RAPADURACAST 63 – Efeitos Especiais (3D)
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http://www.rapaduracast.com.br/
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Transcrito por: Lívia Ramos
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1. Introdução

(Vinheta)

Jurandir Filho: (Exultante)

-Seeeeeeeeejam bem vindos seres rapadurianos de todo Brasil. Está começando mais uma edição do Rapadura Cast. Eu sou Jurandir Filho e tenho aqui comigo o Raphael Santos e Maurício Saldanha!

Maurício Saldanha: É um prazer

Raphael Santos: Maurício Saldanha, Maurício Saldanha...

Mau: Oooi Raphael. Como é que tá, Raphael?

Ph: Tá tudo bom, cara... sempre aquela coisa né?!

Juras: ô Raphael, Raphael...

Ph: Peraí Jurandir, tá atrapalhando Jurandir... tô conversando com o Maurício

Juras: Essa é a parte que eu vou cortar, viu Gustavo...

Gustavo Guanabara: (risos) eu imagino...

Ph: Absurdo hein Maurício, Maurício Saldanha isso é um absurdo...

Juras: Nós estamos aqui com a presença muito especial de Gustavo Guanabara, 

Gustavo: Fala aí, galera...

Juras: o Gustavo é professor de informática especializado em computação gráfica, administrador do Guanabara.info e apresentador de um podcast espetacular sobre tecnologia (risos) só faltou o RG...

Ph: Meu Deus!

Gustavo: é ué, vocês querem eu dito agora...

Juras: Seja bem vindo, Gustavo

Gustavo: Muito obrigado, muito obrigado seres rapadurianos... a galera... tem muito ser rapaduriano que veio do guanabara.info...

Ph: É verdade...

Gustavo: só isso...

Juras: Exatamente... O podcast do Guanabara a gente apadrinhou, né Raphael?!

Gustavo: foi

Ph: a gente colocou a mão assim escrito "a gente apóia"

Juras: (risos) Exatamente... então, e neste programa especial, nós vamos falar sobre tecnologia no cinema, né, nada melhor do que ter um especialista em tecnologia que é o Gustavo...

Mau: Graças a Deus, né... que nos não sabemos porra nenhuma...

Juras: o que que isso Raph... eh Maurício. Eu sou formado em Sistema de Informação

Mau: Eu tô brincando, rapá...

Ph: Maurício isso é um absurdo, viu

Juras: O Raphael está se formando agora...

Mau: Eu tô querendo, tô querendo... ser uma rapadura humilde...

Ph: humm... (gritinho da Gretchen) Uma rapadura!

Juras: (risos) é UM Rapadura, Maurício...

Exatamente, nós vamos falar sobre tecnologia, aqueles efeitos especiais... computação gráfica...

Ph: que sobe e voa e cai assim...

Mau: (risos)

Juras: Mas antes vamos pros e-mails

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2. E-mail's (2:02)

(vinheta)

Juras: EMAILLLLLLLLLLLLLLLLLS!

Estou aqui com Maurício Saldanha...

Mau: que saudade...  e ae diga lá...  esse EMAILLLLLLLLLLLLS? tu pegou da'onde isso? 

Juras: Não sei...

Mau: Tem coisas que não adianta... né... nem fala, nem fala... esse é o teu segredo né...

Juras: (risos) Maurício hoje estréia "Sangue Negro" nos cinemas...

Mau: Nossa... Nem me fala, eu tô arrepiado... por favor seres rapadurianos eu nem vou dizer, mas pros outros seres do planeta que não são rapadurianos e entram aqui e escutam... Não comam pipocas nesse dia, eu posso estar por perto!! Altamente perigoso!!

Juras: (risos) É um filme que você tem que escutar muito bem, então você que vá, não leve nada pra comer no cinema não... deixe pra comer depois

Mau: pela graça divina...

Juras: Porque depois você vai prum rodízio de carne assim... pra comer um búfalo... entendeu?

Mau: Exatameeente...

Juras: Maurício, eh, sexta-feira é dia de estréia de RapaduraCast e é dia de estréia de uma nova sessão no CCR.

Mau: palmas, palmas (palmas e assobio)

Juras: (risos) o bom é que a gente sempre escuta esse (assobio) né?!...

Um novo blog, assim, que a gente tá lançando e o nome dele é "Fui ao cinema e..." isso mesmo, você vai contar suas histórias na sala de cinema

Mau: esses três pontinhos é... tudo o que você não tem pra falar e por favor não fale dentro do cinema, fale depois e fale no blog "Fui ao cinema e..."

Juras: Exatamente... É uma mega comunidade, assim, de cinéfilos, né cara?! é da galera que vai ao cinema, não é daqueles que vão um dia uma vez no cinema, não... e o mais bacana, Maurício, é que o leitor é quem vai produzir as matérias, Maurício, não é a gente da equipe... a gente pode até produzir, entendeu, mas como cinéfilo mesmo, né... esse blog vai ter a participação inteiramente popular. E pra começar, a gente já começa logo com cinco blogueiros famosos aí da blogosfera... o pessoal do Jacaré Banguela, o pessoal famoso aí, já começou mandando lá as suas... os seus textos... pra misturar com tudo... são estórias engraçadas... o objetivo não é só mostrar problemas... é mostrar estórias engraçadas, curiosas que acontecem... aquelas sessões que você vai e tá lotado e você tem que sentar na escada...

Mau: aquelas sessões, aquelas sessões que tu se apaixonou...

Juras: exatamente.... aquela sessão que tu levou a menininha do colégio e pegou na mão dela pela primeira vez, entendeu? quem é que não tem estórias de cinema, né Maurício?

Mau: eu hoje vou te dizer que fiquei surpreso, eu como participante do Cinema Com Rapadura, eu fiquei surpreso com essa estréia e ó... maravilha, palmas mesmo e estou muito feliz com esse blog e eu vou participar dele viu?!

Jura: Exatamente... todo mundo vai participar... então você tem lá o espaço lá, uma sessão chamada "como participar" é só você preencher o formulariozinho e enviar pra gente, nós vamos colocar umas prioridades o que que vai pro ar logo, o que que vai demorar mais, mas a preferência é que tudo vai ao ar, menos aquelas estórias mais escabrosas, assim, a gente vai também ter aquela galera que vai mentir, também não rola não, né Maurício?

Mau: ah por favor né gente?! são estórias... nos temos uma equipe especializada... a averiguar se esses fatos são fatos mesmo, concretos né?!

Juras: Exatamente... então, denuncias, denuncias são importantes também, você dizer assim que você ta pagando então você tem que exigir então mostre qual foi o problema que aconteceu contigo, lá na bilheteria, dentro da sala, problema com a projeção, tudo o que tiver de problema assim você pode dizer nesse espaço.

Mau: fabuloso, fabuloso

Juras: espaço do cinema... vamo lá Maurício, uma porrada de emails, esse Cast do Tim Burton nos recebemos muitos emails

Mau: muitas criticas à minha pessoa por ter falado do Jonny Deep né?

Juras: ah, já esperado né (risos)

Mau: já esperado, mas não...

Juras: Mas muita gente também falando mau dizendo assim: "não, as opiniões estão muito diversas"... mas nós vamos discutir isso... vamo la Maurício primeiro email

Mau: Eric 19 anos, Curitiba. (email do Eric)

Comentários: 

Juras: Nós já fizemos esse cast sobre essas séries, podcast número 30, 29 e 30, escute lá

Mau: opiniões diversas, todo mundo tem opiniões diversas, não entendo, imagina 5 pessoas falando  sobre Tim Burton, todo mundo falando a mesma coisa

Juras: Não dá, não funciona desse jeito...

Mau: Pablo, Pablito; Pablo Muniz de Cuiabá, Mato Grosso 20 anos (email do Pablo)

Comentários:

Mau: Ai ai ai... quando eu acabar esse email... (risos)

- é implicância tua, Cara!

- O Pablo, eu não vi, querido, eu não vi ainda, é só chute mesmo, mas não é chute pelo trailer é chute pelo outros filmes, mas daí vem a dizer o que tu falou no email pelos outros trabalhos dele... acho que vou deixar o Jurandir senão eu vou ficar muito nervoso...

Juras: Não existe opinião imparcial. Não existe. Você sempre vai gostar de alguma coisa diferente de outra pessoa. Todo mundo é parcial, todo mundo gosta do que ele se atrai, por exemplo eu gosto do Rei Leão e sei que tem muita que não gosta, só que diferente dos outros eu defendo o filme que eu gosto, essa é a grande diferença.

-Nós vamos nos prolongar nesse email, pra deixar bem claro, o nosso objetivo não é ser imparcial, a gente quer tomar partido, a gente quer falar de coisas que nós gostamos. É lógico que nós não podemos desrespeitar a opinião dos outros, é lógico, e tanto que ele deve ta falando mais ou menos nesse ponto... porque ele fala: "tal filme foi o melhor, o resto é bosta" não, não é, cada uma tem sua opinião, essa é a grande diferença.

Juras: Camila Vieira, Maceió, Alagoas (Email da Camila)

Mau: Mariane Oliveira Lopes, 17 anos, Ferraz de Vasconcelos, São Paulo (Email da Mariane)

Juras: Diego Messeri Cavalcante Lima, 22 anos, Rio de Janeiro, RJ

Mau: Bruno Robson Curralinho, Marajó, Pará, 24 anos

Juras: Alberto Silva, Recife, 22 anos

Mau: Lincoln Péricles, 18 anos, São Paulo, SP

Juras: Vamos falar de tecnologia no cinema, vamos lá!

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3. Assunto (17:40)

Juras: Estamos de voltaaa!!!

Ph: Isso quer dizer que a gente voltou, Jurandir?

Juras: Exatamente, Raphael...

-Vamos falar sobre tecnologia... tecnologia no meu script aqui tem tecologia (risos)

-Dá pra gente fazer um milhão de podcast sobre tecnologia no cinema, mas...

Ph: Na verdade Jurandir, eu tava contando aqui são 327 podcasts que a gente pode fazer. 1 milhão, não dá...

Juras: Nós vamos falar, nós vamos focar na computação gráfica, nos efeitos especiais, mostrar alguns clássicos, né, fazer algumas comparações, mostrar como foi usada a tecnologia por exemplo num Jurassic Park da vida, no fantástico Rei Leão, no Matrix, no Senhor dos Anéis...

Ph: Vale lembrar...

Mau: Tem o Exterminador do Futuro 2...

Ph: vale lembrar que tendo em vista o tanto de filme que usa computação gráfica, a gente não vai falar todos, a gente vai abordar alguns... "a faltou não sei o que"lasquem-se!

Gustavo: Sempre tem, sempre tem né Ph, os caras no Guanabara.info é assim "você esqueceu da serie tal, você esqueceu de falar do filme tal" não cara, o programa tem uma hora e pouca como é que tu vai falar tudo?? ia ser uma lista, a gente só ia falar os nomes...

Juras: A gente vai começar a falar assim, Raphael, quando a gente participar dos outros podcast " tu sabe o Rapaduracast.com.br?" porque o Guanabara.info é sempre um spam cada vez que fala... (risos)

Gustavo: Ta vendo você não botou seu nome no site, agora se vira... (risos)

Juras: Não, mas no Guanabara.info, né... (risos)

Gustavo: Olha que eu não falo www

Juras: Exatamente... que não precisa, né...

-E vamos começar falando sobre computação gráfica, o Gustavo como é professor de computação gráfica, de informática, é professor de tudo, é praticamente o dono das faculdades do Rio de Janeiro, sabe?

Gustavo: Pô, quem dera...

Juras: Vamos falar primeiro uma introdução sobre o 3D, sobre a computação gráfica...

Gustavo: Preparem-se! Eu tava falando com o Jurandir agora, eu costumo dar uma palestra de computação gráfica onde eu explico, e ae como diz o Raphael, PASMEM, porque eu costumo explicar que a computação gráfica, né... porque tem gente que pensa, "caramba eu to vendo um filme em 3D!", "eu to jogando e esse meu jogo é em 3D". Não, o 3D no cinema e o 3D na televisão, no computador seja onde for é uma grande enganação

Juras: Isso é um absurdo, viu Gustavo... Gustavo você tá abrindo a cabeça das pessoas

Gustavo: Não...é, a minha idéia é essa... Nós estragamos um monte de coisa né, então vamos estragar a idéia das pessoas... Você nunca vê um filme tridimensional... Deixa eu explicar rapidamente

Juras: a não ser quando ta usando o óculos, né?!...

Gustavo: Não, nem com o óculos

Juras: Ah, no óculos você vê só uma projeção de frente né?

Gustavo: Exatamente, justamente....

Ph: Eu num tô entendendo nada aqui... (risos)

Mau: é, eu não tô entendendo nada aqui... Eu jurei que em 96, eu vi a Hora do Pesadelo em 3D, é mentira então?

Gustavo: mentira!

Mau: Mentira??

Ph: Guanabara, Guanabara, o que tu ta me dizendo então, nesse momento que tu falou, é que eu fui enganado?

Juras: a tua vida toda, Raphael

Ph: quer dizer então que eu posso jogar fora tudo o que eu sei agora?

Gustavo: pode, pode... você vai aprender uma coisa nova... isso aí...

Ph: Jjjandir, jjandir, palmas pra aprender uma coisa nova!! (palma)

Juras: O Toy Story, vou dar um exemplo aqui, vou ver se eu captei a mensagem do Gustavo... O Toy Story é um filme feito em 3D mas que você vê em 2D

Gustavo: Exatamente

Ph: isso é um absurdo...    (palmas)

Mau: me caiu os olhos, me caiu a boca, me caiu os óculos 3d agora... (risos)

Gustavo: Não, deixa eu tentar explicar, eu passei essa semana toda, imaginando como é que eu ia explicar isso só com o áudio, porque eu mostro na palestra em forma audiovisual e aí fica complicado...

Mau: então tu quer dizer que na palestrar tu, Gustavo, aparece em forma 3D?

Gustavo: Eu apareço em 3D!

Juras: Aí você está entendendo o conceito, Maurício...

Gustavo: exatamente...

- vamo devagarinho que a gente vai...

- então a ideia é a seguinte, você é ouvinte do podcast, você deve estar numa sala, num quarto, num carro, em algum ambiente né, com certeza; então você vai começar a minha explicação é a seguinte, você vai olhar pra parede que ta na sua direita, senão tiver a da direita, olha pra da esquerda...

- vamo começar a traçar o seguinte, sabe uma pinça? faz sua mão como se fosse uma pinça, segurando dedão com indicador, aperta um lugar no ar...

Juras: o "isso, isso, isso" do Chaves

Gustavo: isso, isso, isso, exatamente...

- segura um ponto no ar, isso o que você tá segurando (não precisa apertar muito não) é um ponto no ar;  como é que você consegue dizer em que local tá esse ponto? você precisa de coordenadas, por exemplo... ta vendo a parede na sua frente, num tem? tem o rodapé na sua frente, num tem? vamos chamar esse rodapé de X, tem a linha que sai do chão até o teto, vamos chamar isso de Y... 

Ph: tá complicando...

Gustavo: São três letrinhas só Raphael...

Juras: vamos explicar de novo... explica de novo...

- o rodapé é o X, né? é uma linha horizontal

Gustavo: A linha que vai do chão até o teto...

Juras: é uma linha horizontal né, o X?

Gustavo: o X é uma linha horizontal e o Y é uma linha vertical

Juras: subindo, pra quem não sabe, horizontal é como se você tivesse deitado e vertical é em pé (risos)

Ph: é só lembrar assim ó, quando eu era pequeno eu ficava lembrando, horizontal, você lembra do horizonte e o vertical você lembra do "vesti calça" ( risos)

Juras: ou então quando você tá com problema de impotência, tá na horizontal, quando você toma viagra você fica na vertical entendeu? (risos)

Ph: Mas Jurandir, tu ta atrapalhando o professor...

Gustavo: então olha só, essa parede, esse conjunto XY é como se fosse a tela de um cinema não é?

Juras: é, exatamente...

Gustavo: certo? então uma tela de cinema é um plano que a gente chama de XY, ok?

- e aí existe mais um eixo que eu vou apresentar a vocês... eu num pedi pra você olhar pra parede da direita ou da esquerda?

- a linha que vai da parede que ta na sua frente pra traz de você nos vamos chamar de Z, que é a profundidade

Juras: aahmmm

Mau: da tela do cinema ao projecionista, isso?

Gustavo: isso, da tela de cinema até você...

Juras: então esses são os famosos X Y e Z??

Gustavo: isso, esse é o plano tridimensional...

Juras: 3D!!! Caraca, salva de palmas, professor... (risos)

Ph: palmas (palmas)

Gustavo: muito obrigado

Juras: então quando o filme é 2D ele só tem o X e o Y?

Gustavo: exatamente...

Juras: puta que pariu!!

Ph: salva de palmas jjandir (palmas)

Gustavo: esse aqui vai ser o podcast que mais ter palmas na "televisão brasileira", né Raphael?

Juras: Toda vez que você aprende alguma coisa, você tem que dar uma salva de palmas, entendeu?

Ph: vamos abstrair as salvas de palmas, JJandir, imagine que ta do começo ao fim salva de palma, agora

Gustavo: exatamente... esse ponto que você tava apertando no ar, ele tem um valor de X, um valor de Y e um valor de Z, pergunto a você Maurício, o cinema... a tela do cinema tem X e Y num tem?

todos: ãhanm

Mau: é pra mim!!

Gustavo: a tela do cinema tem Z?

Mau: Z?? Só se for o Zorro...

(altas risadas)

Juras: to imaginando o Maurício no colégio agora, todo mundo olhando pra ele...

Ph: só se for o Zorro foi ótimo...

Mau: o professor Gustavo, se o Zorro tiver passando tem Z sim, professor Gustavo!! (risos)

Juras: as respostas do Joãozinho né, daquelas piadas...

Gustavo: não esse do zorro, vai entrar pra estória...

- então assim, o cinema não tem Z, não é isso? não tem profundidade... senão, era uma coisa que eu tava falando com o Jurandir, se fosse tridimensional a pessoa que tá sentada lá em cima no cinema ia vê uma imagem e a pessoa que tá lá na primeira fileira ia vê outra...

todos: aahh

Gustavo: imagina

Mau: então, se algum dia eu estiver perto de alguém que não for profunda eu vou dizer "tu é uma pessoa que não tem Z"... (risos)

Ph: palmas pro Maurício saldanha! (só ele bate palma)

Mau: "eu não te quero mais porque tu não tem Z!"

Gustavo: isso aí, isso aí... mulher sem bunda é quase sem Z... (risadas) 

-não tem profundidade...

Juras: O que ele tá explicando, Raphael, quando aparece uma mulher de saia no cinema, no filme, por exemplo, num Toy Story da vida aparece uma mulher de saia...

Ph: não Jurandir, Toy Story não...

Juras: não, vou dar só um exemplo... você tá vendo uma imagem plana lá, uma imagem 2D, isso quer dizer, se fosse 3D e você se abaixasse você poderia ver a calcinha dela, entendeu?

Gustavo: exatamente, exatamente...

Ph: Jjandir, jjandir eu quero um cinema desse Jjandir...

Gustavo: num é?!

- então ninguém pode falar mais, por exemplo, a maioria das cidades do Brasil, não sei se é a maioria, mas várias cidades do Brasil já em o que eles chamam de sala 3D. a sala 3D é 3D?

Ph: nnããoo

Gustavo: então o que existe é o seguinte...

Juras: ele dá uma sensação de 3D, porque você usa o óculos e ele se aproxima de você e você sente como se ele tivesse próximo, né

Gustavo: Graças ao sistema de visão

Ph: O teatro é 3D

Gustavo: O teatro é 3D, Pô, fechou, fechou o teatro é 3D

Ph: AAAAAEEEEE (risos)

Mau: Palmas para o Ph

Gustavo: Sabe o teatro quando sobra aquele pouquinho ingresso e você tem que sentar na primeira fileira, la no final, a última cadeira...

-você vê os atores de lado, não é isso...

-quando você tá num cinema e vê... e senta na primeira fileira, do lado esquerdo, você vê os atores de lado ou você vê os atores de frente?

Mau: de frente!

Ph: eu quase num vejo, porque eu tenho um problema de visão assim, num da pra vê de lado...

Gustavo: então tá aí comprovado por A +B, eu consegui, graças a Deus, provar só por áudio que não existe 3D!

Juras: Gustavo, isso é uma quebra de paradigmas

-você esta quebrando um paradigma de que todo mundo sempre diz que os filmes são 3D, são 3D e na verdade eles não são.

Gustavo: o jeito correto de falar é que ela é uma projeção tridimensional. O que que é uma projeção tridimensional? Deixa eu explicar rapidinho também... tentar explicar rápido, é como se tivesse assim, imagina o teatro, o exemplo do Raphael foi perfeito, no teatro imagine que os atores tivessem que ficar parados, você bota um plástico na frente dos atores, um plástico quadrado, grandão, tipo uma tela de cinema, aí você vai desenhar nesse plástico a posição do ator, certo? Todo mundo em qualquer posição do teatro vai ver o desenho da mesma maneira, concorda?

Juras: exatamente...

Gustavo: então aquilo que foi feito é uma projeção do tridimensional num plano bidimensional, certo? Então você conseguiu simular, enganar, simular o 3D em um plano 2D que é a tela do cinema

Ph: próxima vez eu quero meu dinheiro de volta...

Gustavo: é verdade

Juras: você foi enganado a vida toda, Raphael

Ph: Isso é um absurdo, jjandir, eu quero meu dinheiro de volta de todos os pôsteres que colocaram 3D (risos)

Juras: a galera coloca aquele efeitinho no pôster, né, que você olha de lado aí ele aparece... "não, um pôster 3D"... tem nada de 3D ali... (risos)

Guanabara: é tudo enganação, se não tiver o Z, né Maurício, não é 3D

Mau: ou seja se não for um filme do Antonio Banderas, não é tridimensional...

Juras: o Zorro ah, jogadinha de palavras...

Ph: a partir deste momento você que está escutando esse podcast, não sabia dessas informações, lembre-se que o cinema nunca mais vai ser a mesma coisa pra você

Juras: Exatamente... você pode chegar lá na bilheteria

Ph: toda vez que entrar no cinema pergunte "tem o Z?" (risos)

-se tiver o Z, você pode pagar o preço que eles estão pedindo, se não tiver o Z, paga a metade

Gustavo: um terço, não na verdade dois terços...

Ph: além da zoada no cinema, né, a zoada, né Maurício, o pessoal comendo..., e ainda não tem a porra do Z...

Mau: carreguem seu mp3 sempre até a sala de cinema e se não tiver, chame a gerente do cinema e ponha o Gustavo Guanabara nos ouvidinhos dela

Gustavo: "Ele vai te explicar um negócio, vê se tem?", né... é né mole não...

Ph: pronto, agora eu já sei que nós todos somos enganados, inclusive o Jurandir, todos somos enganados...

Gustavo: Mas aí é o seguinte, mas aí tem uma coisa como é que eles fazem pra te enganar tão bem enganado?

Ph: é isso que eu queria saber, professor

Mau: como, como?

Gustavo: Como é que a gente consegue ter... todo mundo já deve ter desenhado aquele cubo, todo mundo sabe desenhar um dado no papel, num sabe?

Juras: sabe...

Gustavo: aqueles dois quadradinhos, um montado no outro e liga os pontos, não é isso?

- É o primeiro desenho 3D de todo mundo, né, fazer o dado...

Juras: voce se sente o dono da Pixar, né, fazendo isso... (risos)

Gustavo: num é, num é? você faz um quadradinho, depois faz outro quadradinho intercalando nele, né, faciando e aí depois você liga os pontos e vira um dado perfeito, não sei se vocês já tentaram fazer...

Juras: Já, já...

Ph: tô fazendo agora

Gustavo: então o que que é isso? Na verdade o nome disso que a gente faz desde criança chama projeção ortogonal, certo?, é mais uma coisa pra vocês anotarem aí. A projeção ortogonal é exatamente isso, você tá simulando um ângulo através de um ambiente 2D que no caso é o papel que você tá desenhando, certo? mas e se aí você só desenhar esses quadrados, fica parecendo um dado exato, perfeito? você vai tentar pegar o dado em cima do papel? não fica né?

- Mas se você começar a pintar esse dado, botar uma face, colocar sombra, da pra enganar, não dá?

- Os grandes pintores, Leonardo da Vinci, os quadros de da Vinci são tridimensionais? não são.

Ph: então você vai me dizer que Leonardo da Vinci é uma fraude?

Gustavo: Leonardo da Vinci não pintava em 3D, nenhum deles em 3D 

Ph: é uma fraude! é isso que você tá falando??

Mau: mas isso é mais importante do que "O Segredo do Código da Vinci"

Gustavo: tá vendo?! Eu vou escrever o "Segredo do 3D"

Ph: Jjandir, Jjandir, eu vou pedir pra me retirar do RapaduraCast porque tá acabando com a minha vida...

Mau: tá abalado, tá abalado... Raphael tá abalado... (risos)

Gustavo: Mas a idéia é a seguinte: da Vinci foi um dos que...

Mau: O monstro de Cloverfield chama-se "o estalo"

Gustavo: Olha que Cloverfield, o monstro, levou um tempinho de computação gráfica

Juras: E ainda ficou muito mal feito... (risos)

Gustavo: ah eu gostei

Juras: o final ali

Gustavo: ah, não, é o monstro... tanto que ficou meio desfocado...

Mau: ô professor, continue sua explanação aí por favor

Gustavo: então vamos lá, vamos 

- da Vinci com as pinturas dele...

Juras: vai ganhar uma estrelinha, hein Maurício?! (risos)

Gustavo: ele não tinha um ambiente 3D pra pintar ele tinha um quadro retangular, X e Y, não é isso?

- então como é que ele fazia pra parecer tridimensional? ele usava uma técnica que ele mesmo criou chamada "sfumato", que na verdade é o seguinte, é você utilizar efeitos de iluminação e efeitos de sombreamento pra dar noções de tridimensional

Juras: Caraca, da Vinci é um gênio, isso é um absurdo...

Ph: então da Vinci, foi ele que inventou o cinema? (risos)

Gustavo: resumindo, né? (risadas)

Mau: mas é a chamada profundidade de campo, não?

Gustavo: exatamente! Profundidade de campo. E da Vinci utilizava uma régua, eu esqueci o nome da régua, os ouvintes aí

Ph: "tamanho vinte" (risos)

Gustavo: ele conseguia calcular perspectiva

Juras: (risadas) Caraca, Raphael...

Gustavo: o que que ele falou? eu não ouvi...

Mau: esquece professor, esquece professor

Juras: você vai escutar isso no áudio... (risos)

Gustavo: você não vai cortar não?

Juras: vou não

Gustavo: aí é o seguinte, essa técnica de da Vinci, essa régua de projeção que ele usava, são os mesmos cálculos que se usam até hoje em computação gráfica

Juras: olha aí, rapaz

Ph: olha...

Gustavo: pra criar essa sensação  na tela, certo? isso é interessante falar...

Ph: então o da Vinci foi o primeiro "3D Studio"?

Gustavo: é verdade... (risos) O da Vinci utilizou cálculos que até hoje são usado no 3D studio

Juras: Aquela ceia, a Santa Ceia, você pensa que é né, não a da capela, a Capela Sistina, né

Gustavo: sim você tem a noção do efeito tridimensional mesmo, mas na verdade é 2D, entendeu? mas o cara era... fora dos tempo dele, né, ele tava muito na frente

Ph: eu vou começar a reparar, vou começar a reparar

Gustavo: mas é isso Raphael que eu quero criar com esse podcast, que é o que consigo criar com as minhas aulas. Depois que um aluno assiste essa palestra de computação gráfica ele vai ao cinema vê 3D de uma outra maneira, ele já sabe que aquilo ali é meio que uma enrolação, mas o problema é o seguinte, o que que mede se um estudio é bom ou ruim? se ele consegue me enganar com perfeição ou não.

Ph: exatamente

Juras: "Carros", por exemplo...

Ph: presta atenção, eu já sei o Z, já sei o X e o Y, já sei Leonardo da Vinci, 3D Studio... sei tudo, certo?

Gustavo: aham (risos)

Juras: e aí, Raphael? (risos)

- Beleza. Então nós hoje tivemos uma aula aqui espetacular sobre computação gráfica

Ph: uma aula jamais vista na televisão brasileira

Juras: Exatamente, é a aula que você não teve nos seus anos de faculdade

Ph: telecurso 20.000

Juras: Exatamente, nós estamos exportando as aulas do Gustavo, se você quiser contratar uma aula aí na sua faculdade, no seu colégio

Ph: R$1,50 a hora (risos)

Juras: Nós vamos pegar mais a nossa área, vamos citar exemplo né

Ph: Jandir, eu quero saber de filmes, Jandir

Juras: Filmes Raphael

Ph: filme jandir, eu quero falar de filme

Juras: Não vamos falar dos filmes da Pixar porque nós já falamos no RapaduraCast da Pixar. Você pode clicar no link que ta passando aí embaixo na tv

Ph: também é apelação, né

Juras: é, nós já falamos dos filmes da DreamWorks também... então você pode conferir aí no link que ta passando aqui embaixo da tela...

Ph: tá passando aqui junto

Mau: (risos) ô prófi eu depois eu gostaria de saber... ta, ta... ô professor, eu gostaria de saber qual é o primeiro filme que o senhor viu no cinema e que deu vontade do senhor ir fazer essa busca pelo conhecimento da computação gráfica?

Gustavo: Boa pergunta, cara. Olha, eu comecei  a me apaixonar pela computação gráfica... (Ph: tá inventando) com os filmes da Pixar, tá

Mau: mas nós não podemos mais falar sobre a Pixar aqui, senhor

Gustavo: mas aí num vale... então eu invento outra resposta? (risos)

Mau: mas pro senhor poder ganhar sua maçã, você vai ter que fazer isso...

Juras: Jurassic Park

Gustavo: o meu foi quando eu vi Toy Story e depois eu vi aquela da lanterninha, aquela lanterninha pulando... então foi onde eu me apaixonei por computação e queria aprender aquilo, foi como começou...

Juras: É porque o filme é todo em computação gráfica, né, então é diferente...

-eu, a minha paixão...

Mau: agora um filme live action

Juras: a minha paixão por... ah vai, responde aí, filme live action

Gustavo: Filme live action? olha eu acho que eu vou concordar com o Jurandir, o Parque dos Dinossauros foi um marco

Juras: Vamos explicar pro público, pro povo, né, vamos explicar o que é live action, o que é stop motion...

Guanabara: sim, sim... tem gente que pensa que stop motion é computação gráfica, tem gente que me pergunta se Noiva Cadáver foi computação gráfica

Juras: ele foi digitalizado

Ph: mas nós vamos chegar lá...

Juras: vamos explicar o que é live action. Live action são pessoas reais, né

Mau: live action. Ação: action, Live: ao vivo, live action: ação ao vivo

Juras: vamos dar um exemplo, vamo dar um exemplo, os livros de Tolken,  do Senhor dos Anéis, é uma adaptação live action dos livros, entendeu?

Ph: exatamente

Juras: live action são pessoas, isso não quer dizer que não pode ter computação gráfica, entendeu, mas são pessoas que estão fazendo o filme... por exemplo tem o Gollun

Gustavo: isso é difícil, né Jurandir, hoje em dia é difícil você ter um filme somente em live action

Mau: Uma Cilada para Roger Rabit, o que que é? é live action junto com computação

Juras: animado

Mau: animado, é um live action divertido

Juras: e um filme stop motion, você que sabe tudo, tudo

Gustavo: Stop motion, eh, sabe aquela nossa brincadeira de massinha que a gente fazia antigamente? Que você criava os bonequinhos de massinha? 

Ph: Nunca gostei...

Gustavo: Eu adorava cara. Jardim de infância pra mim a graça era...

Ph: precisava cortar as minhas unhas assim

Juras: num lembro não, eu comia as massinhas, num lembro não... (risos)

Gustavo: então, imagina o seguinte, eu vou dar um exemplo de stop motion que eu gostei bastante que foi o Fuga das Galinhas

Juras: foi o primeiro filme da DreamWorks em Stop motion

Gustavo: foi, foi... então, a idéia é a seguinte, eles tinham a galinha feita de um material como se fosse uma massinha e aí eles faziam cada movimento minuciosamente, por exemplo, a galinha levantar o braço, o braço abaixado do boneco levanta um pouquinho, tira uma foto, levanta mais um pouquinho...

Ph: até porque, né Gustavo, a galinha não tem braço né... (risos)

Gustavo: a asinha, a asinha

-olha agora todas as universidades vão me mandar embora, tem que cortar esse pedaço (riso)

- mas assim, vai levantando a asinha aos poucos e vai fotografando, certo? depois essas fotografias mostradas numa determinada velocidade, dá a noção de movimento, isso é live action, perdão, perdão, isso é stop motion

Juras: Por isso é que se foram mais de 5 anos fazendo o filme, né, porque você tirar as fotinhas assim... mas já tiveram vários filmes em stop motion antigos, bem mal feitos

Gustavo: Quer ver um negócio? uma coisa que eu tava falando com o Jurandir, vc quer aprender um pouquinho mais do isso? mais sobre essa parte? dá uma olhada nos dvds, né Jurandir? O DVD é a maior fonte de consulta

Juras: você veja o DVD da Fugas das Galinhas que tem um documentário lá...

Gustavo: exato, na Fuga das Galinhas o cara abre uma maleta que tem carinhas da galinha. A galinha assustada, a galinha rindo, a galinha chorando, porque é a massinha, entendeu, eles só tiraram a cabeça original e botava a cabeça...

Juras: recentemente anda saindo refilmagens de trailers que foram feitos por Lego, aquilo é um stop motion mal feito, entendeu? (riso)

Gustavo: é, no Rapadura, no blog do Rapadura saiu o do Batmam, eu vi esse

Juras: é, e tem o filme que tem capturas de movimentos, não é?

Ph: peraí, peraí, aí chegou num nível... captura de movimento, o que é captura de movimento?

Gustavo: O motion capture, que é a técnica, captura de movimento, como diz o Jurandir Estados Unidos, como diz Estados Unidos?

Juras: Stadusunids

Gustavo: o Motion Capture ele é utilizado pra computação gráfica, ele é uma ferramenta da computação gráfica; e aí já vai falar agora das formas das...?

Mau: é aquela coisa que as pessoas poem os pontinhos nas pessoa, e captura, e isso?

Juras: o Gollum, o Gollum do Senhor dos Anéis

Gustavo: pronto, perfeito

Ph: vamo dar um exemplo, já que falou de Fugas das Galinhas, vamos falar de Gollum...

Juras: Vamos falar de filme

Ph: Jandir, jandir, música pra falar de filme, Jjandir, pra falar de filme...

-Senhor dos aneis, o Gollum, como é que o Gollum foi feito? me explique

Juras: O Andy Serkis, o cara mais feio do mundo, é por isso que ele fez, só faz a captura de movimentos, né

Gustavo: é o personagem digital, né

Juras: ele fez o King Kong também...

Ph: o que é o Gollum? é stop motion? não. É live action? mais ou menos. É captura de movimentos? ééé

-Explica agora

Juras: assim, ele colocou alguns sensores, ele coloca sensores em toda parte do seu corpo, ô Gustavo, vou fazer uma pergunta aqui o que é o chroma key? isso é feito em chroma key né?

Gustavo: Chroma key tambem é uma outra técnica utilizada tanto pra live action quanto pra computação gráfica

- deixa eu explicar rapidamente

Ph: é o nome de uma lanchonete "come aqui" (risos)

Gustavo: deixa eu explicar os dois numa tacada só; a ideia é a seguinte: primeiro o motion capture, a captura de movimentos,  esses sensores que eles usam, lembra, ô Maurício, do Z que falei, (Mau: claro) então a ideia desses sensores é a seguinte: você tem uma câmera, que na verdade essa câmera não te filma, ela é uma câmera apontando pra você, o que ela vai filmar é o seguinte, ela vai conseguir detectar onde tá cada um desses sensores, qual é a coordenada dele. Lembra que você segurou um pontinho no ar?

(Ph: esses sensores...)

Mau: to até agora segurando...

Gustavo: peraí, daqui a pouquinho você solta, não solta ainda não. Então você tá segurando um ponto. A câmera que tá na sua frente ela vai conseguir detectar em que coordenada tá esse sensor branco, certo? (todos: aahmm) E essa coordenada X Y Z é transmitida pro personagem tridimensional, que no caso o Gollum, o King Kong... qualquer um que tenha sido feito por motion capture e o chroma key é usado pra juntar isso tudo porque por exemplo, na hora lá que tava o Frodo e o Sam lá namorando, na montanha... (Ph: que issô?) no "Modun"(??), ele estava lá e o Gollum estava também... Na verdade, o  que que eles fizeram? 

Ph: Ele tava mas não tava, né?

Gustavo: tava o ator, né, só pra eles terem uma posição e às vezes eles tem, é muito engraçado, uma mascarazinha, sabe aquela varetinha com a cara do personagem, as vezes eles só seguram aquilo, pra que? pros atores olharem no olho do personagem, entendeu, olha no olho depois eles tiram aquilo e botam o personagem...

Juras: Isso quer dizer que, Gustavo, que quando o Frodo e o Sam tão lá andando, eles só fazem andar no filme, ao lado dele, ao lado dele tem uma carinha do Gollum, um pauzinho? Só pra indicar que ali vai ficar o Gollum depois na pós produção, né?

Ph: sim Jurandir, tem o Peter Jackson segurando um pauzinho com uma bolinha de isopor em cima... Peter Jackson

Gustavo: isso aí... então o chroma key serve pra que? o chroma key é uma tela...

Juras: fundo verde, fundo azul...

Gustavo: pode ser fundo verde, fundo azul... é qualquer cor primária, mas na verdade o verde e o azul são os melhores que eles refletem menos luz, e aí por um processo de cálculo eles retiram tudo o que é verde da cena e bota o fundo do que quiser... Lembra do Serginho Groismam, no programa... (Juras: Programa livre) aquele que Fala garoto, no SBT (Ph: Fala garotô!)... aquele programa ele usava técnica de chroma key, ele substituía um fundo por uma outra coisa... então no cinema...

Ph: ó, sabe todos os programas da MTV? é tudo isso

Gustavo: é chroma key

Juras: eh, aqueles programas de previsão do tempo do Jornal Nacional...

- a pessoa fica pegando aqui e dizendo aqui vai chover muito... não tem nada ali, tem um fundo verde

Gustavo: tem um fundo verde rabiscado, onde que ele vai botar a mão

- o Fantástico, cara, o Fantástico é todo com cenário virtual... então a computação gráfica tá na nossa vida cara, é só a gente acostumar com ela...

- aí vai uma frase, tem um negócio que eu costumo falar em sala que é o seguinte o Bom artista... sabe no início quando a gente começou a fazer coisas de computador, computação gráfica... você olhava no cinema e dizia : ih feito em computador, ih a lá oh, feito em computador... os melhores artistas hoje eles fazem a computação gráfica e você fica com a cara assim, caramba será que é computador??

Ph: será que foi feito em computador?? éééé Beowulf e o cassete...

Gustavo: Será que eles destruíram Nova York no monstro? não foi, cara

Ph: resumindo, vê se eu entendi, certo?... pode tá complicado na cabeça de algum. O Andy Serkis, que é o ator por trás do Gollum, certo? (risos) ele vestiu lá uma roupa toda especial, toda tecnológica de última geração, né, uma roupa jamais vista na televisão brasileira (Juras: Cheia de sensores) cheia de pontinhos, tipo luzinhas assim, né, aí você liga tipo vários eletrodozinhos assim, né, que estão ligados ao computador, é isso?

Juras: e o computador capta esses movimentos...

Gustavo: tem uma câmera captando o movimento dessas bolinhas

Juras: é tudo passado pro computador

Ph: então ele faz uma expressão com o rosto de triste e capta aquela expressão e guarda pra ser usada mais tarde quando for animar (Gustavo: se tiver bolinha nas expressões dele)

- tem

Juras: Geralmente tem, né...

Gustavo: tem vários tipos de bolinhas, tem as bolinhas menores que são pra expressão e tem as maiores que são pras articulações (Juras: isso) joelho, cotovelo...

Mau: as bolinhas não ficam dentro da pessoa, né, é tudo por fora, né?

Ph: não, não

Juras: tudo externo. É só uma roupa como se fosse acupuntura, entendeu?

Ph: tu veste uma roupa cheia de bolinhas

Mau: e bolinhas por dentro da pessoa como é que seria?

Gustavo: essa parte eu não estudei muito bem (risos)

Ph: não... não... eu sei como é que é... (risos) é um estudo que precisa ainda ser melhorado, né, tem que evoluir... mas eles usam o raio x, certo Maurício? coloca-se o cara em frente a uma barra de chumbo, certo, e lança raios e raios x nele e capta tudo o que tem dentro dele

Juras: tem o menino do Polegar, né, que come pilha, tesoura, né... ele tentou fazer essa tecnologia e não conseguiu muito bem não... (risos) mas assim

Ph: era um teste que ele estava fazendo, tem que explicar, né

Juras: Raphael, a gente falando de Senhor dos Anéis, a gente fala do Gollum, né, a parte de tecnologia... mas muita coisa do Senhor dos Anéis é feito com o auxilio da computação gráfica, né, por exemplo, na Sociedade do Anel, aquela luta contra o Balrog, por exemplo né, aquilo ali, o Ian McKellen, o Magneto, ele tá lá sozinho e tem nada ali, entendeu, inclusive o cenário, tudo ali, não tem nada.

Ph: então, quer dizer Jurandir, que  se eu entrar num estúdio de cinema, certo? e se eu for assistir uma gravação, eu vou pensar que Ian McKellen é doido? (Juras: exatamente) porque ele tá chutando o vento?...

Gustavo: é verdade... e quer ver um negócio Jurandir, não sei se você lembra do extra do Senhor dos Anéis... é uma coisa que é interessante também pra essa coisa da realidade do da computação gráfica. Quando você vê os filmes antigos em computação gráfica e você tem uma multidão de personagens, geralmente eles tem o mesmo padrão de movimento

Juras: a multiplicação...

Ph: olha isso... explica, explica, explica isso. Aquela galera toda nas guerras de Senhor dos Anéis...

Gustavo: Exatamente... lembra do Formiguinhaz? o FormiguinhaZ, aquele antigo? Quando você vê o formigueiro, se você botar em slow motion, botar em câmera lenta, você vai ver varias formiguinhas fazendo o mesmo movimento, certo, (Ph: que nem zumbi) Exatamente, como zumbis... no Senhor dos Anéis eles fizeram um programa, eles tem um algoritmo, que é uma lógica, pra que nenhum personagem no momento da batalha repetisse o movimento...

Juras: isso é fantástico!

Gustavo: então você tem a sensação...

Ph: tudo isso baseado naquele negócio dos vídeos games, né? (Gustavo: exatamente) Inteligência artificial, oia, é inteligência artificial...

Gustavo: isso aí, é uma regra, cada personagenzinho ali ele vai verificar, olha eu vou decidir fazer esse movimento, só que antes dele decidir ele vai verificar se os outros modelos que tão em volta dele, decidiram pelo mesmo movimento, que se eles decidiram pelo mesmo movimento ele vai fazer outro

Ph: quer dizer então que eles pensam?

Gustavo: isso visualmente causa a sensação de que a coisa é real, de que tem atores ali, que tem figuração e num é figuração, são modelos de computador mesmo...

Juras: e foi tudo desenvolvido pela WETA Digital né? que é a empresa lá do Peter Jackson, né?

Ph: Pra quem não sabe a WETA também, ela quem deu, eh, como é que eu posso dizer... deu vida final pro Surfista Prateado aí no último filme do Quarteto Fantástico

Juras: Bah, não foi só... ih falei igual o Maurício agora... Bah 

- ela não fez só o Surfista Prateado não, cara, a WETA Digital é a referência mundial agora de computação gráfica né... se você reparar...

Ph: exatamente, King Kong, Surfista Prateado, o Speed Race 

Juras: Xmen 3, Eragon, Eu robô, etc um monte de coisa...

Gustavo: e a computação gráfica tava sempre relacionada a tecnologia, a computadores, então isso são algoritmos, né, são programas cada vez mais avançado. Hoje em dia existe algoritmos, existe programas pra tratamento do movimento de fogo, na computação gráfica, movimento de tecido (Ph: água, que é muito difícil) exatamente, olha Raphael, pra mim a obra prima da computação gráfica, assim, um degrau que eles subiram...

Mau: calma aí, calma aí; música de obra prima (risos) 

Juras: vou botar a música do Rei Leão

Gustavo: pra mim, os algorítimos que mais levaria tempo pra ser criado, foi o algoritmo que foi criado no Procurando Nemo, porque? quando a gente tá embaixo d'água a gente não vê exatamente como a gente vê quando ta fora d'agua, a gente tem aquela ondulação... e eles conseguiram criar um algoritmo que antes não existia de ambientes dentro da água. Então a Pixar tá de parabéns, desculpa ces não querem que eu fale de Pixar...

Juras: não, não... pode falar

Gustavo: eles são os principais criadores de algoritmos, porque assim, geralmente o aluno quando ele estuda computação gráfica ele toma nojo de mim, por que? porque eu falo muito de matemática e aí o cara: pô, o que que tem a ver matemática com a computação gráfica?? 99% (risos) porque esse 1% é aquele cara que não quer saber de matemática, quer só usar um programinha pronto, então ele tem que ficar esperando sair... (Ph: professor Girafales!?) fala aí...

Ph: Seguinte, quem não tá entendendo esse negócio de lógica, algoritmo... tá passando aqui embaixo uma legenda, pode ver aqui embaixo, algoritmo dois pontos...

Juras: a gente vai colocar um vocabulariozinho...

Ph: isso, a gente vai colocar um vocabulário no post e toda vez que você se perder com alguma expressão ou você pergunta nos comentários que a gente responde ou você vai ao post que talvez já esteja lá...

Juras: e uma coisa que pouca gente sabe, é por exemplo, esse sistema das batalhas, foi totalmente desenvolvido pela Weta Digital né, mas (Ph: de novo?) calma, mas toda as soluções, os equipamentos e tudo foi disponibilizado pela Silicon Graphics que é a SGI

Gustavo: SGI, a maior fabricante de computadores de renderização, depois a gente fala um pouquinho mais sobre renderização, quando a gente for falar do processo de criação.

Juras: exatamente... a gente pode até falar disso agora, porque ela forneceu 230 estações pra Weta Digital pra trabalhar nos efeitos do Senhor dos Anéis, né, mais de 1200 efeitos

Ph: vou te falar agora...

Gustavo: vou te falar uma coisa Jurandir, é pouco, 200 e pouco da Silicon Graphics é pouco. Aquele Final Fantasy, usou mais de 500 pra renderizar o filme...

Juras: ah mas o filme todo é em computação gráfica, é diferente dum filme do Senhor dos Anéis que é em live action, entendeu?

Gustavo: é verdade, é verdade é verdade

Ph: certo, ma oh, a gente só tá falando de Senhor dos Anéis, certo

Juras: vamos mudar

Ph: vamos mudar, vamos falar de Beowulf e a Casa Monstro também

- vamos falar desses, o que que é que tem de diferente nesses filmes? Que o pessoal faz uma loucura, "oh meu Deus, uma nova tecnologia", "Meu Deus eu vou pro cinema", o filme é uma merda mas todo mundo sai alegre, o que é que tem demais nesse filmes?

Gustavo: olha o Beowulf tem um negócio que quase nenhum filme tem, né, eu lembro que quando eu falei com Jurandir ele falou, não, não vai ver a história não, não sei o que, eu não fui pra ver a história, eu fui pra ver a técnica

Juras: Angelina Jolie pelada, né? (risos)

Gustavo: não, o Beowulf ele tem um negócio, o cara que vai trabalhar com computação gráfica hoje ele tem que fujir de uma coisa, é muito engraçado eu falar isso, mas ele tem que fugir de uma coisa, da perfeição, ele não pode fazer perfeito. Como assim? (Ph: ôxe)

-O ser humano, ele tem imperfeições... a mulher ela não tem aquela cara de vitrine, como é que chama?

Ph: aquela cara sempre maquiada, brilhante..

Gustavo: isso, num tem, ela tem ruga, no canto da boca, a boca é torta, um olho abre mais que o outro, pisa torto, tem micose...

Juras: quem diria o Amaral 

Gustavo: aquela cerazinha no ouvido

Juras: o Amaral, aquele jogador do Vasco (risos)

Ph: meleca saindo do nariz, remela dos óio

Gustavo: então pra mim o Beowulf, ele teve, o mérito do Beowulf foi não ser perfeito

Juras: como é a pronúncia??

Gustavo: "Biullfi" (risos)

-vocês vão ficar me sacaneando agora

Ph: o mérito do "bilulfi" é... (risadas) ele não foi perfeito, mas como assim ele não foi perfeito?

Gustavo: não ser perfeito, por exemplo se você pegar o personagem, eu não vou mais falar o nome dele, senão vocês vão ficar me sacaneando, ele tem, a pele dele tem feridas, a roupa dele tem sujeira, o rosto dele tem rugas, muito mais rugas que qualquer um outro filme colocou em um personagem, e o Beowul utiliza uma técnica de modelagem, quando a gente começar a falar de modelagem vocês vão entender, que ele não modela como se fosse um boneco, ele modela de forma como se fosse um esqueleto. O personagem ele tem músculo, ele tem tudo por dentro, então na verdade pra criar esses personagens...

Mau: mas não tem as bolinhas por dentro, não é isso? resumindo... (risos)

Juras: nãão, num dá Mauricio, pra colocar bolinha dentro do cara

Mau: mais então, por issOO, ai meu Deus, vai

(risos)

Ph: tu quer um ator de isopor, com umas bolinhas de isopor dentro dum saco? Num tô entendendo...

Gustavo: não, mas ó, o Beowuf, ele tem umas coisas, a mulher, a figura da mulher ela é imperfeita, tem ruga... aquela mulher maravilhosa ela tem ruga, se você olhar ela tem defeitos. Então, esse defeito é que te dá a dúvida, caramba é feito em computador? Eu vi Beowulf aqui no...

Mau: só um pouquinho, só um pouquinho professor, só um pouquinho...

-então quer dizer que se eu vê uma mulher na rua e ela tiver rugas eu vou dizer ela tem defeitos?...

Gustavo: é porque a gente já tá acostumado...

Mau: não, só um pouquinho, então nós estamos diante de robôs no meio da rua...

Juras: não, não, a verdade é que ele tá explicando é que hoje em dia...

Mau: ele tá explicando que ter ruga é defeito.

Juras: mas não é defeito não?

Gustavo: é uma falha! ninguém nasce com rugas

Ph: oh, você não tá entendendo...

Mau: eu tô falhado, eu tô falhando 

(risadas)

Juras: cheio de curto circuito, o Maurício...

Ph: você não está entendendo, são os defeitos que causa a perfeição, você tá querendo levar...

Mau: o cara que usa Viagra no mundo da computação gráfica, ele tá fudido, né? não é isso?

Juras: Ariano Suassuna, tá todo defeituoso...

Gustavo: tá lascado, o cara é só rugas

Ph: vamos, vamos pegar o Super Homem, certo, por exemplo, eles colocaram, eles gastaram 325 milhões de dólares pra colocar efeitos visuais na cueca do Brandon Routh.

Juras: pra esconder o membro dele

Ph: pra esconder o membro dele, que segundo pessoas que estiveram próximas nas filmagens, era muito avantajado, assim, pra frente, sabe, ficava volumoso...

Juras: ele deveria ter deixado, Raphael?

Ph: não, eu não entro nesse mérito da questão... eh, então, quando ele fazia certas cenas picantes, né, incrivelmente avantajava..

Juras: ele ficava com uma espiga de milho no calção

Gustavo: aparecia muito a parte picante?

Ph: então, pra não mostrar essa imperfeição, naquele caso, tacou-se computação gráfica..

Mau: imperfeição??? não... só um pouquinho,  o cara ter ruga é defeito e o cara ter um pau grande é imperfeição??

(risadas)

-professor, eu peço permissão pra sair da aula

Gustavo: vai beber uma água, né?

Mau: ah pára aí...

Ph: tá bom, Maurício...

Juras: o negócio é ter pau pequeno

Mau: o negócio é ter pau pequeno aí eu tô dentro da aula, vam'bora 

(risadas)

- isso vai chocar mais as mulheres, mais do que falar mau do Jhonny Deep

Gustavo: num vai?

Ph: vamos explicar as suas imperfeições...

Juras: o que o Gustavo tava tentando explicar é que quando uma pessoa tá desenvolvendo um modelo digital, né,  ele não pode ficar perfeito porque os seres humanos não são perfeitos, entendeu?

Ph: exatamente... você pode fazer uma comparação com aquele filme lá da estação, como era? do Tom Hanks, o Expresso Polar, estação não (Mau rindo: estação de trem)... você faz uma comparação com a técnica de Expresso Polar com o de Beowulf, "biullf", certo, o que que acontece? O Expresso Polar era muito perfeitinho, era muito arredondado...

Juras: porque era uma cópia digital dos atores, né, que estavam fazendo ali...

Gustavo: parece um manequim, né?

Ph: isso, manequim de loja

Juras: do "bilulf" (risos) ele na verdade tem uma barrigona e no filme ele não tem barriga, né, ta forte e tudo mais....

Gustavo: não, mas o imperfeito é o perfeito da computação gráfica

Mau: ô professor, o Exterminador do Futuro 2, não tinha, o T-1000, ele não é usado essa técnica, né?

Juras: fantástico aquele tiro na cabeça dele que a cabeça dele abre

Gustavo: é usado computação gráfica

Mau: não, mas os pontinhos também? igual do Gollum?

Gustavo: não, deixa eu...

Juras: nãao, não, não né não Maurício

Mau: ah, eu acertei professor!

Gustavo: eu tô querendo lembrar o nome da técnica. Mas num vou lembrar que o nome é difícil, mas olha só o Exterminador do Futuro, ele foi feito de uma maneira diferente... e essa técnica dos pontinhos na época do Exterminador do Futuro ela ainda não tinha sido inventada, então o que que eles fizeram? sabe aquela cena, eu não lembro se é no 1 ou se é no 2, que o exterminador vira, tipo, todo de mercúrio, todo prateado

Juras: no 2, na maquina de raio x né

Ph: no 2, tudo o que presta tá no 2

Mau: no 2, no 2

Gustavo: aquela cena foi feito o seguinte, tinha um ator, ele ficou só de cueca, e aí riscaram nele de caneta uma grade, todo quadriculado, o cara parecia um tabuleiro de xadrez, aí a filmagem, o computador pegava o movimento das interseções, né, porque se você faz uma grade desenhada no corpo, tem horas que essas linhas se cruzam, então eles pegavam...

Ph: simulando então, simulando os pontinhos da roupa do Gollum

Gustavo: isso aí, foi daí que teve a idéia dessa técnica dos pontinhos... no Exterminador do Futuro... foi legal o Maurício ter lembrado

Ph: O Maurício só ganha estrelinha aqui...

Mau: mas agora se jogaram xadrez nesse rapaz, a onde enfiaram a rainha?

(risadas)

Juras: hey, hey, mas assim, vamos citar um exemplo aqui que foi revolucionário também, o Terminator ele veio antes, Terminator 2 que foi revolucionário, lógico, mas mais revolucionário que ele foi Jurassic Park né? se você prestar atenção...

Gustavo: maravilhoso, cara, maravilhoso

Ph: mas porque? eu quero saber porque... todo mundo fala, por exemplo eu sou uma pessoa de 15 anos de idade, certo, todo mundo fala: vixe Jurassic Park é foda, Jurassic Park é num sei o que. Só que hoje eu vou assistir Jurassic Park, ó presta atenção, dizendo que eu tenho 15 de idade eu vou assistir Jurassic Park e é uma grande merda.

Juras: né nada, não é

Ph: mas pra mim, eu tô vendo pela primeira vez...

Mau: ô professor?

Ph: Mauricio você tá tirando o meu direito de voz

Mau: não, por favor, vai, vai, 15 anos, vai debutante

Ph: então o que que tem esse bololô todo por Jurassic Park? Porque é que falam tanto de Jurassic Park? Porque é que eu que tenho 12 anos de idade tenho que assistir Jurassic Park?

Mau: tu assistiu no cinema Jurassic Park?

Juras: eu vi

Gustavo: grandioso, né?

Mau: eu nunca vou esquecer aquela cena onde o Tiranossauro Rex respira e balança o chapéu do Sam Neill, aquilo é fantástico e eu quero saber, professor, aquilo ali é um animatronic, não é? Aquilo ali não é totalmente computação digital né?

Gustavo: olha eu acredito que aquilo ali seja animatronic mesmo. Aquilo ali é um robô só a parte superior da cabeça do Tiranossauro que foi feito, (Juras: foi não) ou então pode ser feita de uma outra maneira (Juras: né não) Não tinha dinossauro ali, alguém amarrou uma cordinha no chapéu dele e ele falou assim simula que tem uma cabeça gigantesca aí na tua frente (Mau: não) e puxou...

Mau: mas a cabeça é real, a cabeça toca ali, a cabeça te toca. Então, professor Jurandir, me diga, aquilo ali não é animação...

Juras: é assim, é o seguinte, na época em que o Spielberg começou a projetar o Jurassic Park ele tinha a idéia de que todos os dinossauros do filme seriam robôs, só que um carinha, não lembro o nome desse rapaz, ele chegou e mostrou pro Spielberg, um tiranossauro rex correndo todo em computação gráfica, aí ele, sabe ele disse assim: rapaz, que bonequinho que nada, vamo jogar na computação, né. Daí pra não jogar todos os movimentos... o mais impressionante que eu lembrei agora, cara, ele fez com aqueles bonecos, você lembra daquele ataque do Velociraptor dentro de uma cozinha, o cara fez essa cena toda em stop motion, você acredita?

Gustavo: caramba

Ph: não

Juras: o primeiro material dele foi todo em stop motion

Gustavo: que é a técnica da Fuga das Galinhas que a gente explicou, né

Juras: O Spielberg viu isso em 90 e falou assim: caraca, espetacular, fantástico! aí chegou um nerdzinho com um computador na mão e mostrou um ataque do tiranossauro correndo com vários dinossauros ao lado dele

Ph: e diga-se de passagem, Jurandir, esse nerdzinho chegou primeiro mostrando isso pro George Lucas que ele queria um contrato na empresa do George Lucas, lá a light, num lembro o nome, e o George Lucas disse, não tem um amigo meu que tá gravando um negócio e ele vai gostar se tu mostrar isso pra ele, que no caso o amigo era o Spielberg, né

Juras: é, e quando ele mostrou o Spielberg disse assim, fantástico, fantástico, vamos começar a fazer com isso... mas pra não jogar tudo o que foi feito fora, algumas coisas foram aproveitadas como por exemplo, ce lembra da cena que tem um dinossauro grande deitado no chão e a mulher enfia a mão na bunda dele? pra pegar o coco e tudo mais? aquilo dali é um robô mesmo...

Ph: não, não, ela não enfia a mão na bunda dele não, a merda já tá do lado assim, ele ta deitado, ela faz carinho no rosto dele...

Juras: isso, ela tá procurando a merda em alguma coisa

Ph: ela deita na barriga que ta respirando, tipo, como é? eu não sei nome de dinossauro não, aquele dinossauro que tem chifre lá, aí ele deita na barriga e ela sobe e desce na barriga

Juras: aí o mais impressionante, cara, é porque se você reparar, você consegue diferenciar quando é computação gráfica e quando é... que é 90, né bicho, 90 foi uma época muito difícil pra você fazer tudo muito parecido, né, por exemplo tem uma cena que aqueles herbívoros sobem o pescoço gigante assim, a menina coloca a mão nele, dá uma planta na boca dele tudo, aquilo dali é o robozão, entendeu, é o robozão, agora por exemplo, todas as cenas do tiranossauro são computadorizadas porque ele sempre faz algum estrago, né, se você reparar o tiranossauro sempre faz algum estrago

Ph: é por isso então que, por exemplo, com os outros dinossauros inclusive os velociraptors, há sempre uma interação maior dos atores com os dinossauros em si, já com o tiranossauro, não. Se você reparar a câmera tá sempre no cenário, a câmera procura fechar no cenário e no bicho do que nos atores interagindo com ele

Gustavo: é isso foi o que o Jurandir falou, 90 né gente, é aquela coisa, você olhava e falava a isso é feito em computador, isso não é, hoje eu duvido alguém conseguir me dizer exatamente o que é computação e o que não é.

Juras: agora, Gustavo, eu  te dou uma rapadura se tu adivinhar qual foi a empresa que forneceu os computadores pra equipe do Steven Spielberg

Gustavo: Foi a Silicon Graphic

Juras: ae (risos) exatamente... aquela mesma que forneceu pro Senhor dos Anéis, entendeu

Gustavo: é, mas a maioria é feito assim, a maioria

Juras: e o mais interessante é que tem muitos programas que foram feitos pro Jurassic Park e foram feitos em Pascal acredite você...

Gustavo: olha meus alunos ae, você vão falar que não serve pra nada

Juras: é verdade, todo mundo diz isso... (risos)

Gstavo: toma lá

Juras: mas o interessante do Jurassic Park mesmo, cara, é que eles conseguiram numa... aquela cena final, que aparecem o tiranossauro e ele mata os dois velociraptors e tudo, né, que eles pulam em cima dele, aquela cena foi filmada toda com cenário, sem nada nem gente, sem nada, aí a faixa caindo, a clássica faixa do parque dos dinossauros caindo assim né, na frente da tela, uma faixa de boas vindas, né, aí eles colocaram tudo digitalmente. tudo fantástico, fantástico. Eu acho revolucionário, até hoje em dia quando eu for ver, se o Spielberg confirmar a direção de Jurassic Park 4, eu vou estar com certeza na primeira fileira assistindo o filme porque eu sei que vai ser algo revolucionário, como o Michael Bay conseguiu fazer recentemente com os Transformers, né, a gente pode até falar já dos Transformers, né

Ph: pronto, já que falando de Transformers, vamos falar de Transformers, que está sendo indicado aí em Efeitos Especiais, se eu não me engano, ao Oscar, né, ou não... e foi indicado ao Rapadura do Ano também, Melhor Cena de Efeitos Especiais

Juras: eu considero em filmes live action, o top da computação gráfica, eu considero

Ph: então vamos explicar qual é o porque desse bololô todo com o Transformers, certo, vamo olhar de leigo, a pessoa ligou o dvd, nunca se ligou em computação gráfica, o que e que ela pode reparar de diferente em relação a outros filmes?

Gustavo: é, primeiro o impacto que o Transformers fez, né, que ele criou, foi justamente pela nossa infância, né, eu passei a minha infância vendo Transformers, e a nossa infância viu aquele Transformers toscão, né, aqueles caras quase que vestido de caixa de sapato e o que o cinema mostrou cara, eu fiquei... ah teve gente que ficou falando: ah, que ficou mal feito... cara, olha a perfeição foi na sujeira da lataria, principalmente na modelagem dos carros, tá, os automóveis eles foram modelados à perfeição, não teve o tirar nem..

Juras: Ah, o grande mérito, né Gustavo, eu não vejo só nesses pequenos detalhes, lógico que é perfeito, mas justamente em conseguir mesclar, robô, ambiente, objetos e seres humanos, cara, tudo no mesmo lugar

Gustavo: exatamente o que foi feito em Jurassic Park, só que com quantos anos depois?

Juras: 17 anos, né Gustavo

Gustavo: é muita coisa... e a evolução da tecnologia é incontestável... ficou perfeito...

Ph: então... uma dica minha, três filmes pra você entender isso que a gente tá falando de interagir pessoa e personagem não real, certo? personagem real e personagem não real, pega Jurassic Park, certo? pega King Kong e Transformers por último... Faz uma linha de tempo e assiste os três filmes

Gustavo: você vai conseguir perceber a evolução. Quer ver um que eu gosto que foi o primeiro a usar computação gráfica, Tron, eu tenho ele aqui em dvd

Ph: Tron, o Jurandir não assistiu Tron

Juras: não nunca vi

Gustavo: ele usou computação gráfica, naquela motinha, eu tenho ela em dvd aqui, comprei na "FNAC" (??), muito bom

Juras: agora, o interessante é porque aqueles robozinhos que você tinha na sua infância que tinha mobilidade nenhuma, no filme ele ganhou uma mobilidade total né?

Gustavo: Ô, até dança né, tem um que é o dançarino do negócio... é muito, muito perfeito, eu fiquei abismado, eu vi Transformers três vezes no cinema pra eu olhar mesmo... eu sou assim, meus alunos falam, eu sou o único gigante numa fila de estréia de filme de criança, porque eu vou ver

Ph: não, eu só não sou um gigante porque tenho 1,70 só...

Gustavo: não, eu tenho quase 1,90 eu tenho 1,89 e eu fico lá paradão no meio das crianças e vejo mesmo, vejo estréia... filme da Disney-Pixar então, não tem como...

Ph: então vamos voltar né

Juras: vamos falar assim, nós já falamos de filmes que tem captura de movimentos, né, falamos de filmes de stop motion, né, falamos de filmes live action que tem o uso da (Ph: mistura, né) computação gráfica e tudo, mas vamos falar dos filmes que o fundo é todo verde, mas com pessoas, né, por exemplo, Sim City e 300, vamos dar esses dois exemplos aí

Ph: primeiro, a gente tem que falar que antes do Sim City, a gente credita muito ao Sim City, mas teve lá o capitão Sky e num sei que mais lá e num sei o quê, que é uma bosta, mas que lançou esse tema de filmar tudo, de rodar tudo, dentro de uma salinha com fundo verde, fundo azul, seja o que for...

Gustavo: é o chroma key, né... ele...

Juras: vamos falar primeiro do Sim City, né, que veio antes,

Mau: antes eu só queria dizer que o chroma key acho que a gente veio bem à cabeça das pessoas quando veio a MTV né, foi muito usado o chroma key na MTV

Gustavo: isso aí, foi muito, até a exaustão né, até ce não aguentar mais...

Juras: Chapolin era chroma key (Gustavo: ele voando né?)

- ele voando, ele pequeno... o Chapolin pequeno...

Ph: o Didi, o Didi (risos)

Juras: também

Gustavo: é mesmo né, você começa a ver aqueles personagens com aquele contorninho, aquela coisa assim

Ph: o Didi, ele é o mago da computação gráfica o Didi, o Didi (risos)

Mau: falemos de 300, falemos de 300

Juras: assim, só dá uma pincelada no Sim City, porque assim, a técnica do Sim City foi o que realmente colocou no foco esse negócio de tirar a graphic novel e levar pro cinema, né, assim, foi o que teve um estouro muito grande, inclusive os ambientes todo retratado, o filme em preto e branco e mistura com as cores dos vilões, né, aquele cara amarelo e tem o sangue diferenciado, o filme preto e branco e tudo mais, fantástico né, mas a grande referência mesmo veio do 300, o 300 em 2007 que eu particularmente acho que é uma mistura de vários tipos de efeitos especiais que você possa imaginar

Gustavo: aquilo é um filtro, na verdade aquilo ali, ele é feito em chroma key, pra poder botar o cenário, isso facilita bastante na hora de montar um cenário, o cenário digital se monta muito mais fácil que um cenário real e a questão do filtro total que você vê que você não percebe a pele do personagem, não tem pele como a gente, ele tem um grande filtro, um grande desfoque, é como se ele borrasse, é como se ele fosse pintado, exatamente pra dar a idéia da graphic novel

Juras: mas você num  percebe muito assim, tanto que...

Gustavo: não, você só percebe se você olhar, que tem alguma coisa diferente, aquele cara que diz assim: pô peraí, tem uma coisa diferente aí, mas o cara não percebe o que que é

Juras: mas o mais bacana que eu acho, assim, todo diretor que consegue fazer cenas, sei lá, de 50 segundos, 1 minuto, sem corte merece um crédito, né. Tem uma cena de batalha do 300 que é feita em câmera lenta, né, que não tem corte. Tem uma aceleração de câmera, depois câmera lenta e acelera e tem câmera lenta, aí tem a música perfeita, bem coreografado, eu acho esse uso.... porque o sangue do filme é todo digital, né cara, e tem muito sangue, né cara...

Gustavo: pra caramba

Ph: Matrix, o que que a gente pode aproveitar de Matrix

Juras: revolucionário, né... antes de falar de Matrix, Raphael, eu tenho que falar de um... que a gente não falou de desenho né, de desenhos que usam computação gráfica né, desenhos 2D, eu vou citar o grande exemplo que é o Rei Leão, né (risos)

Gustavo: o Rei Leão foi usado, foi usado

Juras: foi um filme... que eu particularmente acho o melhor filme da história do cinema, né

Ph: vou comer uma pizza aqui e volto já

(risos)

Juras: inclusive eu irei tatuar o nome The Lion King no meu braço e disponibilizarei no Cinema Com Rapadura pra vocês verem. O Maurício tem Magnólia em um e tem Lost em outro, porque que eu não posso colocar o Rei Leão no meu braço?

Gustavo: é verdade

Ph: porque tu não tem 10 anos

(risos)

Gustavo: agora o Maurício vai tatuar um Z grandão, não vai não Maurício?

Mau: exatamente...

Ph: em 3D

Juras: mas quando eu assisti o filme eu tinha 12 anos, eu tinha mais

Ph: sim, pronto, morreu o Rei Leão, posso fazer uma pergunta técnica, já do assunto?

Juras: vamos lá (risos) pode perguntar

Ph: posso? É uma coisa que a gente não observa em Rei Leão, mas a gente observa nos filmes da Pixar ou nos filmes que são feitos totalmente em animação, certo? animação 3D. O Maurício também vai entrar nesse assunto, Maurício, quando a gente tá rodando um filme, certo, não há só uma câmera capturando aquela cena, correto?

Mau: depende da produção, né

Ph: não, mega milionário

Mau: ah ta... vamos dar um exemplo então de Renny Harlin, que é o rei de usar quarenta e cinco câmeras, ele usou 45 câmeras no filme de Stalone aquele de formula 1, numa cena ele usou 45 câmeras

Juras: estragou o filme, né (risos)

Ph: perfeito, então são várias tomadas diferentes que faz você passear pelo ambiente, pelo cenário, pela locação...

Juras: eu num vou falar do Rei Leão não, tu vai falar do Matrix agora Raphael?

Ph: peraí, faz você se sentir dentro daquilo ali, isso também acontece no 3D, correto Guanabara?

Gustavo: acontece... e tudo por processo automático, você pode fazer... uma vez que você modele o cenário você pode se movimentar a vontade ali

Ph: exatamente, então é importante também o pessoal notar isso. No Rei Leão, não tanto, né, que é em 2D é um negócio mais fixo, parece mais uma fotografia, não que seja uma merda assim, sabe, não tô brincando

Juras: é o comentário que... realmente eu deixo pro Simba fazer suas reverências (leão rugindo)

Ph: só pro Jurandir ficar com raiva. Mas a gente repara muito isso, é interessante também notar como a gente passeia no cenário mesmo o filme sendo 3D, num tem uma  coisa estática, da impressão de ser live action por ter mais de uma captura da mesma cena, só isso

Juras: é, depois de Exterminador do Futuro que usou muita tecnologia e ficou fantástico, depois de Jurassic Park que ficou fantástico também, Rei Leão ele foi TODO desenhado a mão, todo desenhado a mão, o estouro das manadas que é muito bem feito, tem cerca de 3 minutos, ele demorou quase dois anos pra ser feito, né, porque é complicado você fazer aquilo e foi justamente o que o Guanabara falou, é  a multiplicação de personagens, sabe

Gustavo: isso, de modelo

Juras: só que

Ph: no Rei Leão, à mão

Gustavo: não, o estouro não...

Juras: o estouro não, foi todo computação gráfica, é tanto que você consegue reparar quando um filme é todo desenhado a mão do que ele feito digitalmente, você consegue ver a vibração das cores dele é completamente diferente

Gustavo: diferente, o sistema de cor, o sistema de sombreamento / iluminação é diferente

Juras: e é diferente, bicho, você fazer um trabalho desse, com um leão do teu lado, um leão vivo mesmo, um leão do seu lado e você desenhando, do que você olhar fotinha e olhar vídeo na internet no Discovery Channel essas coisas ae...

Mau: deve ser bem diferente

Ph: deve ser bem diferente, a gente não sabe, porque ninguém sobreviveu, né, nenhum desenhista sobreviveu até hoje pra contar a história, qual é a sensação de olhar uma foto de um leão e estar do lado, né (risadas) oi leão, posso te desenhar?

Juras: Você desenha e morre, né

Mau: (risos) é diferente, é bem diferente mesmo

Ph: tem que captar o movimento da mandíbula do leão, já pensou?

Juras: o cara dá um comprimido pro leão, dura dois minutos, desenha aí bicho (risos)

Gustavo: desenha e sai correndo

Ph: por isso que ficou tão perfeito, cara, o cara desenhou em 50 segundos

Juras: mas é lógico, a gente tá brincando aqui, mas a Disney e a Pixar, ela usa muito esse tipo de ferramenta esse tipo de suporte, por exemplo, o Procurando Nemo, eles colocaram aquários com os personagens vivos, assim, pra eles ficarem vendo os movimentos e tudo mais

Gustavo: a estrutura é, é verdade

Mau: esse aí sobreviveu

Ph: esses são os sobreviventes, o filme Tubarão, não houve... (riso)

Gustavo: deixa eu só falar um negócio que eu lembrei agora, a Pixar tem uma proposta diferente dos outros estúdios, não sei se vocês comentaram isso, mas é interessante perceber depois que você ouve alguém falar, você começa a perceber, por exemplo, no filme da Dreamworks, vamo pegar Shrek, no Shrek você percebe as formas humanas, então você tem como dizer: pô, a princesa Fiona não tá perfeita, aquele reizinho anão não tá perfeito. No Carros, porque que você não fala que Carros não tá perfeito? Porque não existe carro que fala, não existe um monstro que sai de dentro do armário, não existe um rato cozinheiro...

Ph: Não, a gente falou muito isso lá no podcast da Pixar

Juras: ela cria seres inanimados, formigas, ratos

Ph: exatamente, ela anima o inaminado

Gustavo: isso faz com que ela seja perfeita

Juras: perfeito

Gustavo: entendeu? você fala: caramba, o carrinho tá perfeito! Claro, ce não tem um outro carrinho que fala pra comparar...

Ph: agora voltando a minha pergunta, Matrix.

Juras: vamos falar  do filme que é, assim, muita coisa revolucionou na história do cinema, né, mas Matrix de 99... justamente na virada do milênio

Ph: Irmãs Wachowski

Gustavo: (risos) 

Juras: Walchavis

Gustavo: as irmãs conseguiram trabalhar legal, e foi aquilo que o Jurandir falou, trabalharam numa época em que não tinha muita ferramenta, essas técnicas só foram surgir depois disso e a técnica do Matrix, a cena clássica, aquela que a câmera gira em volta do personagem aquela técnica chama se bullet time, então o bullet time foi uma criação, já tinha sido inventado mas pouquíssimo utilizado e os irmãos Wachowski, como é que é Raphael? As irmãs, eles utilizaram isso juntamente com a técnica do chroma key que eu falei pra vocês. Era um cenário totalmente  verde, os personagens ficavam se movimentando muito pouco dentro desse ambiente verde e muitas câmeras... Imagina o seguinte, pega uma câmera fotográfica e vai prendendo na parede uma do lado da outra até formar 3000 câmeras e aí você vai fazer com que uma tire foto uma logo após a outra certo, isso vai captar o movimento num ângulo de 360 graus, por exemplo, se você conseguir fechar o circulo de câmeras. E aí o que que acontece? Juntando tudo e tirando o fundo verde e botando um cenário fica um efeito muito legal, muito legal mesmo, e foi aquela cena exaustivamente utilizada... o da bala...

Juras: eu vi no cinema, cara, quando eu fui motivado a ir ao cinema, foi minha irmã que assistiu primeiro, ela disse assim: olha, assiste esse filme aí Matrix, é meio doido, você sai não entende nada, mas acho que tu vai gostar. Quando eu cheguei lá e vi essa cena no topo do prédio, cara, meu queixo já caiu... o filme já começa com a Trinity dando aquele salto karate kid né...

Gustavo: bullet time foi usada a primeira vez logo no inicio, é verdade

Ph: o salto da garça voadora

Juras: é de cair o queixo e foi muito reproduzido, em tudo

Gustavo: é, a partir daí todo mundo começou a copiar né

Juras: até aquele jogo Max Payne que saiu em 2001, inclusive vai sair uma adaptação, você sabe que vai sair uma adaptação pro cinema?

Gustavo: isso aí eu ouvi falar também

Juras: sabe quem que vai fazer o Max Payne? o Mark Wahlberg, o dos Infiltrados, né, Mark Wahlberg

Gustavo: maneiro, eu tô esperando... olha dois filmes que eu tô mais esperando que deve ter bastante computação agora, até pra poder esconder os defeitos, é o Indiana Jones que deve vir grandioso e Speed Racer que deve vir muito legal também... disseram que a computação do Speed Racer vai derrubar ele, diz que não tá tão bem feito

Ph: Speed Racer?

Gustavo: ele não vai ficar tão bom porque a computação dele, ele vai usar modelos em live action, personagens live action, com modelos do carro, só que pelo o que eu li, eles querem fazer o modelo do carro parecer o modelo do desenho, tipo 300, da aquela idéia de desenho, só que ele vai dar ideia de desenho somente quando o carro aparecer... isso vai ficar esquisito, cara...

Juras: eu também acho, vai ficar caricato

Ph: eu acho que o pessoal que vai assistir...

Gustavo: eu também acho, esse é o meu medo

Ph: as irmãs Walchowski, a gente pode esperar coisa boa, eu aposto meu dinheiro

Gustavo: olha, vamos falar o que é modelagem que todo mundo... a gente já falou várias vezes no termo modelagem e não explicamos o que que é, né... quando um filme ele vai precisar usar computação gráfica, por exemplo, quando você vai usar um filme e tem um personagem que é live action, um ator, é só você contratar o ator. O ator tá feito, né, é só chamar o ator e ele tá pronto. Quando você quer fazer, por exemplo, no Eu, Robô, teria um robozinho lá, que é o personagem principal, um dos personagens principais, o que que você precisa fazer? Criar esse robô, certo? Como esse robô não existe, você tem que modelar. Modelar vem de, tipo, modelar do barro mesmo, só que você não usa barro, você usa uma grade digital, né, chamado pé, então essa grade ela é modelada, você consegue pegar pontos e modelar; e uma vez modelado, se você conseguir estruturar bem teu modelo, você consegue fazer qualquer movimento com ele, então, às vezes quando você conta: ah, sei lá, o Montros.SA demorou 5 anos pra ficar pronto, você pode pegar boa parte desse tempo pra modelagem, pra criar os personagens, porque uma vez criado, você pode fazer o que quiser com eles

Juras: e a renderização?

Gustavo: a renderização é o seguinte: modelou, vamos imaginar, criou um modelo (Ph: tabuleiro de xadrez) exatamente, é como se fosse uma grade mesmo, fica como se fosse um arame na tela, colocou esse modelo pronto aí você vai dar uma capinha pra ele, vai botar cores, vai iluminar, vai ver a animação. Aí isso tudo é feito de uma maneira meio feia, aparece na tela meio feio pro modelador, por que? Porque o computador precisa fazer cálculos; aí entra a matemática, computação gráfica é muita matemática. O processo de renderização é o que? É juntar tudo aquilo que o modelador e que o artista gráfico quis que aparecesse na tela. Ele vai juntar o modelo, a estrutura, o esqueleto como Raphael disse, ele vai juntar a carcaça desse esqueleto, né, a pele, cabelo movimento de cabelo, toda a física envolvida no modelo real no modelo do computador, cenário, iluminação, sombreamento, efeito de reflexão, refração, água, fogo... tudo junto vai gerar um modelo (Ph: Coração, Vai Planeta!!) (risos) ele vai gerar isso tudo um modelo, uma tela bidimensional, ele vai gerar uma representação tipo aquele, lembra do plástico que eu falei lá no início, do teatro, aquele plástico todo pintadinho e você vai pensar que aquilo ali é o ator; isso é o processo de renderização.

4. encerramento (1:21:40)

Juras: então é isso, né?!... (risos)

Ph: Maurício, tem alguma pergunta, Maurício Saldanha?

Mau: não, não, eu só queria agradecer muito Gustavo, eu quero ainda assistir a tua palestra ao vivo, muito produtivo, muito

Juras: ao vivo em 3D, né

Mau: muito importante, eu falo em nome de todos os ouvintes do Rapadura

Gustavo: ah muito obrigado, obrigado mesmo

Juras: é isso aí, valeu Gustavo pela presença aqui, mais do que especial

Ph: escutem o podcast Guanabara.info

Juras: exatamente

Gustavo: teremos surpresas, não teremos surpresa?

Ph: teremos...

Juras: ou não, né ( risos)

Gustavo: não, gente, olha só, eu que só tenho a agradecer pelo convite, né, esse convite já foi feito a algum tempo e eu tava enrolando o pessoal, né, pra preparar material pra fazer um negócio direito, então eu só tenho a agradecer sempre que precisar estamos aí, se precisar de alguma explicação louca do negócio que envolva tecnologia, podem me convidar que eu vô tá sempre aqui

Mau: e se tu precisar de alguém que não fale nada, chama eu e o Raphael (risos)

Gustavo: mas vocês já tão convidados, o convite já tá feito

Juras: exatamente, então visitem lá guanabara.info

Mau: e aos alunos do Gustavo que estão ouvindo o Rapadura, um abraço galera (risos)

Ph: Maurício, Maurício dá o grito

Gustavo: tem, vários fãs do Maurício, quem tá pedindo aqui pra eu falar com o Maurício pra dar aquele grito

(Mau grita yoohoo) (risos)

Juras: exatamente, valeu Raphael, valeu Mauricio um abraço aí

Ph: eu que agradeço, Jurandir

Juras: até semana que vem ae com mais um RapaduraCast

Gustavo: até mais!