pessoal já tá reclamando tanto que o costume está acabando por causa da pirataria e, não é só por causa da pirataria, existe uma série de fatores que fazem com que isso aconteça. Então é isso, né?

Ph: Só pra terminar, o último adendo aqui, nós temos leitores ao redor do mundo, né Jurandir?

Juras: Exatamente.

Ph: Pessoas que já mandaram e-mail da Austrália, Japão...

Juras: Estados Unidos...

Ph: Portugal, Estados Unidos, Canadá e etc e, se vocês tem histórias, mandem também pra gente mostrar que não é só no Brasil.

Juras: Faça pequenos vídeos e mande pro blog do Maurício.

Mau: Eu acho bacana, vamos usar o vídeo, tornar o blog mais audiovisual. O cinema é audiovisual, vamos mexer com audiovisual. Com vídeo, toda hora entre com suas câmeras de celular, cyber shot, pra pegar esses flagras, vocês batendo boca com o gerente, grava o gerente. Vamos fazer uma muvuca.

Juras: Quando for comprar ingresso, faça perguntas assim, que parecem normais pra gente que gosta de cinema, mas que pra galera da bilheteria, são completamente bizarras: “Ah, esse novo filme do Almodóvar” e grave a reação dela, entendeu?

(risos)

Juras: Pra gente colocar no blog. O preparo tem que existir desde a pessoa que limpa o cinema até o gerente. Então se você quer oferecer um serviço bom, todo mundo tem que estar preparado pra tal, pra fazer a função bem feita.

Mau: Salve. Exatamente.

Juras: Então é isso. Valeu, Raphael, por esse programa.

Ph: Eu que agradeço.

Juras: Valeu, Maurício. Muito obrigado pela presença.

Mau: Muito obrigado você.

Juras: Esse programa vai ser um sucesso, vamos fazer o possível. Valeu, abraço e até a semana que vem.