O critério usado para a seleção dos 10 maiores nomes do cinema brasileiro foi
analisando a importância de cada um nas suas áreas de atuação.

 
     

 

GLAUBER ROCHA
(14 de março de 1939 — 22 de agosto de 1981, Vitória da Conquista, BA)

Glauber de Andrade Rocha foi um dos integrantes mais importantes do cinema novo, movimento iniciado no começo dos anos 1960. Com o princípio de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", deu uma identidade nova ao cinema brasileiro. Glauber foi o primeiro filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e Lúcia Mendes de Andrade Rocha. O nome Glauber, dado pela mãe, é inspirado no do cientista alemão Johann Rudolf Glauber (1603-68), que descobriu o sulfato de sódio ou "sal de Glauber".

Em 1957, Glauber entrou para a Faculdade de Direito da Universidade da Bahia, que cursou até terceiro ano. Com poucos recursos, filmou "Pátio", utilizando sobras de material de "Redenção", de Roberto Pires. Em 1958, trabalhou como repórter no Jornal da Bahia, assumindo depois a direção do Suplemento Literário. No ano seguinte, casou-se com a colega de universidade e atriz de "Pátio", Helena Ignez. Logo após o casamento, iniciou as filmagens de seu segundo curta-metragem, o inacabado "Cruz na Praça", baseado num conto de sua autoria. Também publicou artigos sobre cinema no "Jornal do Brasil" e no "Diário de Notícias". Em 1960, nasceu sua primeira filha, Paloma. Apesar disso, separou-se de Helena um ano depois.


Trabalhou na produção de "A Grande Feira", de Roberto Pires e de "Barravento", de Luiz Paulino dos Santos, filme que acabou dirigindo depois de refazer o roteiro. Finalizou "Barravento", no Rio de Janeiro, com Nelson Pereira dos Santos. O filme foi premiado na Europa e exibido no Festival de Cinema de Nova York. Em 1963, filmou "Deus e o Diabo na Terra do Sol", que concorreu à Palma de Ouro no Festival do Filme em Cannes do ano seguinte, perdendo para uma comédia musical francesa. Em 1965, Glauber Rocha participou da criação da Mapa Filmes, junto com Walter Lima Jr. e outros. Em novembro, foi preso com outros intelectuais, durante um protesto contra o regime militar em frente ao Hotel Glória, no Rio de Janeiro. Em 1966 co-produziu "A Grande Cidade", de Carlos Diegues e preparou "Terra em Transe", que chegou a ser proibido, mas foi liberado sob algumas condições. Exibido no Festival de Cannes, o filme ganhou os prêmios Luis Buñuel e o da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica. Recebeu ainda prêmios e elogios na Suíça, em Cuba e no Brasil.

No mesmo ano, Glauber Rocha trabalhou no argumento de "Garota de Ipanema, de Leon Hirszman. Recebeu o convite de Jean-Luc Godard para participar de "Vent d'Est", onde Glauber viveu seu próprio personagem: um cineasta que aponta o caminho para o cinema político-revolucionário. Iniciou o filme "Câncer", rodado durante quatro dias no Rio de Janeiro. Co-produziu "Brasil Ano 2000", de Walter Lima Jr. estrelado por sua irmã Anecy, mulher do diretor. Em 1969 "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" foi exibido no Festival de Cannes e Glauber ganhou o prêmio de melhor diretor, dividido com o tcheco Vobtech Jasny. Além deste, o filme ganhou muitos outros prêmios importantes. Ainda na Europa, o cineasta recebeu dois convites para filmar. Um do produtor espanhol Pedro Fages e outro de Claude Antoine. Em 1970, Glauber Rocha rodou, na região da Catalunha, o filme "Cabeças Cortadas".

Voltou ao Brasil, mas o crescimento da repressão o desestimulou. Em 1971 Glauber partiu para o exílio. Na Universidade Columbia, em Nova York, apresentou a tese "Eztetyka do Sonho". No Chile filmou um documentário sobre os brasileiros exilados, que não foi concluído. Em 24 de novembro, nasceu Daniel, seu filho com Martha Jardim Gomes. No final do ano, viajou para Cuba, onde permaneceu um ano, trabalhando no projeto de "America Nuestra". Da colaboração com Marcos Medeiros surgiu o filme "História do Brasil", que foi concluído em Roma. Em viagem pelo Uruguai, Glauber encontrou-se com o ex-presidente João Goulart. Na noite de 25 para 26 de junho, os negativos de "O Dragão da Maldade" e "Terra em Transe" foram queimados em um incêndio nos laboratórios G.T.C. na França. Em 1976, Glauber retornou ao Brasil, depois de cinco anos de exílio. No ano seguinte, o curta-metragem "Di Cavalcanti" ganhou prêmio especial do júri do Festival de Cannes. Glauber morreu de problemas broncopulmonares, aos 42 anos. [u.e.]

   

EDUARDO COUTINHO
(11 de Maio de 1933, São Paulo, SP)

Eduardo Coutinho é um dos mais importantes nomes do documentário brasileiro. Ele teve uma formação que passou pelo cinema, teatro e jornalismo. Cursou a Faculdade de Direito em São Paulo, mas não a concluiu. Em 1954, aos 21 anos, teve seu primeiro contato com cinema no Seminário promovido pelo MASP e dirigido por Marcos Marguliès. Trabalhou como revisor na revista Visão (1954-57) e dirigiu, no teatro, uma montagem da peça infantil "Pluft, o Fantasminha", de Maria Clara Machado. Ganhou um concurso de televisão respondendo perguntas sobre Charles Chaplin. Com o dinheiro do prêmio, foi para a França estudar direção e montagem no IDHEC, onde realizou seus primeiros documentários. Seu trabalho é caracterizado pela profundidade e sensibilidade com que aborda problemas e aspirações da grande maioria marginalizada, seja em favelas, no sertão ou na boca do lixo. Responsável por filmes como "Cabra Marcado para Morrer" (1964-1984), "Santa Marta: Duas Semanas no Morro" (1987) e "Boca de Lixo" (1992). Em parceria com a produtora VideoFilmes, nos últimos seis anos, Coutinho realizou cinco filmes: "Santo Forte" (1999), "Babilônia 2000" (2000), "Edifício Master" (2002), "Peões" (2004), "O Fim e o Princípio" (2005) e "Jogo de Cena" (2006). Especialista em roteiros, foi co-roteirista de vários títulos como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976) e "Garota de Ipanema" (1967).

   

PAULO JOSÉ
(20 de Março de 1937, Lavras do Sul, RS)

Paulo José Gómez de Souza nasceu em Lavras do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, no dia 20 de março de 1937. Aos dez anos de idade, foi estudar no Colégio dos Padres Salesianos, em Bagé: no teatro da escola, teve suas primeiras experiências com pantomimas e dramas circense. Mudou-se com a família para Porto Alegre, onde prestou vestibular para Medicina e, em seguida, para Arquitetura. Ainda na capital gaúcha, iniciou sua carreira no teatro amador. No início da década de 1960, Paulo José foi morar em São Paulo e começou a trabalhar com o grupo Teatro de Arena, onde exerceu as funções de ator, contra-regra, assistente de direção, produtor, diretor musical, cenógrafo e figurinista. Estreou em 1961, na peça "Testamento de um Cangaceiro", de Chico de Assis. No cinema, começou sua carreira em 1965, atuando no filme "O Padre e a Moça", de Joaquim Pedro de Andrade. Entre 1965 e 1968, participou de cerca de dez filmes, alguns de extrema importância para o Cinema Novo, como "Macunaíma", também dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, e "Todas as Mulheres do Mundo", de Domingos Oliveira. Começou a trabalhar na televisão em 1969, na TV Globo, estreando no final da novela "Véu de Noiva", de Janete Clair. Em 1970, atuou em "Assim na Terra Como no Céu", de Dias Gomes, vivendo o cafajeste Samuca. No ano seguinte, participou de "O Homem Que Deve Morrer" (1971), escrita por Janete Clair.


Paulo José destacou-se na luta pela regulamentação da profissão de ator no Brasil, ocorrida em 1978. Ajudou também a implantar um projeto de valorização do autor, diretor e ator nacional através do programa Aplauso, produzido durante o ano de 1979. Entre as peças de teatro adaptadas em Aplauso, destacam-se: "Vestido de Noiva", adaptada por Domingos Oliveira a partir do original de Nelson Rodrigues, e "Uma ou Duas Coisas sobre João Guimarães Rosa", adaptada pelo próprio Paulo José a partir dos textos do autor mineiro.

Nos anos 1980, realizou diversos trabalhos no cinema, como "Faca de Dois Gumes" (1989), de Murilo Salles, "Dias Melhores Virão" (1989), de Carlos Diegues, A Grande Arte" (1991), de Walter Salles, "Anahy de Las Missiones" (1997), de Sérgio Silva, "Policarpo Quaresma, herói do Brasil" (1998), de Paulo Thiago, "Outras Estórias" (1999), de Pedro Bial, "Benjamim" (2003), de Monique Gardenberg, "Apolônio Brasil, Campeão da Alegria" (2003), de Hugo Carvana, "Saneamento Básico, o Filme" (2007), de Jorge Furtado, "A Festa da Menina Morta" (2008), de Matheus Nachtergaele, entre outros.

   

JÚLIO BRESSANE
(13 de Fevereiro de 1946, Rio de Janeiro, RJ)

Ele entrou em contato com o cinema aos 11 anos, quando ganhou da mãe uma câmera 16 mm e um projetor quando morava nos EUA. Virou cineasta depois de trabalhar como assistente de diretores como Walter Lima Jr. e Fernando Campos. Desde que começou, em 1966, com o curta "Lima Barreto - Trajetória", já dirigiu 26 longas-metragens, sempre com orçamentos apertados e roteiros complexos. Tem seu trabalho reconhecido no Brasil e no exterior, onde é apontado como referência de um cinema profundamente ligado ao conteúdo. Entre seus filmes destacam-se "Matou a Família e Foi ao Cinema" (1969), filmado em apenas 12 dias, "Os Sermões - A História de Antônio Vieira" (1989), com Othon Bastos e Caetano Veloso, "Oswaldianas" (1992) e "Dias de Nietzsche em Turim" (2002), com Fernando Eiras e Paulo José.

Em seu mais recente trabalho, "Filme de Amor" (2003), Bressane aborda a mitologia de Vênus, a deusa do amor. Premiado como melhor filme, melhor fotografia e melhor trilha sonora no 36º Festival de Brasília, o filme fala sobre as manifestações do desejo, da Idade Média à Modernidade, com base em estudos do historiador de arte alemão Aby Waburg (1866-1929). Esse longa também foi exibido na Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes em 2003. O seu último trabalho foi "Cleópatra", com Alessandra Negrini.

   

WALTER SALLES
(12 de abril de 1956, Rio de Janeiro, RJ)

Walter Salles é autor de documentários como "Socorro Nobre" e "Franz Krajcberg: o Poeta dos Vestígios", e de oito filmes de ficção. Em 1993, iniciou uma parceria com Daniela Thomas, com quem dirigiu "Terra Estrangeira", selecionado para o Festival de San Sebastian, na Espanha. Seu filme seguinte, "Central do Brasil", recebeu dezenas de prêmios no mundo todo, entre eles o Urso de Ouro de Melhor Filme e o Urso de Prata de Melhor Atriz (para Fernanda Montenegro) no Festival de Berlim, além do BAFTA (prêmio da academia Britânica de Cinema) e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e duas indicações ao Oscar (Filme Estrangeiro e Atriz). Voltou a trabalhar com Daniela Thomas em "O Primeiro Dia", realizado para a série “2000 Visto por…”. "Abril Despedaçado" (2001) foi selecionado para a competição do Festival de Veneza, onde recebeu o Leonino d’Oro. "Diários de Motocicleta" (2004) participou da competição do Festival de Cannes e recebeu os prêmios de Melhor Filme Estrangeiro do BAFTA e do London Film Critics Circle, além do Oscar de Melhor Canção, para Jorge Dexler. Em 2005 dirigiu "Água Negra", remake do filme de terror japonês. O longa foi protagonizado por Jennifer Connelly. Em 2006, co-dirigiu com Daniela Thomas um dos curtas-metragens do longa em episódios "Paris, Te Amo", e, em 2007, participou do filme comemorativo dos 60 anos do Festival de Cannes, "Cada Um Com Seu Cinema".

   

FERNANDO MEIRELLES
(11 de Setembro de 1955, São Paulo, SP)

Indicado ao Oscar por "Cidade de Deus", Fernando Meirelles é formado em Arquitetura. Enquanto cursava a faculdade no Brasil, ele fez suas primeiras produções experimentais usando equipamento U-Matic e com uma equipe formada por amigos. Os filmes resultantes ganharam diversos prêmios nos festivais de filmes independentes do país. O mesmo grupo de amigos fundou a produtora Olhar Eletrônico, que arejou a televisão brasileira nos anos 1980. Por uma década, o grupo produziu programas para uma grande variedade de canais de televisão. Em 1989/1990, Meirelles criou e dirigiu a popular série para crianças Rá-Tim-Bum, para a TV Cultura. Os 190 episódios de Rá-Tim-Bum receberam a Medalha de Ouro no New York Film and TV Festival, além de vários outros prêmios. Para a televisão, Meirelles seguiu dirigindo comerciais e programas de TV. Sua Produtora independente, O2 Filmes, que tornou-se a maior no Brasil, recebeu os mais prestigiados prêmios nacionais e internacionais, incluindo cinco Cannes Lions, diversos Clios e treze vezes o prêmio Profissional do Ano. Em 1997, Meirelles dirigiu seu primeiro filme de longa-metragem, "O Menino Maluquinho", com Fabrizia Pinto. Meirelles participou do projeto televisivo Brava Gente Brasileira (2000) dirigindo o episódio Palace II, em parceria com Kátia Lund, como uma espécie de ensaio para "Cidade de Deus". Palace II foi reeditado como um curta-metragem e ganhou o Prêmio de Melhor Curta-Metragem no Panorama Section do Festival de Cinema de Berlim de 2002,


Em 2000, Meirelles fez seu segundo filme de longa-metragem, "Domésticas", com o diretor Nando Olival, selecionado para competir no Festival Internacional de Cinema de Roterdã. Em 2002, ele terminou seu terceiro filme, adaptação para um longa-metragem do romance de Paulo Lins, "Cidade de Deus". O filme foi co-produzido pela Vídeo Filmes, de Walter Salles. "Cidade de Deus" ganhou mais de 52 prêmios ao redor do mundo e recebeu quatro indicações ao Oscar de 2004, incluindo: Melhor Diretor (Fernando Meirelles); Melhor Fotografia (César Charlone); Melhor Edição (Daniel Rezende) e Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani).

Desde 2002, seguindo o sucesso de "Cidade de Deus", a O2 Filmes, em parceria com a Rede Globo de Televisão, produziu cinco episódios por ano da série de televisão Cidade dos Homens. Meirelles produziu todos os episódios e dirigiu vários deles. Em 2004, Meirelles dirigiu o filme de longa-metragem "O Jardineiro Fiel", baseado no romance de John Le Carré, que teve 4 nomeações ao Oscar e ganhou o Oscar de Melhor Atriz para Rachel Weisz. E recentemente fez a adaptação de "Ensaio sobre a Cegueira", obra escrita por José Saramago

   

BRUNO BARRETO
(16 de Março de 1955, Rio de Janeiro, RJ)

Com 18 longas-metragens, Bruno Barreto dirigiu seu primeiro filme, "Tati, a Garota" em 1972, aos 17 anos, seguido de "A Estrela Sobe" e "Dona Flor e Seus Dois Maridos", o maior sucesso de bilheteria do cinema brasileiro de todos os tempos com mais de 12 milhões de espectadores. Entre seus filmes, destacam-se também "Romance da Empregada" (com Betty Faria, Daniel Filho e Brandão Filho); "O Que é Isso, Companheiro?", indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 1998; "Bossa Nova" (com Amy Irving e Antonio Fagundes), uma prova de amor ao Rio de Janeiro, cidade em que nasceu; e "O Casamento de Romeu e Julieta", assistido por mais de um milhão de espectadores. A partir de 1990, dividiu sua carreira de diretor entre o Brasil e os Estados Unidos, onde realizou seis longas com grandes astros do cinema americano, como Robert Duvall, Andy Garcia, Kevin Spacey e Amy Irving em "Assassinato sob Duas Bandeiras", Dennis Hopper e Amy Irving em "Atos de Amor", Gwyneth Paltrow e Mike "Voando Alto". Em 2006, estreou como diretor de teatro com a montagem brasileira da peça premiada com o Pullitzer de melhor drama e Tony (Oscar da Broadway) de melhor peça em 2005, Dúvida, de John Patrick Shanley. Seu recente trabalho foi "Última Parada 174", que conta a história verídica de Sandro Barbosa do Nascimento, menino de rua do Rio de Janeiro que em 2000, seqüestrou o ônibus 174.

   

FERNANDA MONTENEGRO
(16 de Outubro de 1929, Rio de Janeiro, RJ)

Quem imaginaria que a mirrada menina Arlette Pinheiro Esteves da Silva, descendente de portugueses e italianos, seria uma das maiores atrizes de seu tempo? Fernanda Montenegro, nome que nos traz inspiração, seria uma mistura de personagens de Balzac ou Proust com o sobrenome de um médico homeopata que sequer chegou a conhecer, mas que, como era dito, fazia milagres. Ela é uma multi-artista: trabalhou em rádio, em mais de 170 teleteatros, dezenas de novelas e seriados e, recentemente, anda dando continuidade às suas aventuras pelo mundo cinematográfico. Foi em sua estréia no teatro, na peça “Alegres Canções nas Montanhas”, que Fernanda conheceu a parte que faltava em si, Fernando Torres, o seu esposo para toda a vida. Juntos tiveram filhos de carreiras notáveis, a atriz Fernanda Torres e o cineasta Cláudio Torres. A partir de 1963, Fernanda começa a participar de telenovelas, mas apenas dez anos mais tarde a sua presença chamou a atenção do grande público. Atuou em inúmeras novelas, como “Guerra dos Sexos”, “Cambalacho” e “Rainha da Sucata”. Outros nomes inesquecíveis são: “Baila Comigo”, “Riacho Doce”, “Zazá”, “Incidente em Antares”, etc, mas a televisão não é suficiente para esta mulher de inúmeras faces, ou, como diz um crítico renomado sobre a sua enorme capacidade de expressar-se e adaptar-se às personagens, esta mulher do “rosto de borracha”.


Entre os filmes em que atuou no cinema estão "A Falecida" (1964) e "Eles não Usam Black-Tie" (1980), ambos de Leon Hirszman. E, mais recentemente, "Olga", de Jayme Monjardim, onde interpretou Leocádia Prestes, mãe do líder comunista Luís Carlos Prestes; "Redentor" (2004), dirigido por seu filho, Cláudio Torres; "Casa de Areia" (2005), filme dirigido pelo genro Andrucha Waddington, marido de sua filha, a atriz Fernanda Torres; e "O Amor nos Tempos do Cólera", de Mike Newell, lançado em 2007, onde fez a personagem Tránsito Ariza, mãe do personagem do ator espanhol Javier Bardem. Ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz e concorreu ao Oscar de Melhor Atriz em 1999 pelo filme "Central do Brasil", de Walter Salles. Recebeu também vários prêmios da crítica americana, no mesmo ano.

   

JOSÉ MOJICA MARINS
(13 de Março de 1936, São Paulo, SP)

O ator, produtor e diretor de cinema José Mojica Marins, criador do personagem Zé do Caixão, nasceu em São Paulo. Já o coveiro Josefel Zanatas, o Zé do Caixão, foi criado por ele em 11 de outubro 1963, após o cineasta ser atormentado por um pesadelo no qual um vulto o arrastava até seu próprio túmulo. A primeira aparição do personagem foi no filme "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" (1963). Desde então, ele apareceu em diversos filmes. O nome Zé do Caixão veio de uma lenda de um ser que viveu a milhões de anos no planeta terra que se transformou em luz e depois de anos esta luz voltou a terra. Zé do Caixão é um homem sem crenças, não acredita em Deus nem no Diabo, só acredita nele mesmo, acha que é o único que pode fazer justiça.

Ele apresentou, na década de 1990, os programas Cine Trash e Cine Sinistro, ambos na Rede Bandeirantes. Mojica teve seus títulos lançados na Europa e nos Estados Unidos da América, onde participou de mostras, festivais e recebeu prêmios. No Brasil, Mojica não conseguiu o mesmo sucesso e reconhecimento. Foi um dos principais alvos da censura durante a ditadura militar e da crítica. Porém, seu filme mais recente, "Encarnação do Demônio", foi o grande vencedor do Primeiro Festival Paulínia de Cinema e foi exibido em Veneza.

   

ROGÉRIO SGANZERLA
(26 de Novembro de 1946 — 9 de Janeiro de 2004, Joaçaba, SC)

Nascido em Joaçaba, Santa Catarina, um dos maiores símbolos do Cinema Marginal feito em São Paulo na década de 60, sinônimo de transgressão, picardia e genialidade na tela grande. Ainda muito jovem, foi acolhido por Décio de Almeida Prado, que na época dirigia o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, e seu texto de estréia foi sobre "Os Cafajestes", filme de Ruy Guerra (1962). Continuou no Suplemento e colaborou também com o Jornal da Tarde.

Trabalhou quatro anos como crítico de cinema no jornal O Estado de São Paulo. Estreou na direção de longas com "O Bandido da Luz Vermelha" (1968), uma filme baseado na historia do criminoso João Acácio Pereira da Costa, que se apresentava com uma lanterna vermelha ao cometer seus crimes. O filme se tornou um de seus maiores sucessos e lhe deu fama. Fundou a produtora Bel-Air, responsável por filmes do diretor como "O Abismo" (1977), "Nem Tudo é Verdade" (1986) e "Tudo é Brasil" (1997). Conseguiu, ao lado de Julio Bressane, solidificar a argamassa do chamado cinema marginal. O movimento que apareceu com "A Margem" (1967), de Ozualdo Candeias, surgiu como uma espécie de reação ao Cinema Novo de Glauber Rocha e David Neves.


Seu último filme, "O Signo do Caos" (2003), sobre a passagem de Orson Welles pelo Brasil (1942), quando não conseguiu concluir "It's All True" por ter seu material de filmagem apreendido, recebeu o troféu Candango de melhor direção no 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2003), mas ele não pôde comparecer ao Festival de Brasília devido ao seu estado de saúde. Na ocasião, ele foi representado pela atriz Djin Sganzerla, sua filha com a atriz Helena Ignez. Vítima de câncer no cérebro que o martirizou durante seus últimos seis meses de vida, morreu em 09/01, aos 57 anos, no Hospital do Câncer em São Paulo, onde estava internado desde o último 15 de dezembro (2003) para se tratar da doença, sendo seu corpo cremado no Cemitério da Vila Alpina, em São Paulo. Casado havia 35 anos com a atriz Helena Ignez, vivia com a esposa e suas duas filhas, Djin e Sinai. e uma enteada, Paloma Rocha, filha do casamento anterior de Helena com Glauber Rocha.

 

 
 

 


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