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O critério usado para a
seleção dos 10 maiores roteiristas da atualidade
foi baseado na filmografia e trabalhos
importantes. Como regra, só foram escolhidos
roteiristas vivos. |
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WOODY
ALLEN
(1 de Dezembro de 1935 - Brooklyn, New
York, EUA)
Woody Allen escreve, dirige e freqüentemente
também interpreta o papel principal dos seus
filmes. Habitualmente, são comédias irônicas
cujo significado mais profundo sobressai de
imediato para o espectador. Nelas aparecem
comumente as atribulações psicológicas de
personagens mais ou menos intelectuais que
tentam, de maneira tragicômica, adaptar-se
às condições de vida da grande cidade e da
sociedade norte-americana. Allen, autor
independente muito popular na Europa,
iniciou sua carreira escrevendo gags para a
televisão e obras de teatro. Ele, nos
últimos anos, conseguiu manter uma média de
1 filme por ano. Mais impressionante que
isso é sua capacidade de fazer obras-primas.
A primeira foi “Noivo Neurótico, Noiva
Nervosa”, que recebeu quatro Oscars (três
para Allen, de melhor filme, roteiro e
direção, e um para Diane Keaton, de melhor
atriz). O Oscar inclusive é grande conhecido
de Allen. Apesar de não ter comparecido em
nenhuma das cerimônias em que estava
concorrendo, Woody conquistou mais um prêmio
de melhor roteiro original, por “Hannah e
suas Irmãs”. No total recebeu 21 indicações,
sendo 14 como roteirista, 6 como diretores e
1 como ator. Em 2002, no Oscar seguinte aos
atentados de 11 de setembro nos Estados
Unidos, Allen finalmente compareceu à
cerimônia para fazer uma emocionante
homenagem à cidade de NY. Entre seus
principais filmes, estão: "Manhattan"
(1978), "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985),
"Todos dizem Eu Te Amo" (1996) e "Vicky
Cristina Barcelona" (2008). |
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IRMÃOS COEN (JOEL COEN E
ETHAN COEN)
(29 de Novembro de 1954 e 21 de Setembro
de 1957 - Minneapolis, Minnesota, EUA)
Joel Coen nasceu em 1954, nos EUA e
estudou Cinema na NYU. Seu irmão Ethan
nasceu em 1957 e formou-se em Filosofia na
Universidade de Princeton. Quando eram
garotos, Joel economizou dinheiro suficiente
cortando gramas para assim comprar uma
câmera Vivitar Super-8, e juntos eles
refizeram filmes que viam na televisão com
um garoto vizinho, Mark Zimering (apelidado
de Zeimers), como a estrela. Depois de
formarem em Simon's Rock, Joel gastou quatro
anos no programa universitário de filmes da
Universidade de Nova York onde ele realizou
um filme-tese de 30 minutos chamado "Soundings".
Depois de também ter formado em Simon's
Rock, Ethan entrou na Universidade Princeton
e conseguiu uma graduação em filosofia em
1979. Depois de se formar em Nova Iorque,
Joel trabalhou como assistente de produção
em algumas produtoras de filmes e vídeos
musicais. Ele desenvolveu um gosto
particular pela edição de filmes e encontrou
Sam Raimi, que estava procurando um
assistente de diretor para seu primeiro
filme, "The Evil Dead" (1981). Entre seus
filmes, destacam-se "Barton Fink – Delírios
de Hollywood", Palma de Ouro e Melhor
Diretor no Festival de Cannes 1991; "Fargo",
Oscar de Melhor Roteiro 1996; "O Homem que
Não Estava Lá", Melhor Direção em Cannes
2001; e "Onde os Fracos Não Têm Vez", Oscar
de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor
Roteiro em 2008. |
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CHARLIE KAUFMAN
(20 de Setembro de 1958 - Nova York, EUA)
"Um filme deve ter a personalidade de
quem o dirige", esbravejava um grupo de
jovens franceses nos anos 50, cheios de
energia e fúria contra o cinema feito na
França na época. Eles viam o diretor como o
verdadeiro "autor" dos filmes,
responsabilizando-o pelo seu eventual êxito
ou fracasso. Obras como "Quero ser John
Malkovich", "A Natureza Quase Humana",
"Confissões de uma Mente Perigosa",
"Adaptação" e "Brilho Eterno de Uma Mente
Sem Lembranças" têm em comum o fato
histórias com bastante personalidade. Também
têm em comum o nome de Charlie Kaufman nos
créditos, o roteirista mais popular e
poderoso de Hollywood. "O cinema é fruto
de um enorme trabalho de colaboração",
Kaufman diz, criticando a "teoria do autor"
e, ao mesmo tempo, negando que os filmes
baseados em seus roteiros seriam "filmes de
roteirista". Com seis roteiros filmados, um
filme dirigido ("Sinédoque, Nova Iorque",),
um Oscar (além de duas indicações) e uma
cabeça assustadoramente cheia de idéias,
Kaufman ganhou notoriedade graças aos seus
roteiros bem estruturados, inteligentes e,
sobretudo, inventivos. Muitos chegam a
considerá-lo o real "autor" dos filmes
baseados em seus roteiros. Há os que
idolatram a sua criatividade, enquanto
outros o repudiam, tachando-o de pretensioso
e narcisista (chegou ao extremo de, em
"Adaptação", escrever sobre si mesmo e sua
dificuldade de escrever o roteiro de...
"Adaptação"!). |
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QUENTIN
TARANTINO
(27 de Março de 1963 - Knoxville, EUA)
Quentin Tarantino alcançou a fama
rapidamente no início da década de 1990 por
seus roteiros não-lineares, diálogos
memoráveis e o uso de violência que
trouxeram uma vida nova ao padrão de filmes
familiares norte-americanos. Aos 22 anos
escreveu seu primeiro roteiro, "Captain
Peachfuzz and the Anchovy Bandit". Em 1984,
Tarantino começou a trabalhar como
balconista na Video Archives, uma
famosa locadora de filmes em Manhattan Beach;
lá se tornou amigo de Roger Avary, um colega
de trabalho com quem mais tarde viria a
colaborar em "Pulp Fiction". Ele continuou
seus estudos em atuação na Allen Garfield's
Actors' Shelter, em Beverly Hills, mas
passou a se dedicar principalmente a
escrever roteiros.
A venda do roteiro de "Amor à Queima-Roupa",
lançado em 1993, o tirou do anonimato. Ele
conheceu Lawrence Bender numa festa em
Hollywood, e Bender incentivou Tarantino a
escrever um filme. O produto final dessa
conversa foi "Cães de Aluguel" (1992), um
filme inteligente, estiloso e violento, que
definiu o tom de seus filmes seguintes. O
script foi lido pelo diretor Monte Hellman,
que ajudou a levantar fundos junto à Live
Entertainment, bem como garantir o lugar de
Tarantino na direção do filme. Harvey Keitel
ouviu falar do roteiro através de sua
esposa, que foi colega de Lawrence Bender.
Ele leu o roteiro e também contribuiu com
investimentos. |
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Quentin Tarantino e George Clooney são os
irmãos Gecko em "Um Drink no Inferno"
(1996). Seguindo o sucesso de "Cães de
Aluguel", Tarantino foi abordado por
Hollywood e recebeu propostas para dirigir
vários projetos, incluindo Velocidade Máxima
e Homens de Preto. Em vez disso, ele se
recolheu em Amsterdã para trabalhar em seu
roteiro para "Pulp Fiction". Este é um filme
de roteiro complexo e inteligente, com
enfoque bastante violento. O filme ficou
conhecido pelas aclamadas atuações de seu
elenco e, ainda, por ressuscitar a carreira
de John Travolta. "Pulp Fiction" também
rendeu a Tarantino e Avary o Oscar de Melhor
Roteiro Original, além da indicação na
categoria de Melhor Filme. O longa seguinte
de Tarantino foi "Jackie Brown" (1997), uma
adaptação de Rum Punch, um romance de seu
mentor Elmore Leonard. Uma homenagem ao
gênero blaxploitation. Tarantino decidiu,
então, produzir o filme "Inglorious Bastards".
No entanto, ele adiou o projeto para
escrever e dirigir "Kill Bill", lançado em
duas partes, Vol. 1 e Vol. 2, um filme com
temática de vingança, filmado com a
influência do Wuxia (filmes chineses de
artes marciais), filmes japoneses, filmes de
faroeste e filmes de terror italianos.
Tarantino foi creditado como "diretor
convidado especial" por dirigir e escrever a
seqüência do carro entre Clive Owen e
Benicio Del Toro do sucesso neo-noir "Sin
City". Em 2007 realizou "Grind House",
projeto dele com Robert Rodriguez. Rodriguez
escreveu e dirigiu "Planeta Terror",
enquanto Tarantino esbanjou seu conhecimento
no ramo trash, desenvolvendo um roteiro
violento, cômico e sempre com muito diálogo
em "À Prova de Morte".
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DARREN ARONOFSKY
(12 de Fevereiro de 1969 - Brooklyn, Nova
York, EUA)
O diretor e roteirista norte-americano,
após concluir os anos de colegial, foi para
a Universidade de Harvard estudar cinema,
interpretação e animação. Em fevereiro de
1996 começou a criar o conceito de seu
primeiro filme π (ou "Pi"), lançado em 1998.
Com ele, ganhou o prêmio de melhor diretor
do Festival Sundance de Cinema, o que lhe
gabaritou para dirigir um projeto maior. Ele
também faturou o Independent Spirit Awards
de Melhor Argumento de Estréia. Por um tempo
o seu nome esteve ligado a adaptação de uma
Graphic novel de Frank Miller, chamada "Ronin",
mas o projeto acabou não vingando. Depois
disso, dirigiu o bem recebido pela crítica,
"Réquiem Para um Sonho" em 2000, estrelado
por Jared Leto, Ellen Burstyn, Jennifer
Connelly e Marlon Wayans. A trama, adaptada
de uma obra homônima escrita por Hubert
Selby Jr., foi fundo na questão das drogas,
ilícitas ou não. Por esse filme, Ellen
Burstyn obteve uma indicação ao Oscar na
categoria de Melhor Atriz. A marca
registrada de Aronofsky é uma técnica
conhecida como hip hop montage. Essa técnica
mostra imagens ou ações mais com velocidade
aumentada, acompanhada de efeitos sonoros,
tentando simular alguma ação. Em 2006
dirigiu e fez o genial roteiro de "Fonte da
Vida", longa estrelado por Hugh Jackman e
Rachel Weisz. Com "The Wrestler" ele ganha o
Leão de Ouro no Festival de Veneza |
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GIUSEPPE TORNATORE
(27 de Maio de 1956 - Bagheria, Sicília,
Itália)
O cineasta começou muito jovem a
trabalhar no campo da fotografia, recebendo
vários reconhecimentos das revistas
especializadas nacionais. As primeiras
realizações cinematográficas, de tipo
documental, entre elas "Il Carretto", sobre
as tradições populares das ilhas sicilianas,
o levaram em 1979 a colaborar com a
televisão pública (RAI), para a qual dirigiu
várias produções sobre a Sicília. Em 1982,
com "As minorias Étnicas na Sicília", venceu
o prêmio pelo melhor documentário no
Festival de Salerno. Em 1984 participou da
produção e direção de "Cem Dias em Palermo",
de Giuseppe Ferrara, e dois anos depois se
lançou em sua primeira direção com "O
Professor do Crime", com o qual ganhou o
prêmio Nastro D'Argento e um Globo de Ouro
da imprensa estrangeira na Itália. A
consagração chegou em 1988 com seu segundo
filme, "Cinema Paradiso", com o qual venceu
vários prêmios, entre os quais, além do
Oscar, o grande prêmio especial do júri em
Cannes e o Globo de Ouro da imprensa
estrangeira em Los Angeles. Sucessivamente,
filmou "Estamos Todos Bem" (1990), prêmio
Ocic da crítica ecumênica internacional em
Cannes em 1990, "Uma Simples Formalidade"
(1994) e "O Homem das Estrelas" (1995),
grande prêmio especial do júri da 52ª mostra
de cinema de Veneza, indicado para o Oscar
de melhor filme estrangeiro. Em 1998 lançou
o filme dramático "A Lenda do Pianista do
Mar" e em 2000 dirigiu Monica Belucci em "Malena",
concorrente ao Oscar em 2000. |
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LUKAS
MOODYSSON
(17 de Janeiro de 1969 - Malmö, Skåne län,
Suécia)
Quando se fala em cinema sueco, logo vêm
à mente o nome Ingmar Bergman. Porém, os
novos diretores e roteiristas de cinema da
Suécia estão apresentando ótimos trabalhos,
mas totalmente diferentes dos feitos pelo
mestre Bergman, como Lukas Moodysson. Nomes
como o de Moodysson correm o mundo nos
festivais de cinema apresentando histórias
comoventes, singelas e repletas de
adolescentes entre a inocência e a sedução
inconseqüente. Antes de começar no cinema,
escreveu livros de poemas e romances. Um dos
novos expoentes do cinema escandinavo,
realizando produções que criticam duramente
e satirizam, ainda que de maneira bastante
negativa e violenta, a sociedade e o
comportamento humanos. Seu primeiro longa
metragem, "Amigas de Colégio", lançado em
1998, foi bem recebido pela crítica,
tornando-o conhecido no meio
cinematográfico. Seus dois filmes seguintes:
"Bem-vindos" de 2000 e "Para Sempre Lilya"
de 2002 também foram muito elogiados pelos
críticos de cinema e receberam vários
prêmios internacionais. Já o longa "Um Vazio
no Meu Coração" de 2004 foi considerado
fracasso de público e crítica. Um dos
motivos listados foi a inserção de cenas
chocantes demais sem necessidade. Seus
filmes partem de um mesmo princípio: a vida
chata numa cidade do interior, onde os
jovens não tem muitas perspectivas de
futuro. |
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ERIC
ROHMER
(4 de Abril de 1920 - Nancy,
Meurthe-et-Moselle, Lorraine, França)
Eric Rohmer faz parte do grupo que,
primeiro na crítica, depois na realização,
revolucionou o cinema francês com a Nouvelle
Vague: Jean-Luc Godard, François Truffaut,
entre outros. De todos eles, Eric Rohmer
talvez seja o de trajetória mais coerente. O
rigor formal e o uso constante do mesmo
grupo de atores torna seus filmes não apenas
fáceis de identificar, mas sobretudo
interligados. Não por acaso, Rohmer filmou
muitas histórias unidas em blocos temáticos.
Depois do fracasso de seu primeiro longa, "O
Signo do Leão", em 1959, Rohmer deu início à
primeira série temática, os "Seis Contos
Morais", cujos filmes começaram a
solidificar sua reputação como um observador
do cotidiano e sutil comentarista dos
relacionamentos homem-mulher. Em seguida,
deu início à série "Comédias e Provérbios",
à qual se dedicou durante quase toda a
década de 1980, escrevendo, inclusive, os
textos. Com "O Raio Verde" (1986), recebeu o
Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de
Veneza. Nos anos 90, Rohmer rodou "Contos
das Quatro Estações", e em 2001 provocou
grande polêmica com "A Inglesa e o Duque",
outro filme de época inusitado, uma visão da
Revolução Francesa do ponto de vista da
nobreza. Eric Rohmer é conhecido como o
cineasta e roteirista dos belos personagens,
dos diálogos precisos, das narrativas
contínuas, da beleza da relação entre os
seres, do dia-a-dia cheio de
excepcionalidades sem que nelas se repare. |
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GUILLERMO ARRIAGA
(13 de Março de 1958 - México City,
Distrito Federal, México)
Ele é conhecido por suas complexas
estruturas narrativas, histórias intensas e
personagens repletos de contradições e
humanidade. Escreveu os roteiros originais
de "21 Gramas" e "Amores Brutos" e trabalhou
como produtor associado em ambos os filmes.
Arriaga venceu a Palma de Ouro por Melhor
Roteiro no Festival de Cannes de 2005 com
"Três Enterros", filme dirigido por Tommy
Lee Jones, em que Arriaga também atuou. Por
"Babel", concorreu ao Oscar de melhor
roteiro original em 2007. Arriaga é autor de
três livros, "Esquadrão Guilhotina", "Um
Doce Aroma de Morte" e "O Búfalo da Noite",
e de um livro de contos chamado "Retorno
201". Seus textos, que foram traduzidos para
muitas línguas, são altamente elogiados
pelos críticos e público mundo afora.
Arriaga nasceu e cresceu na Cidade do México
e dirigiu, produziu e escreveu
curtas-metragens, documentários, séries
televisivas e comerciais para rádio e
televisão, além de ser professor
universitário há mais de 25 anos. Sobre a
literatura do mundo, ele disse: "Creio
que a literatura não promove mudanças, mas
permite formular perguntas. E as perguntas
promovem as mudanças. Uma menina em uma
livraria chegou e me disse: 'O Búfalo da
Noite' me tirou todas as dúvidas que meu
terapeuta não conseguiu tirar em três anos”.
Essa é talvez um das melhores homenagens que
se pode fazer a um escritor". |
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ABBAS
KIAROSTAMI
(22 de Junho de 1940 - Teheran, Irã)
Após ter terminado a licenciatura em
Belas-Artes, começou a trabalhar como
desenhista gráfico. Aos 30 anos, juntou-se
ao Centro Para o Desenvolvimento Intelectual
da Criança e do Adolescente, onde passou a
coordenar a seção de filmes. Assim começa a
sua carreira como diretor. Estreou com o
filme "O Pão e O Beco", em 1970.
Rapidamente, Kiarostami se destacou pela
visão realista que oferecia sobre a
sociedade iraniana. Em "O Viajante" (1974),
construiu uma brilhante parábola sobre um
rapaz que abandona a sua aldeia natal e
percorre sozinho perto de 500 quilômetros
para ir assistir a um jogo de futebol em
Teerã. Contudo, o filme que projetaria a sua
carreira a nível internacional foi "Onde
Fica a Casa do Meu Amigo?" (1987), onde
realça a história de um menino natural de
uma aldeia pobre, que foge de casa para
procurar um companheiro de turma, na ânsia
de lhe devolver um caderno. A partir daí, os
filmes de Kiarostami passaram a ser presença
constante em grandes festivais de cinema: "E
a Vida Continua" (1991) foi um brilhante
retrato do trágico terramoto que assolou o
Irã em 1991. Venceu a Palma de Ouro do
Festival de Cannes com "Gosto De Cereja"
(1997), um filme que funciona como um ato de
glorificação à vida. Ele venceu a Palma de
Ouro do Festival de Cannes por este filme e
foi reconhecido mundialmente. |
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O seu projeto seguinte voltou a merecer
reconhecimento mundial: "O Vento Nos Levará"
(1999) procurou retratar a vida cotidiana de
uma forma pouco convencional, tendo sido
agraciado com o Leão de Ouro no Festival de
Veneza. Em seguida, enveredou pelo campo da
longa-metragem documental, com "ABC África"
(2001), onde aflorou a questão da Aids.
Nunca deixando de ser um realizador
visionário, procurou seguidamente apresentar
uma nova visão da mulher iraniana
contemporânea em "Dez" (2002), um filme
profundamente marcado pelo intimismo e pela
discussão filosófica.
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